Fica difícil respeitar instituições e autoridades quando o que se vê é uma postura de passividade e de “empurrar com a barriga”. Falo especificamente sobre os cada vez mais frequentes boatos que se espalham pela Internet visando desestabilizar administrações e economias.
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| Em 2013, milhares de beneficiários do Bolsa Família correram aos bancos com medo do fim dos pagamentos. (Foto: Fabio Rossi/Agência O Globo) |
Em 2013, por exemplo, “informações” que circulavam nas redes sociais garantiam que haveria interrupção no pagamento do programa Bolsa Família. Milhares de beneficiários lotaram as agências da Caixa em 12 estados para garantir os saques antes da eventual suspensão. Tudo não passou de um susto e de uma mentira. A Polícia Federal reagiu à época dizendo que faria uma apuração para “tomar com rapidez as medidas cabíveis contra todos os envolvidos na origem e na divulgação destes boatos”. Quase dois anos depois, não se tem notícia de responsáveis e punições.
Agora, novo terrorismo. Pelo WhatsApp, circulam há meses mensagens afirmando que o governo estaria pensando em confiscar o dinheiro das poupanças, tal qual já ocorreu em março de 1990. Um trauma promovido pela então ministra Zélia Cardoso de Mello que tirou dos brasileiros as economias com o objetivo de tirar moeda de circulação e combater a inflação de – acreditem! – 1.782% registrada em 1989.
E diante de mais esse boato perigoso, capaz de causar impactos imprevisíveis na economia caso seja absorvido como foi o do Bolsa Família, uma tímida reação do Ministério da Fazenda. Apenas uma nota afirmando que “não procedem as informações”. E novamente uma promessa de ação da Polícia Federal.
Tem como acreditar na responsabilização de alguém? Da forma como governo e PF têm encarado estes boatos – que não têm qualquer caráter de ingenuidade ou brincadeira – só se pode imaginar que ninguém será responsabilizado. E que em breve alguma outra ameaça sem pé nem cabeça surgirá. E sabe o que vai acontecer? Exato!
