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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A gente dá opinião por você

Momento de saco cheio.

O que a construção da hidrelétrica de Belo Monte, a redução da jornada dos enfermeiros e a divisão dos royalties do petróleo têm em comum?

Resposta: estes e muitos outros assuntos viraram bandeiras dos atores da Rede Globo. Com a autoridade de "artistas globais" que influenciam muita gente só pela associação da imagem, despejam teses e argumentos (muitas vezes sem qualquer cabimento) para mostrar o que é certo ou errado. Na visão deles, é claro.


Quem esses caras pensam que são, afinal?!?

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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O bicentenário é deles

Sábado passado, 10 de novembro, a Bibliotheca Pública (que não é pública) Pelotense sediou o baile de gala dos 200 anos de Pelotas. Mais um dos eventos comemorativos que ficou restrito a um grupinho. Os mesmos de sempre, usando black-tie, bebendo espumante, ouvindo jazz e compartilhando opiniões sobre o quanto a cidade é bela, o quanto a cultura é fantástica e coisas do gênero. Não duvido até que tenham elogiado a aberração do novo pórtico na Academia Pelotense de Letras.

Com convites custando entre R$ 80 e R$ 200, o baile recebeu tratamento diferenciado pela imprensa. Jornais e telejornais locais deram destaque ao evento, ocupando um bom espaço para mostrar os ilustres que lá estiveram. A se ressaltar, também, o viés altruísta do evento. O dinheiro arrecadado foi destinado à Associação dos Amigos do Museu da Baronesa.

Não sou radical ao ponto de não concordar com um baile de gala. Muito menos com a ajuda a uma entidade que mantém um museu importante da cidade. Minha inquietação é outra. Por que isso mobiliza tanta gente desta tal sociedade pelotense? Por que merece tanto destaque na TV e no jornal?

Pelotas tem 330 mil habitantes. Destes, 142 mil vivem com no máximo dois salários mínimos. Outros tantos – cerca de 50 mil – estão abaixo disso e sobrevivem apenas com a ajuda de programas de distribuição de renda do governo federal (as tais “bolsas-esmola”, que muitos gostam de criticar). E para estas pessoas, o que Pelotas ofereceu para celebrar o bicentenário?

Poucos foram os eventos destinados àqueles que realmente representam a população da cidade. E, mesmo assim, não se viu tanta festa, tanto espaço para divulgação e – muito menos! – mobilização para ajudar com algo concreto, como melhorias em postos de saúde ou escolas. Óbvio que não daria para resolver tudo, sei disso. Mas alguém ouviu falar de entidade da sociedade de Pelotas envolvida com arrecadação para, por exemplo, auxiliar na reforma e funcionamento de um único postinho de bairro? Ou quem sabe fazendo algo por uma das tantas escolas precárias? Isso, sim, seria algo de classe na homenagem à cidade e que orgulharia os pelotenses.

A alta sociedade de Pelotas tem todo o direito de comer o seu caviar e festejar os 200 anos da cidade. Contudo, é difícil aceitar que um evento como esse seja um dos eventos mais destacados pela mídia no calendário do bicentenário. Enquanto assistiu às imagens do baile no horário do almoço, grande parte dos pelotenses deve ter ficado imaginando que tantos motivos aquela turma teria para tamanha celebração.


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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A revolta bunda-mole

FOTO: Piervi Fonseca/Folhapress

Fluminense campeão, Palmeiras rebaixado (não adianta dizer que ainda tem chance, já caiu e pronto!). Praticamente acabou o campeonato. E com ele acabou também a indignação de todos aqueles que há algumas rodadas não tinham mais voz de tanto xingar os juízes, a CBF, a Globo, o Papa, a mãe do Badanha.

Todo mundo era parte da conspiração para ajudar o Fluminense a levar a taça. Cada pênalti a favor marcado, cada gol do adversário anulado, cada lateral revertido, tudo era um sinal. E assim foram se criando os revoltados do Brasileirão.

- Absurdo! Vergonha! Só assim para ganhar mesmo!

Cadê essa turma agora? Não falo dos torcedores fanáticos, porque destes não se espera muita racionalidade mesmo. Mas e os comentaristas? E os cartolas dos times adversários do tricolor carioca? O gato comeu a língua deles?

(Continue lendo no FutCétera)

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domingo, 11 de novembro de 2012

Críticas amadoras sobre filmes que todos já viram: Lula, o filho do Brasil

Não sou especialista em cinema, em música ou em literatura. Mas como dono do blog, vou ter a ousadia de publicar aqui algumas impressões sobre filmes, discos ou livros. Dificilmente sobre lançamentos. Estes deixo para quem é crítico verdadeiro.


Ontem assisti Lula, o filho do Brasil (2009). Dirigido por Fábio Barreto, o filme foi alvo de ataques antes, durante e após sua estreia não pela qualidade da obra, mas por ter sido lançado justamente no começo de 2010, ano eleitoral em que Lula encerraria seu segundo mandato como Presidente da República e colocaria à prova sua popularidade indicando um sucessor – neste caso sucessora, já que Dilma foi apontada e eleita. Além da acusação de ser peça de propaganda, foram fortes também as críticas ao fato de grandes empreiteiras – responsáveis por obras de infraestrutura contratadas pelo governo federal – terem financiado a obra.

Entretanto, águas passadas. Ao filme. Bom, mas nada que mereça ser lamentado caso não se assista. Nem mesmo um amigo petista fanático conseguirá chegar ao fim do filme e dizer que é imperdível. A história contada é, inegavelmente, interessante. Afinal de contas, o personagem é um sujeito que vai da miséria à Presidência. Um operário que se tornou uma das figuras mais importantes da história brasileira. Porém, o filme não consegue transmitir o quão insólita é a trajetória.

