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domingo, 10 de novembro de 2013

Mentiras repetidas mil vezes...

Era final de setembro quando escrevi aqui no blog sobre a falta de vergonha de Renato Gaúcho ao aceitar e assumir o fato de jogar um futebol feio mesmo tendo grandes jogadores no elenco. De lá para cá, no entanto, algo mudou no técnico gremista.

A qualidade do jogo continua terrível. Com a diferença de que o feio que antes garantia vitórias de placares magros deu lugar a derrotas, empates e nada de gols.

Mas isso já era esperado. A sorte dos gols improváveis marcados em uma ou duas chances por jogo não duraria para sempre. O inesperado está na mudança de comportamento de Portaluppi. Não aceita mais que o time joga mal.

Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista de Hitler, tinha entre seus notáveis conceitos a ideia de que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. E o que Renato e o Grêmio têm a ver com isso? Tudo.

Há seis jogos o time não marca um gol. São 579 minutos em branco, o maior período da história do clube. Nos 34 jogos em que comandou a equipe, fez 33 gols. Ou seja, menos de um gol por jogo em um clube que conta com atacantes e meias do quilate de Elano, Zé Roberto, Maxi Rodriguez, Kléber, Barcos e Vargas. Quais outros clubes têm tamanho potencial no elenco?

Mesmo assim, Renato contraria os números. Os números e a lógica. Não cansa de repetir em suas entrevistas pós-jogo que o time joga bem, domina as partidas e empilha chances de gols. Os resultados desfavoráveis são obra do azar, segundo ele. Ora, se já era difícil concordar com isso no período de vitórias consecutivas, impossível agora.

A chegada do Grêmio à semifinal da Copa do Brasil foi uma mentira, pois chegar a uma fase decisiva marcando apenas dois gols no torneio é surpreendente. Figurar no G4 do Brasileirão é uma mentira, pois não pode estar no topo quem se apequena e se contenta com vitórias nascidas em gols fortuitos, ao acaso.

Renato resolveu mentir. Mente sobre a qualidade do futebol que estabeleceu ao time. Mente para si, para a imprensa, para os jogadores, para a torcida. E quer fazer todos acreditarem que seu esquema é bom, que o time domina os jogos, que a bola não está entrando na casinha adversária por conta da falta de sorte.

Repetirá mil vezes esta mentira. Porém, dificilmente fará com que se torne verdade. Porque o técnico não usa outro conceito de Goebbels. Dizia o ministro alemão que um homem torna-se perigoso quando acredita no que diz. E nem Renato consegue acreditar que seu time joga um bom futebol.

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domingo, 3 de novembro de 2013

Nenhuma explicação. Ainda bem.

Tenho uma camiseta que, se pudesse, usaria todos os dias. Todo mundo tem ou já teve uma peça de roupa dessas. Não precisa ser cara, não precisa ser muito bonita. Você compra, usa a primeira vez e gosta. Mas ela tem um problema. Aliás, não é bem um problema, é uma curiosidade: a estampa.

Um índio observando ao longe duas montanhas em que saem nuvens de fumaça e em uma delas há um número. O 25. Índio, montanhas, fumaça, 25. É isso o que está desenhado na minha camiseta. E não consigo entender essa lógica.

Não sei por que tenho tanta curiosidade com essa estampa na camiseta. Afinal, está cheio de coisas escritas ou ditas ou desenhadas por aí que não entendemos. Mas esse índio e, sobretudo, esse número são inexplicáveis. Pelo menos para mim e todos que olham a camiseta.

“O que quer dizer esse desenho?” Já perdi as contas de quantas vezes ouvi essa pergunta. Toda vez que saio com ela e alguém vê pela primeira vez, salta a interrogação. Tão rápida quanto um cumprimento, um aperto de mão. “É... não sei!”, tenho que responder, tentando disfarçar o constrangimento.

Não saber o que dizer sobre essa combinação de índio, montanhas, fumaça e um número é estranho. Como que ando por todos os lugares usando algo que não sei explicar a mensagem que passa?! Se ao menos conseguisse criar uma teoria qualquer para justificar a escolha do desenho, tudo bem. Por mais estranha que fosse a ideia, provavelmente todo mundo aceitaria. Mas não, sequer dá pra imaginar a intenção dessa estampa. Uma agonia.

Mesmo assim, inexplicavelmente sigo usando a camiseta. Basta que ela reapareça no guarda-roupa, limpa e passada, para que volte a usá-la. Apesar das perguntas, apesar de não ter resposta.

Deve ser por isso que gosto de vestir essa roupa, a da estampa. Ela lembra que nem tudo precisa de uma lógica, uma justificativa. Gostar e querer já são motivações suficientemente fortes para coisas que fazemos às vezes e que, aparentemente, não possuem razão.

