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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O jeitinho brasileiro (ou politiqueiro) de inaugurar

Somos um povo que adora uma inauguração. Seja do que for. Sempre vai haver bandinha tocando e muita gente na volta para ver alguém cortando uma fita e discursando. Um prédio, uma rua asfaltada, uma caixa d’água. Ou um estádio. Ou um mercado público.

O brasileiro tem um jeito especial de apresentar a conclusão de seus feitos: inaugurando pela metade. Eu sei, você sabe, que é contraditório falar em inaugurar algo que não está pronto. Mas é assim que a coisa funciona por estas bandas.

Foto: João Pontes / iG
Arena "pronta" e inaugurada. Por dentro, porém,
trabalho incompleto e falta de acabamento.
Outro dia foi a Arena do Grêmio. Embora seja uma obra merecedora de muitos elogios por ter sido feita rapidamente e sem a chuva de dinheiro público que está havendo em outros estádios Brasil afora, o fato é que não está pronta. Mesmo assim, para que o mandatário do clube durante todo o período de construção pudesse inaugurar a nova casa antes de entregar o cargo ao seu sucessor, montou-se uma grande festa e uma partida amistosa. Nas imagens da TV, quase tudo perfeito. Mas quem lá esteve viu que ainda há muita coisa a se fazer nas entranhas da Arena.

Mercado pronto. Só que não.
Se em um empreendimento privado como o estádio do Grêmio a inauguração é feita às pressas por interesses políticos, obviamente o mesmo ocorre diariamente com as obras públicas. Em Pelotas, também. 

Hoje (quinta, dia 20) a prefeitura fará a reinauguração do Mercado Público de Pelotas após o processo de restauração do prédio, iniciado lá em 2008 e que custou R$ 2,9 milhões. Com todos os salamaleques costumeiros destas ocasiões, haverá festa com música, Papai Noel e, claro, corte da fita e discurso do atual prefeito, Fetter Junior.

Então isso significa que está tudo pronto e que os permissionários das bancas já poderão iniciar suas instalações no prédio, correto? Não.

O Mercado Público será inaugurado, mas ficará pronto somente depois de mais 30 dias de obras. Faltam os acabamentos, dizem. Bancas funcionando, somente em fevereiro.

Não é preciso ser muito esperto para concluir, então, que essa inauguração é só para que o atual prefeito saia na foto. Afinal, em poucos dias ele entrega o cargo ao novo chefe do Executivo eleito. Aguardar a conclusão de fato da obra seria para o prefeito Fetter algo como ficar de fora da festa justamente na hora de cantar os parabéns e comer o bolo.

Caso bem parecido com o de Paulo Odone e a Arena do Grêmio.

E ninguém reclama. O jeito brasileiro de concluir empreendimentos é esse. Vai lá, corta a fita, faz um discurso, fatura politicamente e sai na foto para a posteridade. Depois se termina o trabalho. Quando se termina!

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Dois pesos, duas medidas e nenhum comprometimento com a informação

Já aviso de antemão: esqueça seu ódio ou seu amor pelo Lula por um instante. Faço esse pedido porque sei que qualquer coisa que se fale sobre ele gera uma batalha entre atacantes e defensores. Dito isso, quero apenas usar uma frase dita por ele esta semana para ilustrar o que irei escrever a partir do próximo parágrafo. Disse o ex-presidente: “Vocês já viram a cara de algum banqueiro no jornal? Sabe por que não sai? Porque são eles que pagam as propagandas.”

Agora, aos fatos. Na quarta-feira (dia 12) uma ação da Receita Federal e do Ministério Público chamada de Operação Dominó cumpriu mandados de busca e apreensão em dez empresas gaúchas que, juntas, teriam sonegado mais de R$ 40 milhões em impostos. Sete destas com sede em Pelotas. A falcatrua era feita através de um software (criado também por pelotenses) que emitia cupons fiscais em um equipamento não autorizado pela Receita, fazendo uma contabilização paralela das vendas.

