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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Jornalismo-novela e novela-jornalismo

Nem a queda de mais um ministro, nem o título brasileiro do Corinthians, nem as maldades da Teresa Cristina. Nenhum assunto foi mais importante para o Brasil nos últimos dias do que a mudança de apresentadora do Jornal Nacional. A saída de Fátima Bernardes e a chegada de Patrícia Poeta à bancada que um dia já foi ocupada por Cid Moreira fez a alegria de dezenas de sites, jornais, revistas e o escambau.

Mas não vou perder tempo atacando os descabidos 15 minutos de lenga-lenga com elogios, afagos e sorrisinhos em horário nobre entre o casal Bonner-Fátima e a novata Poeta. Milhares de corneteiros ilustres e anônimos já fizeram isso por mim.

O que tira a paciência é a inversão total dos papeis das novelas e dos telejornais. Há alguns anos a TV brasileira resolveu vestir a camisa da “responsabilidade social” e incluir na dramaturgia assuntos mais densos. No popular, inventaram agora de cagar regra!



Alguém lembra
se teve despedida
sentimentalzinha também
na separação da dupla
Cid Moreira e Sérgio Chapelin?




São as novelas que dizem o que é preconceito, o que é crime, o que é moral, quem é corrupto. Misturam casos reais e ficção para dizer às pessoas: “Olha pessoal, isso aqui é feio, hein!” “Cuidado, em Brasília só tem corrupção!” “Chamar homossexual de viado dá cadeia, gente!” Durante décadas a TV brasileira deu as costas para seu papel social, só interessava entreter o povão e omitir os fatos conforme os interesses dos mandachuvas. De repente, deu um estalo e estão tentando mostrar o quanto são legais para a sociedade. Sei...

Só que se por um lado as novelas estão cada dia mais reais, por outro dá para dizer que o telejornalismo brasileiro virou novela. Tudo bem usar de certa informalidade para transmitir a informação às pessoas, afinal o jornalismo é uma forma de contar histórias e ninguém gosta de um ‘causo’ mal contado. Mas daí a transformar as coisas em conversa de comadre já é demais! O repórter/apresentador agora é o protagonista, o mocinho da história, uma celebridade. Ele sofre, ele chora, ele corre riscos. É um herói!

Tanto é verdade que uma simples mudança de apresentadora de um telejornal virou um drama que se estendeu por dias, com direito a anúncios, coletivas de imprensa e até outdoors nas ruas chamando para o último capítulo. E como todo bom final de novela, teve uma forçada na barra, um chorinho e final feliz. Só não teve beijo – confesso que fiquei esperando – e casamento ao vivo porque o casal da história já é casado.

Lá se vai o tempo em que novela era novela e jornalismo era jornalismo.


Leia também
>> Brasileiros confiam menos na imprensa

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

'Protesto' contra Belo Monte, de novo

Publiquei aqui mês passado um vídeo do Movimento Gota D'água com diversos artistas e celebridades condenando a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte (assista aqui).

Para "dar uma força" ao movimento, o humorista Rafinha Bastos resolveu criar a sua versão para o vídeo.


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

McDonald's: serviço ruim e SAC protocolar

Não é de hoje que muita gente reclama do atendimento ruim e do desleixo do McDonald's de Pelotas. Quase sempre que converso com alguém que fez uma visita recente ao restaurante, os comentários são os mesmos: funcionários mal-humorados, demora dos lanches, visível bagunça na cozinha e, às vezes, até sujeira.

Mas como tudo que está ruim pode piorar, ultimamente a filial do restaurante instalada na avenida Bento Gonçalves tem superado as (más) expectativas de quem ainda insiste em comer no local. O McDonald's Pelotas tem fugido até do reconhecido pelo padrão mundial para os lanches.