Se há um motivo para esse texto? Claro que não. Deu vontade de escrever. Sem lógica, sem explicação.


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domingo, 29 de setembro de 2013

Renato não tem vergonha na cara

Admiro muito o Portaluppi. O técnico do Grêmio foi um jogador habilidoso, de partir para cima, de atacar o adversário até deixa-lo para trás, constrangido pelo drible, assistindo o restante do lance que virava gol na sequência. Respeito o Renato por isso, claro, mas principalmente por não ter vergonha na cara.

Vergonha de jogar feio? Renato não tem. (Foto: Lucas Uebel, Grêmio)
O time do Grêmio treinado pelo Portaluppi é absolutamente desprovido de rejeição à feiura. Não se sente constrangido de jogar o futebol mais horroroso do Brasileirão, apesar de ter no elenco jogadores do naipe de um Elano, de um Zé Roberto, de um Barcos, de um Vargas e, até, de um Kléber.

Para o torcedor, assistir a este time do Renato em campo é saber que serão 90 minutos de irritação. Que podem ser substituídos ao apito final pela comemoração de uma vitória sofrida ou pela indignação de saber que, fosse menos acovardado, poderia vencer até com facilidade a maioria dos adversários.

Porém, Portaluppi vence. Ao contrário de outros treinadores que engasgam e não admitem montar um time para jogar feio – mesmo fazendo isso muitas vezes –, Renato não se preocupa. Monta sua retranca, empilha volantes e ordena que sua defesa se transforme em uma metralhadora de chutões para o alto. E vence. Assumindo que a proposta é essa, jogar feio e pontuar.

O Grêmio de Portaluppi provavelmente não será campeão brasileiro. Poderia ser, com outro esquema? Quem sabe?! Mas ficará à frente de muitos outros times que se descabelam tentando jogar bonito, mesmo sem jogadores para tal. Porque o técnico gremista é descarado, faz o feio se isso der resultado, assume e se contenta com isso.

Mesmo jogando o pior futebol, o Grêmio está entre os melhores. Porque Renato não tem vergonha na cara.

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sábado, 8 de junho de 2013

A rua é a arquibancada do Brasil

Amanhã (9) teremos mais um amistoso da seleção em preparação para a Copa das Confederações. Brasil contra França na Arena do Grêmio. Mas quero voltar um pouco ao jogo anterior, contra a Inglaterra, disputado no Maracanã. Na verdade não é o jogo em si que importa, e sim o cenário e o contexto daquela partida, que mostram muito sobre o que está sendo feito com o futebol no Brasil.

Novo Maracanã. Moderno, luxuoso, mas para poucos. (Foto: Ivan Pacheco, Veja)
Quem acompanhou pela TV sem concentrar apenas no que Neymar tentava fazer no ataque ou em como a defesa reagia às investidas de Rooney deve ter notado o comportamento frio da torcida brasileira na maior parte do tempo. À exceção dos tradicionais e irritantes gritos de “sou brasileiro com muito orgulho”, de resto o público foi apenas expectador. Uma plateia sentada confortavelmente em seus bancos Fifa, em arquibancadas Fifa de um estádio que já teve o jeito do Brasil, mas agora tem a cara da Fifa.

Essa transformação do padrão dos estádios brasileiros impulsionada pela Copa do Mundo tem seu lado bom. Não pelas obras milionárias em estádios públicos que tão logo seja erguida a taça em julho de 2014 ficarão praticamente às moscas. Mas pelo estímulo a que os clubes invistam em tornar suas casas lugares menos hostis, onde haja espaço para o torcedor circular, bons banheiros, bares decentes, acesso facilitado e outras coisas que parecem óbvias e essenciais em locais de grande circulação de pessoas.

O problema é o preço que essa modernização, que esse tal “padrão Fifa”, está custando ao futebol aqui do país, um patrimônio cultural que, embora tenha chegado da Inglaterra, é, sim, do Brasil.

Alguns críticos das reformas dizem – com razão – que as reformas exigidas pela Fifa extraíram a alma de tradicionais palcos brasileiros, no sentido de que alteraram a aparência das construções. Realmente, por dentro todas essas arenas modernas parecem a mesma coisa. Maracanã, Mineirão, Fonte Nova, campos que antes batíamos o olho e reconhecíamos perderam a cara.

