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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Itaú 1 x 0 Fifa

Hoje a Fifa anunciou - e a imprensa divulgou com estardalhaço (Globo, na verdade) - o slogan da Copa de 2014 no Brasil. "Juntos num só ritmo". Não chega a ser horroroso, mas também passa longe de empolgar.

Pra ser sincero, é um baita de um clichê! A justificativa é que a frase sintetiza a alegria e a musicalidade do país e blablabla.


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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pague para não ver

Se você não tem TV por assinatura, deve se achar um sujeito privado de ver os programas mais interessantes, os jogos mais importantes e os melhores filmes. Porém, acredite, sua situação não é muito diferente do seu vizinho cliente de uma operadora que oferece 150 canais.

Talvez você não lembre, mas quando as grandes empresas de televisão a cabo ou via satélite apareceram no Brasil e começaram a ganhar força - lá no começo dos anos 1990 -, a promessa era de que, mediante uma mensalidade específica pelo serviço, o assinante poderia ver tudo aquilo que não passava nos canais abertos, seja por questão de estilo das emissoras comuns ou simplesmente porque alguns poucos canais abertos não dariam conta de mostrar tamanha variedade de programação disponível.

Passados pouco mais de 20 anos da chegada da TV por assinatura ao país, o que se vê são geradoras de programas e operadoras que fazem de tudo para faturar cada vez em cima dos seus clientes. Para tanto, fazem com que um serviço tão caro e com inúmeros canais seja cada vez mais excludente.

Um exemplo? Se você gosta de esportes, por mais completo que seja seu pacote, com direito a todos os canais do gênero, o mais importante sempre será cobrado à parte da sua assinatura. É o que acontece com o futebol, em que as operadoras contam com três canais SporTV (detentores dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro) e mesmo assim transmitem apenas duas partidas das 10 disputadas a cada rodada. O restante dos jogos - onde muito provavelmente estará o do seu time - somente para quem estiver disposto a pagar pelo menos mais R$ 61,17 mensais para abrir o sinal dos canais Premiere Futebol Clube.

Não é muito diferente para os apreciadores de lutas ou de basquete. Quem quiser assistir ao vivo às disputas do Ultimate Fighting Championship precisa desembolsar R$ 50,90 todo mês pelo canal. Já os fãs da NBA, para ter acesso a mais partidas da liga, têm a opção de ceder mais R$ 59,90 do seu orçamento - uma única parcela - à Sky, que oferece canais com jogos ao vivo, porém com narração e comentários em inglês.

Filmes também são explorados

E não só quem assiste esportes está sujeito à esperteza da TV paga. Cinéfilos também estão entre aqueles alvos preferenciais das operadoras. Por mais que se inclua no pacote de canais as opções para ver filmes (Telecine e HBO, principalmente), só será possível assistir os últimos lançamentos através do pay per view, em que cada sessão é paga e os valores variam entre as operadoras.

Resumo da história: a cada dia a programação das TVs por assinatura vai ficando mais restrita, excludente. Tudo aquilo de melhor, ou pelo menos de mais atraente ao cliente, vira objeto extra no pacote de serviços. Assim, no final das contas, o cliente que investe seu precioso dinheiro em um recheado pacote de canais acaba pagando para não ver.

Ou isso ou cede ao mercenarismo de geradoras e operadoras.

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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Uma década do maior fiasco do automobilismo brasileiro

“Hoje não, hoje não! Hoje sim! Hoje sim?!”

Cléber Machado jamais descreveu e jamais transmitirá gol algum capaz de ser mais marcante do que a antológica e broxante narração acima.

Neste sábado completará dez anos que o automobilismo brasileiro passou por uma vergonha que, se não é a maior desse esporte, certamente está marcada na história. No dia 12 de maio de 2002, durante o GP da Áustria de Formula 1, Rubens Barrichello submeteu-se ao jogo de equipe da Ferrari e entregou a corrida ao seu companheiro de escuderia, Michael Schumacher, a poucos metros da linha de chegada.

Barrichello liderava a corrida a oito voltas do final quando recebeu ordens pelo rádio para que diminuísse o ritmo, possibilitando ao piloto alemão a ultrapassagem e a consequente vitória na sexta etapa do campeonato daquele ano. Porém, o "presente" a Schumacher só foi entregue após a última curva, a menos de 50 metros do final. A estratégia visava naquele momento ampliar a liderança do alemão no mundial de pilotos (encerrou a corrida com 54 pontos, o dobro do segundo colocado, Juan Pablo Montoya) e consolidar a Ferrari na ponta do mundial de construtores (após o GP da Hungria, 66 pontos para a escuderia vermelha e 50 para a rival Williams). Desnecessário, já que Schumacher havia vencido quatro das cinco primeiras provas e ao final da temporada conquistaria o título com 144 pontos, quase o dobro dos 77 pontos do vice-campeão Barrichello.

Assista - e envergonhe-se - com a última volta
do GP da Áustria e o pódio.


Hoje, uma década após o fiasco, o brasileiro segue dando explicações e tentando justificar o injustificável. "Fui até o final, até a última curva, falando que não ia deixar ele passar. Até que eles falaram algo relacionado a alguma coisa mais ampla. Não era contrato. Era uma situação que deixou no ar. Eu não posso contar o que eles falaram, mas foi uma forma de ameaça que me fez refletir se eu teria de repensar a minha vida, porque o grande barato para mim era guiar", disse Barrichello em entrevista à edição da revista Playboy deste mês.