A se elogiar a escolha do ator que interpreta Lula adulto. Rui Ricardo Dias convence, com semelhança física, na fala e nos gestos. Como em quase todo filme atualmente, as atrizes escolhidas, além de talentosas, precisam ser bonitas. Cléo Pires (Maria de Lurdes, primeira esposa) e Juliana Baroni (Marisa Letícia) confirmam isso. Se as mulheres do ex-presidente eram realmente tão belas assim quando jovens, há que se invejar.

Mesmo com a história sindical do operário sendo contada, falta conteúdo político a Lula, o filho do Brasil. Porque a vida do ex-presidente só virou filme devido à dimensão política que conquistou. Terminar o filme com Lula deixando o Dops, onde estava preso, para assistir ao enterro de Dona Lindu (mãe) deixa a sensação de que o filme acaba enquanto ainda está no começo.

Para quem também ainda não assistiu, não faça como eu, que esperava uma história recheada da história política do ex-presidente. As últimas cenas, com Lula tomando posse em Brasília em 2003, são a deixa para uma nova obra sobre o personagem. Agora com algum distanciamento histórico, sempre importante para a construção de análises deste tipo. Certamente é possível fazer um filme melhor. 


Assista ao trailer:

   

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sábado, 3 de novembro de 2012

Jaquirana, onde não se cumpre a lei

Placas de propaganda afixadas em rótulas e permanecendo nas ruas durante toda a noite. Carros de som circulando com locutores, caracterizando ‘trios elétricos’. Para completar, alguns “brindes” sendo distribuídos aos eleitores. Tudo isso é proibido pela lei eleitoral, mas é bastante provável que você tenha visto algum destes exemplos de irregularidades durante as eleições municipais de 2012.

Escrevo sobre isso porque todo mundo está cansado de saber que a tal festa da democracia nunca deixou de ser também um festival de “espertezas” por debaixo dos panos. Assim ocorre historicamente em cidadezinhas do interior com meia dúzia de eleitores ou nas grandes metrópoles de centenas de milhares de moradores.

Mas em Jaquirana, município no nordeste do RS com 4,8 mil habitantes, alguém resolveu acabar com essa bagunça. A Polícia Civil local suspeitou de que havia compra de votos e tratou de investigar. O resultado foi a prisão do filho do prefeito reeleito, do coordenador da campanha e de um vereador.

Mas e porquê apenas em Jaquirana se conseguiu pegar alguns destes tipos de malandros se todo mundo sabe que as irregularidades eleitorais são praxe em quase todas as cidades? Simples: porque apenas lá se tem notícia de que a Polícia Civil tentou de verdade.

Tomemos como exemplo contrastante a falta de fiscalização em Pelotas. Por aqui, vimos muita propaganda em locais proibidos e ficando nas ruas mesmo após o horário limite das 22h. Vimos também carros de som descontrolados pelas ruas, circulando próximos a escolas e hospitais, muitos deles com locutores gritando com o carro em movimento.

Mas no terceiro maior colégio eleitoral do Estado a opção foi por fazer vistas grossas. As autoridades que deveriam fiscalizar e punir estas ações preferiram não tocar no assunto. Ou melhor, até tomaram uma atitude: às vésperas do primeiro turno (apenas), algumas placas irregulares foram recolhidas e a ação foi devidamente noticiada na imprensa, como se fosse grande coisa.

Pois se em Pelotas até o simples controle sobre a propaganda de rua inexistiu, imagine se seria tomada alguma atitude para coibir possíveis casos de compra de votos. Nunca! E não foi por falta de suspeitas, pois quase todos os dias durante a campanha surgia alguma informação (ou boato) de que alguém estava distribuindo algo em algum lugar. Se houvesse boa vontade e disposição próximas daquelas da Polícia Civil de Jaquirana, aqui também alguém teria sido flagrado comprando votos. Aposto.

Tão fácil seria que, certo dia, três amigos e eu saímos de carro a circular por vilas da cidade atrás de pessoas que, eventualmente, estivessem presenteando moradores com comida, brinquedos ou roupas. Em poucos minutos rodando e conversando com as pessoas ouvimos alguns relatos.

Mais um tempo circulando e, bingo!, lá estava um carro identificado com uma candidatura distribuindo calçados. Era compra de voto? Não sei, mas era o tipo de ‘generosidade’ incomum. Ao menos fora do período eleitoral. Como incomum também foi a reação das pessoas que entregavam os sapatos. Ao notar que estavam sendo observados, ficaram nervosos e saíram correndo atrás do nosso carro. Porquê?! Quem não deve, não teme...

Para nós, curiosos que estávamos apenas observando a movimentação nas ruas, era difícil provar se ali havia compra de votos. Mas para pessoas que têm o dever de estar atentas a casos suspeitos e investigar, seria uma tarefa mais simples, acredito.

Fato é que em muitas cidades casos de crimes eleitorais são comuns. Dos simples aos mais graves, todo mundo já viu, soube ou ouviu falar. Mesmo assim, punições são raras. O que é uma pena. E também a prova de que algumas regras deixem de ser cumpridas simplesmente porque, teoricamente, são de difícil fiscalização.

Jaquirana é uma cidade fora da lei. Lá optou-se por não cumprir a norma mais conhecida do Brasil: a Lei do Menor Esforço.


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