O hamburguer daqui, por exemplo, deveria ser igual ao de São Paulo ou qualquer outro lugar do mundo. No entanto, já houve casos de clientes que pagaram o preço de um sanduíche "padrão McDonald's" e levaram como recheio um hamburguer comum, destes congelados vendidos em supermercados. Episódio semelhante também já ocorreu (comigo, inclusive) com as batatas fritas, de péssima qualidade e bem diferentes daquelas servidas em um restaurante da rede "normal".

Há alguns dias um cliente pelotense registrou em seu mural do Facebook indignação também com a falta de higiene no restaurante. Segundo ele, havia cheiro de urina nos brinquedos disponíveis às crianças (escorregador, piscina de bolinhas, etc), o que impossibilitou sua filha de usá-los.

Sabendo de todos estes problemas e já tendo presenciado alguns, resolvi enviar um e-mail ao Serviço de Atendimento ao Cliente disponível no site do McDonald's.

Afinal de contas, talvez a desorganização da unidade de Pelotas não seja conhecida pelos responsáveis pelo padrão de qualidade da rede de restaurantes.

Alguns dias após o envio do relato, recebi um e-mail protocolar, assinado por "Departamento de Relacionamento com o Cliente", enaltecendo o "constante treinamento e reciclagem dos 36 mil funcionários" da rede. Disse o McDonald's, através do e-mail: "Esperamos poder contar com a sua compreensão, pois estamos trabalhando sempre com muita seriedade e determinação para melhor atendê-lo".

Prosseguem: "Prova disso é que sua experiência e seus comentários já foram levados ao conhecimento de departamentos responsáveis dentro da empresa para que o assunto seja devidamente tratado internamente".

Bom? Nem tanto. Resposta vaga e protocolar. Uma mensagem em que ninguém assina e não dá indicações claras de que alguma providência será tomada. Mais parece um texto automático, encaminhado milhares de vezes a todos os chatos que perdem tempo reclamando.

Tomara que eu esteja errado e o McDonald's Pelotas se torne realmente um restaurante digno de fazer parte dessa franquia. Por enquanto, por via das dúvidas, vou aguardar que algum dos meus amigos se arrisque a pedir um lanche e depois faça bons comentários.

Até lá, continuo com meu bom e velho Bauru Circulu's.

domingo, 20 de novembro de 2011

Aumenta o som que é rock do bom!

Música boa não morre. Enquanto muito disco lançado há pouco tempo já caiu no esquecimento, Led Zeppelin e Pink Floyd continuam provando que não é preciso vender a alma às fórmulas batidas para criar singles com prazo de validade e faturar alguns milhões.

Lançado em 1971 - portanto já um quarentão -, o quarto álbum do Led Zeppelin voltou a figurar entre os mais vendidos do mundo após 24 anos de sua última aparição no Top 200 da Billboard. Para ser mais exato, está na posição 166 no ranking da revista norte-americana, uma das mais reconhecidas quando o assunto é música. Ao todo, o disco já se esteve na lista dos mais vendidos por 260 semanas e acumula 23 milhões de cópias vendidas.

Assista à clássica "Rock n' Roll", gravada ao vivo durante show da turnê de 1973.


Pouco acima, em 164º lugar, está o álbum The Wall, do Pink Floyd, lançado em 1979. No total, são 132 semanas em que este álbum marca presença n Top 200. Dark Side of The Moon, claro, não ficaria fora dessa. É o 95º lugar e possui incríveis 787 presenças na lista dos mais procurados nas lojas. E para completar, Wish You Were Here está em 33º.

Se dermos mais uma garimpada pela lista da Billboard veremos que outros dinossauros também insistem em se manter entre nomes como Lady Gaga, Justin Bieber ou Kirk Franklin (quem?!). São os casos de Beatles (178º), Creedence Clearwater Revival (192º) e Elvis Presley (três vezes, 82º, 109º e 140º).

Tudo bem que a gurizadinha se diverte com as músicas atuais. Mas certamente no dia em que enjoarem de música descartável e forem procurar algo de qualidade, darão de cara com estas e outras bandas das antigas. E continuarão fazendo com que o rock de verdade não morra!