Charge: Tiago Recchia
Todo mundo deu a notícia. TVs, jornais, sites, rádios. Mas pode procurar à vontade que em nenhum dos veículos será encontrada qualquer menção aos nomes das lojas ou dos proprietários pegos com a boca na botija. “Uma série de empresas”, “varejistas”, “lojas do setor de vestuário”, termos deste tipo, bem genéricos, foram usados pela imprensa. O cuidado para não entregar os sonegadores foi tamanho que as imagens da operação mostradas na TV não deixam aparecer sequer um pedaço da fachada das lojas. E a informação, como fica?

Curioso como a cobertura dos mesmos veículos de imprensa pode ser tão diferente para casos de corrupção. Porque sonegação de imposto é um tipo de corrupção, sim. Tanto quanto desvio de verba em administrações públicas. Porém, em casos como esse dos empresários pelotenses, ninguém é identificado. Bem diferente do que ocorre quando o personagem é, por exemplo, um político. Com ou sem provas, tão logo surge a suspeita o nome já é publicado e, especialmente, julgado pelo tribunal midiático. Parte-se do pressuposto que políticos são todos iguais, todos ladrões. Portanto, acusa-se antes e revira-se a vida do sujeito durante as investigações, colocando o rosto em todos os jornais. E depois, se ele for inocente? Bom, aí é só esquecer o assunto e procurar outra manchete.

O empresário que sonega é tão corrupto quando o político que desvia. Afinal, em ambas as situações o dinheiro que deveria ser revertido em serviços à população está ficando nos bolsos de alguns malandros. Ou estou errado? Aos olhos da imprensa parece que sim, estou. Pois assim como há o pré-conceito estabelecido sobre a desonestidade política, há o consenso de que empresários são os grandes responsáveis pelo desenvolvimento do Brasil, por gerar emprego e renda. São bravos resistentes no cenário econômico em que são oprimidos por taxas e tributos, cuja imposição parte justamente dos desonestos de colarinho branco, ávidos por embolsar tudo. É ou não é assim que nos vendem?

A abordagem quase que constrangida da imprensa no caso dos sonegadores pelotenses mostra bem como funciona o jornalismo para boa parte daqueles que escolhem o que será pauta, editam e levam até o público. Dependendo dos personagens envolvidos, usam-se dois pesos e duas medidas. Mas nenhum comprometimento com a informação.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Incompetência assumida

A briga ocorrida no setor da Geral no sábado da inauguração da Arena do Grêmio só confirma duas coisas: a incompetência da Brigada Militar e da Justiça ao punir os brigões e que essa história de vigilância com câmeras para impedir a entrada dos marginais é história pra boi dormir.

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Hora de Luxemburgo crescer em decisões

Fotos: Ag. Estado / Luis Acosta (AFP)
Contra Palmeiras e Millonários, nem a pressão do velho Olímpico
fez com que o Grêmio de Luxemburgo confirmasse o favoritismo.

Descontemos toda a emocionante festa antes do jogo, o choro e as homenagens que se seguiram após o apito final de Héber Roberto Lopes. O que fica da despedida do Estádio Olímpico Monumental é a frustração de ver o Grêmio, mais uma vez, não superar uma equipe inferior – sem qualquer corneta, as atuações anteriores e a posição na tabela confirmam isso. E dessa vez com o adversário tendo dois jogadores a menos. Novamente o time bateu na trave na hora de alcançar um dos objetivos traçados. Escaparam a vice-liderança do Brasileirão e a vaga direta à fase de grupos da próxima Libertadores.

O Grêmio de 2012, com o até então inimaginável comando de Vanderlei Luxemburgo, foi assim. Quando mais precisou vencer, quando sentiu mais intensamente o cheiro do sucesso, falhou. E o mais impressionante: não foi determinante para as frustrações deste ano o peso da camisa adversária. O time escorregou contra pequenos, médios e grandes, inclusive quando do outro lado estavam esquadras que hoje figuram entre as rebaixadas do Brasileirão. Vejamos o retrospecto do Grêmio de Luxemburgo nos jogos mais importantes do ano:

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