Getty Images
A decepção foi tão grande naquele GP que os dois pilotos da Ferrari foram vaiados no pódio. Constrangido, Schumacher cedeu seu troféu e o lugar no topo ao colega que entregou a corrida. Pressionada pelo descrédito da Formula 1 perante seus fãs, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) viria depois a alterar as regras para tentar coibir o jogo de equipe.

Não adiantou muita coisa. Embora nunca mais tenha ocorrido incidente tão ridículo quanto aquele protagonizado pela dupla da Ferrari, os torcedores passaram a desconfiar de tudo e a manipulação dos resultados pelas equipes tornou-se praticamente oficial.

Ferrari e Schumacher são atores desse fracasso do esporte. Porém, coadjuvantes. A estrela maior desse episódio lamentável é o subserviente Rubens Barrichello. Poderia hoje ser lembrado como o piloto que bateu no peito e encarou a poderosa escuderia italiana. Isso se tivesse uma ponta de brios e ambição por conquistas – e não pelo gordo salário.

Mas não. Ao invés disso, saiu da Formula 1 pelos fundos, marcado apenas como o sujeito que em 19 anos na categoria teve a oportunidade de guiar o melhor carro por anos e tudo o que fez foi guardar lugar para os títulos de Schumacher. Fica na história por um fiasco. E dos grandes.



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terça-feira, 8 de maio de 2012

Flashes de programação

Houve um tempo em que a televisão era feita de programas e os comerciais eram apenas intervalos curtos entre um bloco e outro das atrações. Hoje não é mais assim, virou o contrário.

Nem percebemos, mas a inversão da lógica foi ocorrendo aos poucos - e continua acontecendo -, tanto que agora raras são as chances de se assistir algo na TV sem a contaminação da publicidade.

Qualquer programa tem um "merchan" infiltrado. Uns mais descarados, onde o apresentador interrompe até mesmo uma notícia trágica para anunciar que nos próximos cinco minutos ("tem que ligar agora!") a sensacional Tekpix vai sair com 80% de desconto, outros mais discretos, aparecendo no cenário ou no fundo de uma cena um enorme logotipo daquele banco que te liga toda semana oferecendo cartão de crédito.

Junte-se a isso os intervalos comerciais cada vez mais longos, em que os tradicionais dois minutos de alguns anos atrás se transformaram em eternos quatro ou cinco minutos, e o resultado disso é que praticamente todo o tempo em frente à TV somos obrigados a engolir uma propaganda.

Para piorar, agora o SBT lançou mão de um expediente que, tomara, não pode virar moda. Durante algum dos programas da emissora, pisca repentinamente na tela uma chamada para outra atração. Coisa rápida, menos de um segundo. Mas o suficiente para chamar a atenção e absorver a marca. O canal do Senor Abravanel está fazendo isso para promover a nova versão da novela infanto-juvenil Carrossel (veja no vídeo abaixo como funciona o anúncio).


Ou seja, a inserção de propagandas na programação está sem controle. E não é só nos canais abertos, na TV paga é bem parecido, já que os programas são cada vez mais curtos e os comerciais entre eles cada vez maiores. Um seriado de uma hora, por exemplo, tem em média 40 minutos apenas. Os 20 minutos restantes são dedicados aos patrocinadores. Ou seja, 1/3 do tempo no sofá temos que aguentar publicidade. Um exagero, convenhamos.

Do jeito que vai, qualquer dia ligaremos a TV e teremos flashes de programação entre um comercial e outro. E acho que isso não está longe.

terça-feira, 1 de maio de 2012

18 anos sem Formula 1

1º de Maio de 1994, 13h42. Quem estava em frente à TV naquele domingo nunca vai esquecer.

Há 18 anos morria Ayrton Senna, três vezes campeão mundial de Formula 1 e maior ídolo do esporte brasileiro na era pós-Pelé. Na curva Tamburello - esse nome jamais sairá da cabeça - no circuito de Ímola, na Itália, Senna bateu sua Williams a 300 Km/h.

Em dez anos de Formula 1, disputou 161 corridas, venceu 41 e conquistou 62 pole positions. Foi o herói de um país inteiro em tempos difíceis, quando a miséria, o desemprego e a inflação absurda sufocavam a auto-estima dos brasileiros. E nesse cenário, Senna era a imagem de um Brasil vencedor, de um Brasil que dava certo.

Getty Images
Senna no pódio após a memorável vitória em Interlagos em 1991. Com apenas duas marchas da MacLaren funcionando, levou o carro até o final e conquistou sua primeira vitória no Brasil.







Com a sua morte, o país parou. Difícil conhecer alguém que não passou aquele domingo e os dias que se seguiram com a sensação de luto, como se tivesse perdido um grande amigo.

Desde o 1º de Maio de 1994, os domingos dos brasileiros não foram mais os mesmos. Poucos são aqueles que continuam tendo o prazer de ficar duas horas em frente à televisão acompanhando um grande prêmio.

Até porque, grandes pilotos apareceram após a morte de Senna e outros aparecerão. Os recordes foram batidos. Mas o que importava em Senna não eram seus números. Ele foi muito mais do que isso. Algo difícil de explicar.

Só quem é capaz de se emocionar assistindo as imagens das suas vitórias e derrotas entende.

Sem Senna, a Formula 1 jamais foi e jamais será o mesmo esporte. Pelo menos para os brasileiros.

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