Leia também:
>> A alma do Pink Floyd
>> Acordo permite venda online de músicas do Pink Floyd

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Fuga das galinhas

Quem me chamou atenção para a notícia (bizarra, no mínimo) foi o Álvaro Guimarães.

Apreenderam na terça-feira (15) em Pelotas 1.900 galinhas que estavam sendo transportadas em um caminhão desde Lajeado. O motivo do recolhimento foi a condição em que os animais se encontravam, consideradas inadequadas. Estavam sem água e algumas já haviam até morrido no trajeto.

Pois sabem o que fizeram com as sobreviventes que estavam sendo maltratadas e corriam o risco de morrer no caminhão? Mataram!

Sem mais. Por hoje é só.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Movimento contra a usina de Belo Monte

Não tenho opinião formada sobre o assunto. Confesso que preciso pesquisar um pouco mais sobre a Usina de Belo Monte para poder dizer, "sim, sou a favor" ou "não, sou contra".

De qualquer forma, um dos lados dessa peleia fez um belo vídeo para mobilizar quem pensa da mesma forma.

Assista.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

RS desiste da Copa 2014

Deu n'O Bairrista:


RS desiste de sediar Copa de 2014 junto com o Brazil

PORTO ALEGRE, C.F - Após a confirmação na tarde desta quinta-feira em Zurique de que Porto Alegre está definitivamente fora da Copa das Confederações e muito perto de perder sua vaga na Copa de 2014, Tarso Genro, Presidente da República Rio-Grandense, declarou que nem queria mais mesmo ser sede.

- O Rio Grande do Sul hoje é a sexta economia do mundo, atrás somente da China, Índia, EUA, Japão e Brazil. Temos totais condições de sediar a nossa própria Copa - afirmou Tarso.

De acordo com o Presidente, não ser país sede junto com outro país dará maior visibilidade para o RS:

- Nós teremos total autonomia nas escolhas da nossa Copa. Por exemplo, a bola poderá se chamar "farroupilha". Outra medida que já posso anunciar é a do Estádio Boca do Lobo em Pelotas como sede de uma das Semi-finais da Copa - declarou o Presidente.



Leia também:
>> Futebol fresco

Três dicas para lidar com uma crise nas redes sociais

Essa é para quem lida com mídias sociais, especialmente comunicadores. Assessores de imprensa, então, devem sempre lembrar dessas dicas.



>> Defina o objetivo de sua estratégia para mídias sociais com clareza
Antes de criar uma conta no Twitter ou no Facebook, tente responder a perguntas básicas: Meu negócio (ou assessorado) realmente exige presença nas redes sociais? O que desejo atingir com essa estratégia? O que farei para alcançar esses objetivos? Se você não souber aonde quer chegar antes de começar a atuar nas redes sociais, os riscos de uma crise acontecer são maiores.

>> Monitore o que falam de sua empresa/assessorado
Em vez de esperar uma situação sair do controle nas redes sociais, você pode se antecipar a uma crise usando uma ferramenta de monitoramento de mídias sociais. Acompanhe o que estão falando do seu cliente em tempo real e faça uma análise de sentimento das citações. Antes de iniciar seu monitoramento, defina uma estratégia de classificação dos itens coletados. Ao monitorar, você consegue rastrear quem são os maiores influenciadores no cenário de crise e agir junto a eles. Em muitos casos, uma crise nas mídias sociais começa rápido, mas pode acabar logo no início se você ouvir o que dizem do seu cliente.

>> Seja transparente
Nas mídias sociais, você deve ser autêntico e verdadeiro. A falta de honestidade nas informações transmitidas ou o silêncio tendem a fomentar uma crise. Não minta.