Porém, o buraco é mais embaixo. Os estádios brasileiros estão perdendo a alma por outro motivo: a elitização do futebol. De uns tempos para cá se criou o consenso de que torcedor bom é aquele que tem condições de pagar uma boa grana por um ingresso. No mínimo 50 reais, se for um jogo qualquer. Agora imagine o quanto pesa no bolso de um trabalhador que recebe, digamos, dois salários mínimos (cerca de 1.300 reais), ir torcer pelo seu time com o filho e a esposa. Transporte ida e volta, um lanchinho no estádio (que não é nada barato), três ingressos. Lá se vão pelo menos uns 200 contos, ou 15% da renda do cidadão. Isso se esse trabalhador se der ao luxo de ver seu time ao vivo apenas uma vez no mês. Convenhamos, uns bons trocados e que fazem falta!

O reflexo dessa exclusão do torcedor que tradicionalmente frequentou jogou no Brasil é um estádio, repito, elitizado. Vai às partidas somente aquele público que pode desembolsar esse valor sem remorso.

Voltemos, então, ao Maracanã do domingo passado. Os ingressos para Brasil x Inglaterra custaram, em média, 160 reais. Então, se puder, pegue um vídeo da transmissão em que aparece uma daquelas imagens da torcida e preste atenção. Procure quantos negros estavam na arquibancada. Aposto que dificilmente serão vistos mais do que é possível contar nos dedos das mãos. Parêntese: cito especificamente esta etnia porque, segundo o Censo 2010 do IBGE, negros e pardos representam 71% dos brasileiros que vivem na extrema pobreza.

Cada um aí desembolsou cerca de R$ 160. E o povão, não foi convidado?
(Foto: Ivan Pacheco, Veja)
Ou seja, estamos criando uma espécie de apartheid futebolístico no Brasil. A partir dessa nova visão dos estádios e de como deve ser a plateia, é excluído ao torcedor comum, que sempre fez festa e apoiou seu time, o direito de ir aos campos. A este sujeito restará o velho rádio AM, já que até na televisão o futebol se tornou artigo de luxo, voltado a quem pode pagar mensalidade para ter o pay-per-view. Daqui a pouco, quando cair a ficha dessa exclusão, não duvido que seja necessário criar uma política de cotas para o público do esporte.

Aliás, duvido que tenha sido a intenção da Fiat com seu novo comercial de TV, mas nunca uma campanha que tivesse como mote o futebol fez tanto sentido. Como estádio agora é lugar para pouquíssimos, com o povão ficando de fora, não há dúvidas de que “a rua é a maior arquibancada do Brasil”.

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quarta-feira, 5 de junho de 2013

O professor ensina: é preciso carimbar

Quem acha que o ensino nas escolas hoje em dia é muito "frouxo" não está sozinho. O professor Pierluigi Piazzi, formado em Física pela USP e autor de livros voltados à neuropedagogia e formas de estimular o aprendizado, é um crítico do sistema atual, onde os alunos não são tão cobrados pelos seus erros e abandonou-se métodos usados no passado, como o ensino da tabuada, por exemplo.

Esse vídeo é bem interessante e mostra um pouco da visão do professor. Vale a pena assistir.


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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Pouca gente esperava, mas o épico veio do México

Goleirão foi o personagem do jogo
mais emocionante do final de semana.
(Foto: Christian Palma)
Bayern de Munique e Borussia Dortmund decidindo a Liga dos Campeões da Europa. Lazio e Roma fazendo o clássico mais importante das suas histórias na final da Coppa Italia. Brasileirão começando com direito àquela baita novela da despedida do Neymar. Alguém cogitou que o jogo de futebol mais emocionante do final de semana poderia, por acaso, ser o encerramento do Clausura do México? Duvido!

Pois a partida entre América e Cruz Azul disputada no Estádio Azteca com mais de 100 mil pessoas foi épica. Após vencer o primeiro jogo por 1 a 0 em casa, os visitantes chegaram à cidade do México precisando de um empate para novamente ficar com o caneco depois de 16 anos do último título nacional. E viram a vantagem se tornar ainda maior após ficar com um jogador a mais logo aos 14 minutos e ainda abrir o marcador. Difícil perder essa chance.

Porém, era futebol, não bocha. Aos 44 minutos do segundo tempo o América achou o gol de empate e foi ainda mais pra cima, na base do ubarrarrá. Até que aos 48, último lance da final, escanteio, o goleirão Moises Muñoz fez o que todo arqueiro desesperado faz quando seu time está perdendo. Foi para a grande área tentar o improvável. Bueno, aí é melhor eu não contar porque assistir os vídeos abaixo é muito melhor.

É o futebol, senhores.

Se eu estava assistindo? Não. Assim como tanta gente, cometi o pecado de não dar a devida atenção ao jogo. Optei por aquela porcaria de final de conferência da NBA, quase dormindo. Que barbaridade!

