Pouca gente deve ter lido, ouvido ou assistido algo sobre isso. 63 passageiros africanos a bordo de um navio com refugiados morreram de fome e sede no mar porque foram solenemente ignorados por França e Malta, além da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
O navio havia partido no dia 25 de março de Trípoli, na Líbia, fugindo dos conflitos que vem ocorrendo naquela região. Depois de 18 horas de viagem, uma pane fez com que o barco ficasse à deriva e pedisse socorro via rádio a um padre romano que avisou a guarda costeira. Foram então acionadas autoridades da Otan, França e Malta. Segundo o jornal britânico The Guardian, a embarcação teria sido levada pelas correntezas e se aproximado do porta-aviões francês Charles De Gaulle. Tão próximo que seria impossível não ver, garante a publicação. Mesmo assim, nenhuma ação de socorro foi tomada.
Segundo depoimentos dos sobreviventes - eram 72 passageiros, apenas nove resistiram -, dias depois deste encontro com o porta-aviões um helicóptero teria sobrevoado o navio a deriva e apenas lançado bolachas, mesmo diante do apelo das pessoas por socorro, inclusive erguendo bebês quase mortos de fome.
“Todas as manhãs nós acordávamos e encontrávamos mais corpos, esperávamos 24 horas e os jogávamos ao mar. Nos últimos dias, já não nos reconhecíamos mais. Estávamos todos ou rezando ou morrendo.”
Abu Kurke, um dos sobreviventes, ao The Guardian
No total, os africanos ficaram 16 dias abandonados no mar sem qualquer perspectiva de socorro, até que o navio foi levado pela correnteza até a cidade de Zitlan, na Líbia.
Diante dos relatos dos sobreviventes ao The Guardian, autoridades da Otan e dos países envolvidos com o descaso negaram ter conhecimento do episódio.
Este absurdo caso não teve qualquer destaque na grande imprensa. Foi engolido por outras manchetes muito mais importantes para a mídia que segue o roteiro norte-americano, como a morte de Bin Laden, os "heróis" dos Seals e toda a projeção que Obama ganhou com o episódio.
Link para a matéria no site do The Guardian