Fonte: adaptado de Scup (monitoramento de redes sociais)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Imagem do dia



A pintura do prédio não excluiu um só apartamento.
Até mesmo a fachada da casa do joão-de-barro ganhou cara nova.

iPhone 4 deve ser a barbada do Natal

Embora a Apple já tenha lançado o iPhone 4S no mercado dos Estados Unidos, os brasileiros por enquanto terão que se contentar com a penúltima versão do aparelho circulando no mercado nacional. Mas pelo menos há uma boa notícia: o iPhone 4 deverá ter uma queda no preço neste final de ano.

De acordo com matéria publicada terça (dia 18) no portal iG, o aparelhinho já estaria sendo produzido no Brasil pela unidade da Foxconn, em Jundiaí. A empresa, fabricante oficial dos produtos Apple, contaria com pelo menos 2 mil unidades do iPhone prontas e teria aumentado seu quadro de funcionários, passando de 700 para 1100 empregados. Além disso o ritmo de montagem estaria sendo acelerado, com a fábrica funcionando ininterruptamente das 6h às 23h45.

Estaria, contaria, teria... Há alguma dúvida se isso está ocorrendo mesmo? Sim, o que mais há são dúvidas. Isso porque a Foxconn trabalha em sigilo absoluto, exigindo de todos os funcionários que assinem um contrato de confidencialidade. Em caso de identificação do responsável por qualquer vazamento de informação sobre a fábrica ou os produtos, o resultado é demissão imediata.

O mistério com que a empresa trabalha é tamanho que sequer há uma confirmação oficial de que a unidade de Jundiaí esteja realmente funcionando. Todas as informações obtidas pela reportagem do iG foram obtidas através de uma funcionária da empresa que, sem ser identificada, quebrou o silêncio.

De qualquer forma, caso a produção do iPhone 4 brasileiro se confirme, a tendência é de um produto mais barato à venda até o final do ano, já que não incidiriam taxas aplicadas a produtos importados.

Tablets

Outro artigo aguardado por quem pretende economizar bastante e consegue conter o impulso de comprar logo, o iPad produzido no Brasil ainda não têm prazo para chegar às lojas. Como a fábrica da Foxconn em Jundiaí ainda dá seus primeiros passos, o foco seria a produção do celular e o treinamento dos novos empregados.

Beneficiados por uma medida provisória que reduz  impostos para empresas que fabricarem tablets no país (PIS/Cofins passa de 9,25% para zero e o IPI de 15% para 3%), os aparelhos "nacionais" podem chegar ao mercado com uma redução em relação ao valor atual entre 30% e 40%.

Torço pra que isso aconteça logo e um deles caiba no meu bolso.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Profissionalismo ao extremo

Curioso como o profissionalismo no futebol pode ser motivo tanto para exaltação como para críticas. Nos bastidores, na administração dos clubes, por exemplo, uma gestão semelhante à de uma empresa tornou-se essencial para o sucesso de um time. Porém, dentro de campo um tanto de amadorismo não faz tão mal.

Explico. Como se não bastassem as trocas de clubes feitas pelos jogadores com cada vez mais frequência, em que juram amor eterno a um time e beijam a camisa com incrível desprendimento, recentemente tem se tornado cada vez mais comum a troca de nacionalidades. Pepe (Portugal) e Marcos Senna (Espanha) são casos bem conhecidos de brasileiros que fazem ou fizeram parte de outras seleções.

Uma amostra da bagunça que a coisa se tornou: o meio-campista Nenê (ex-Santos e atualmente no Paris Saint-Germain) está prestes a obter a tripla nacionalidade. Além da óbvia ligação com o Brasil, atualmente o jogador já conta com registro espanhol e agora pleiteia se tornar um cidadão francês.




Um argentino jogando pelo Brasil. O que já foi só um comercial de TV pode se tornar realidade em breve. Você duvida?!






Tudo isso porque deseja disputar a Copa do Mundo de 2014 e, como não tem oportunidade na seleção brasileira principal (quando jovem atuou nas equipes de base), vê uma chance de fazer parte dos Bleus no torneio a ser disputado no Brasil.