Nesse vídeo, os melhores momentos do jogo



E nesse, a decisão por pênaltis. Reparem no técnico do América.


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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Um jornalismo que não questiona

Não se trata de uma contrariedade ao fato de que hoje, mais do que nunca, as informações estão à disposição em qualquer lugar, em qualquer horário e sobre tudo que se possa imaginar. Da água de coco no Leblon bebida pela protagonista da novela ao escândalo administrativo em uma cidadezinha do interior do Piauí, tudo (ou quase tudo) é notícia. E em grande quantidade. E rápido. Isso é um bom avanço.

O problema é quando essa quantidade e agilidade (confundida muitas vezes com pressa) nos atropelam e não percebemos que elas escondem a falta da qualidade, as brechas no conteúdo ou, simplesmente, opções editoriais duvidosas.

Notemos algumas notícias destacadas nestes últimos dias. A primeira, nacional: “Joaquim Barbosa questiona partidos brasileiros em palestra a estudantes”. A segunda, local, de Pelotas: “Municipários rejeitam pedido de participação de Eduardo Leite em Assembleia”.

Tanto na manchete sobre o presidente do Supremo Tribunal Federal quanto no caso do atrito entre o prefeito de Pelotas e servidores, não é a necessidade de agilidade para gerar a notícia a culpada por eventuais problemas. No primeiro exemplo, a seletividade de quem noticia e repercute é gritante. Já no segundo, quero crer, o pecado está no oficialismo.

Seletividade porque STF e Joaquim Barbosa são, inegavelmente, os personagens preferidos da imprensa atualmente. Enquanto a frase do ministro avaliando os partidos brasileiros como sendo “de mentirinha” ganhou generosos espaços em todos os grandes sites e jornais (como tudo o que ele fala, pensa ou faz) e tornou-se do conhecimento de todos, o mesmo não se pode dizer de outra informação sobre o STF. A divulgação de dados mostrando que os ministros do Supremo viajam com as esposas durante as férias para destinos internacionais com tudo pago pelo contribuinte só foi percebida pelo leitor, ouvinte ou telespectador mais atento, que realmente presta atenção aos noticiários. Aos demais, passou batida. Fosse este um expediente de parlamentares ou governadores, provavelmente o alarde seria maior. Em um raciocínio lógico, o que pode interessar mais ao cidadão: a opinião pessoal de um ministro ou o que seus pares fazem com o dinheiro público?

Na outra manchete, a negativa dos servidores públicos municipais de Pelotas à presença do prefeito na assembleia geral do sindicato da categoria virou polêmica. E alvo de críticas fortes de toda a imprensa local. O tom foi sempre o mesmo: “Os municipários sempre reclamaram da falta de diálogo com a Prefeitura e agora não querem que o prefeito esteja presente?”

Com a repetição insistente deste argumento (?!), estabeleceu-se perante o senso comum, então, a imagem de um sindicato intransigente, cujo objetivo seria apenas manter uma relação conflituosa com o Poder Executivo. Nada muito diferente, aliás, do que historicamente acontece na mídia daqui, de São Paulo ou de Quixeramobim.

Talvez esteja presente, também neste exemplo, um aspecto de seletividade da notícia. A seleção por aquilo que é “oficial”. Ninguém questionou na imprensa pelotense, por exemplo, se em assembleias de sindicatos de metalúrgicos ou domésticas Brasil afora os patrões estão lá, presentes, assistindo e opinando.

Falta de questionamentos, de fustigar o contraditório ao oficial. Mais do que a pressa em divulgar novidades, esse é um dos aspectos mais notáveis desse jornalismo que, na média, oferece de tudo um pouco. E nada de muito.

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Dos tapetes europeus aos cocurutos brasileiros


Dois títulos holandeses, dois italianos e um espanhol. Quatro vezes campeão da Champions League e três vezes campeão do mundo.

Campeão inglês, da Europa League, da Supercopa da Uefa e da Copa América. Duas vezes ganhador da chuteira de ouro da Uefa e uma bola de ouro como melhor jogador da Copa do Mundo de 2010.

Estes são, respectivamente, Clarence Seedorf e Diego Forlán. Resolvi abrir o texto com um resumo do currículo de ambos porque a rodada dos campeonatos estaduais desta quarta (30) chamou a atenção para o quanto a vida de um jogador de futebol é feita de extremos.

Habituados a grandes clubes, competições de prestígio mundial e estádios majestosos, o meia holandês e o atacante uruguaio viveram praticamente o oposto. A exceção fica por conta das tradicionais camisas que vestem.

(Continue lendo no FutCétera)


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