Era final de setembro quando escrevi aqui no blog sobre a falta de vergonha de Renato Gaúcho ao aceitar e assumir o fato de jogar um futebol feio mesmo tendo grandes jogadores no elenco. De lá para cá, no entanto, algo mudou no técnico gremista.
A qualidade do jogo continua terrível. Com a diferença de que o feio que antes garantia vitórias de placares magros deu lugar a derrotas, empates e nada de gols.
Mas isso já era esperado. A sorte dos gols improváveis marcados em uma ou duas chances por jogo não duraria para sempre. O inesperado está na mudança de comportamento de Portaluppi. Não aceita mais que o time joga mal.
Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista de Hitler, tinha entre seus notáveis conceitos a ideia de que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. E o que Renato e o Grêmio têm a ver com isso? Tudo.
Há seis jogos o time não marca um gol. São 579 minutos em branco, o maior período da história do clube. Nos 34 jogos em que comandou a equipe, fez 33 gols. Ou seja, menos de um gol por jogo em um clube que conta com atacantes e meias do quilate de Elano, Zé Roberto, Maxi Rodriguez, Kléber, Barcos e Vargas. Quais outros clubes têm tamanho potencial no elenco?
Mesmo assim, Renato contraria os números. Os números e a lógica. Não cansa de repetir em suas entrevistas pós-jogo que o time joga bem, domina as partidas e empilha chances de gols. Os resultados desfavoráveis são obra do azar, segundo ele. Ora, se já era difícil concordar com isso no período de vitórias consecutivas, impossível agora.
A chegada do Grêmio à semifinal da Copa do Brasil foi uma mentira, pois chegar a uma fase decisiva marcando apenas dois gols no torneio é surpreendente. Figurar no G4 do Brasileirão é uma mentira, pois não pode estar no topo quem se apequena e se contenta com vitórias nascidas em gols fortuitos, ao acaso.
Renato resolveu mentir. Mente sobre a qualidade do futebol que estabeleceu ao time. Mente para si, para a imprensa, para os jogadores, para a torcida. E quer fazer todos acreditarem que seu esquema é bom, que o time domina os jogos, que a bola não está entrando na casinha adversária por conta da falta de sorte.
Repetirá mil vezes esta mentira. Porém, dificilmente fará com que se torne verdade. Porque o técnico não usa outro conceito de Goebbels. Dizia o ministro alemão que um homem torna-se perigoso quando acredita no que diz. E nem Renato consegue acreditar que seu time joga um bom futebol.
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