Ou seja, até mesmo as seleções nacionais estão virando meras vitrines onde os jogadores realizem desejos pessoais. Veja só, o sujeito não precisa mais nascer na França, na Espanha ou em qualquer outro país para defender a seleção. É o extremo do profissionalismo. "Não tenho oportunidades no time do Brasil, então vou negociar com a França!" Mais ou menos por aí.

Do jeito que vai, daqui a pouco veremos as federações negociando jogadores para os times nacionais como ocorre com os clubes. Até já imagino a justificativa: tornar o confronto entre os países mais equilibrados. Uma partida entre Rússia e Azerbaijão poderá se tornar uma enorme atração, uma salada cheia de craques consagrados. Duvida? Eu não!

Se forem fazer isso, que pelo menos seja logo. Quem sabe assim a CBF consiga contratar alguns craques de verdade e tornar as partidas da seleção menos sonolentas. Dinheiro para investir, com certeza, há. E muito!



Leia também
>> Deixem o Americana subir
>> Informação inútil é o nosso esporte
>> Quando um número bastava

domingo, 9 de outubro de 2011

Quanta agilidade

Em 2009 uma forte tempestade na Zona Sul do RS entre os dias 28 e 29 de janeiro causou a morte de 14 pessoas e deixou centenas de desabrigados, além de causar perdas em lavouras inteiras e destruir casas em áreas rurais das cidades atingidas.

Somente na região de Pelotas o volume da chuva ultrapassou os 230 milímetros, representando o dobro da média histórica dos meses de janeiro. Desde aquele episódio, regiões do interior passaram a ter o acesso dificultado devido à queda de pontes com a força das águas.

Pois de lá para cá - acreditem! - grande parte destas pontes ainda não foi reconstruída. Passados dois anos e nove meses da enchente, somente agora as 35 pontes estão em obras, conforme noticia o jornal Diário Popular.

Não é possível que haja uma justificativa aceitável para uma demora tão grande na execução de obras extremamente importantes para milhares de produtores rurais da Zona Sul. É, no mínimo, vergonhoso.

Dois anos e nove meses! Inacreditável...



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>> 63 mortos de fome por omissão
>> A imprensa cagona

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Brasileiros confiam menos na imprensa

O Ibope divulgou na segunda-feira (dia 3) o Índice de Confiança Social dos brasileiros (tabela abaixo), levantamento em que o instituto avalia a relação dos cidadãos com as instituições. Esta é a terceira edição vez que a pesquisa é realizada.

E o resultado esse ano traz uma curiosidade. Além da não surpreendente queda da confiança dos brasileiros nos serviços de saúde e ensino público, por exemplo, outra queda significativa diz respeito à imprensa.

De acordo com os dados, desde 2009, quando foi feira a primeira avaliação, a confiança nos meios de comunicação (sobretudo TV, rádio e jornais) sofre descenso. Naquele ano, o índice era de 71% dos pesquisados. Já em 2010 caiu para 67% e agora, em 2011, nova queda para 65%.

Parece que com o acesso cada vez maior da população à Internet e suas múltiplas opções de informação alternativa aos grandes conglomerados está fazendo com que o "quarto poder" tenda a ficar cada vez menos poderoso.

Significativo.




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>> Um mundo de rabugentos
>> Precisa-se de repórter com boa bunda
>> É o fim do rádio

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Nenhum de Nós, 25 anos

Embora os últimos discos não tenham empolgado tanto - pelo menos a mim, fã da banda desde sempre -, vale a pena a homenagem aos 25 anos do Nenhum de Nós.

#NenhumdeNos25Anos


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Deixem o Americana subir

Sujeito começa a mudar seu padrão de vida. A partir do seu próprio trabalho e profissionalismo, consegue ascensão econômica e aos poucos se insere em outros meios da sociedade.

