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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pague para não ver

Se você não tem TV por assinatura, deve se achar um sujeito privado de ver os programas mais interessantes, os jogos mais importantes e os melhores filmes. Porém, acredite, sua situação não é muito diferente do seu vizinho cliente de uma operadora que oferece 150 canais.

Talvez você não lembre, mas quando as grandes empresas de televisão a cabo ou via satélite apareceram no Brasil e começaram a ganhar força - lá no começo dos anos 1990 -, a promessa era de que, mediante uma mensalidade específica pelo serviço, o assinante poderia ver tudo aquilo que não passava nos canais abertos, seja por questão de estilo das emissoras comuns ou simplesmente porque alguns poucos canais abertos não dariam conta de mostrar tamanha variedade de programação disponível.

Passados pouco mais de 20 anos da chegada da TV por assinatura ao país, o que se vê são geradoras de programas e operadoras que fazem de tudo para faturar cada vez em cima dos seus clientes. Para tanto, fazem com que um serviço tão caro e com inúmeros canais seja cada vez mais excludente.

Um exemplo? Se você gosta de esportes, por mais completo que seja seu pacote, com direito a todos os canais do gênero, o mais importante sempre será cobrado à parte da sua assinatura. É o que acontece com o futebol, em que as operadoras contam com três canais SporTV (detentores dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro) e mesmo assim transmitem apenas duas partidas das 10 disputadas a cada rodada. O restante dos jogos - onde muito provavelmente estará o do seu time - somente para quem estiver disposto a pagar pelo menos mais R$ 61,17 mensais para abrir o sinal dos canais Premiere Futebol Clube.

Não é muito diferente para os apreciadores de lutas ou de basquete. Quem quiser assistir ao vivo às disputas do Ultimate Fighting Championship precisa desembolsar R$ 50,90 todo mês pelo canal. Já os fãs da NBA, para ter acesso a mais partidas da liga, têm a opção de ceder mais R$ 59,90 do seu orçamento - uma única parcela - à Sky, que oferece canais com jogos ao vivo, porém com narração e comentários em inglês.

Filmes também são explorados

E não só quem assiste esportes está sujeito à esperteza da TV paga. Cinéfilos também estão entre aqueles alvos preferenciais das operadoras. Por mais que se inclua no pacote de canais as opções para ver filmes (Telecine e HBO, principalmente), só será possível assistir os últimos lançamentos através do pay per view, em que cada sessão é paga e os valores variam entre as operadoras.

Resumo da história: a cada dia a programação das TVs por assinatura vai ficando mais restrita, excludente. Tudo aquilo de melhor, ou pelo menos de mais atraente ao cliente, vira objeto extra no pacote de serviços. Assim, no final das contas, o cliente que investe seu precioso dinheiro em um recheado pacote de canais acaba pagando para não ver.

Ou isso ou cede ao mercenarismo de geradoras e operadoras.

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