Certo dia, já reconhecido pelos bons resultados como gestor na sua cidade, passa a ser cotado para ser um dos destaques em importante evento empresarial da região. Grupos famosos e grifes conhecidas todas reunidas para um jantar anual onde se celebra o sucesso daqueles que representam a elite do empreendedorismo.

Porém, antes mesmo de confirmar sua presença à festa onde esta tradicional confraria se reúne, o 'novo rico' percebe olhares estranhos. Comentários surgem. "Quem é mesmo esse cara? De que família é esse sujeito? Não merece estar entre os grandes!"

Pois é isso o que está acontecendo em 2011 com o pouco conhecido Americana, time de futebol sediado na cidade homônima do interior de São Paulo. Em quarto lugar na Série B do Brasileirão, quatro pontos à frente do quinto colocado restando 11 rodadas para o fim da competição, é um dos favoritos a figurar na elite do futebol em 2012.

Mas, assim como na historinha acima, já não faltam defensores das oligarquias futebolísticas para bradar que o Americana não deveria estar na Série A em 2012. Muitos jornalistas, comentaristas e palpiteiros afins apontam que o ideal para o futebol nacional seria mais um time de grife integrando o principal campeonato do país. Algum destes clubes que, apesar de tradicionais e com grandes torcidas, vivem na pindaíba. Mantêm apenas o nariz empinado, a pose de potências. Enquanto isso, nos bastidores, o cenário é caótico.

Negar-se a aceitar uma novidade entre os grandes do futebol brasileiro é o mesmo que recusar um novo membro no grupo apenas porque o sujeito (ainda) não possui status. Se o Americana hoje aparece entre os melhores da Série B e tem grandes chances de fazer parte da elite no ano que vem é porque tem seus méritos. Ao contrário de gigantes adormecidos que patinam graças à corrupção, politicagem e gestões amadoras.

Decepcionante ouvir argumentos de defesa da incompetência em detrimento do mérito. Especialmente quando partem daqueles que deveriam analisar e reconhecer bons trabalhos. Quem merece estar entre os melhores é quem, de fato, é um dos melhores naquilo que se propõe a fazer. E esse conquista do Americana, caso se confirme a vaga na Série A em 2012, não merece ser questionada. Afinal, se conquistou vitórias dentro de campo e fora dele foi suficientemente organizado para dar suporte a isso, as grifes que corram atrás. Deixem o Americana subir.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Mobilização, animal


"Quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais."

Também sou um dos adeptos da conhecida frase do escritor português Alexandre Herculano. No entanto, fico intrigado com o envolvimento cada vez mais forte das pessoas com os bichos e a alienação que isso é capaz de provocar em alguns casos.

Explico. Neste final de semana um homem usou uma lança para atacar dois cães no bairro Fragata, em Pelotas. O saldo foi a morte de um dos animais e ferimentos graves no outro. Segundo o agressor, a ação contra os cães teve o objetivo de defender o filho, que pedia socorro diante de possíveis ataques. Dia desses foi manchete, também em Pelotas, o caso de uma mulher que chutou um poodle e o jogou do terceiro andar de um prédio no bairro Pestano.

Dois casos de crueldade contra os animais, cada um com uma característica, mas que tem em comum um aspecto curioso: foram destaque nos noticiários locais e mobilizaram centenas de pessoas nas redes sociais. Graças a essa inconformidade até uma audiência pública na Câmara de Vereadores foi marcada para debater o tema (hoje, dia 3, às 18h30). É válido? Pode até ser, embora seja preciso levar em consideração o fato que, em muitos casos, audiências públicas como essa costumam dar em nada de prático.


Ok, bicho não é lixo.
Mas será que manifestações como essa, de março de 2010 em Pelotas, que cobrou providências públicas contra violência e abandono de animais, não poderiam inspirar as pessoas a reagir também contra a falta de segurança?



O interessante dessa história toda é a capacidade que os cidadãos desenvolveram de se indignar com os maus tratos contra os animais em contraponto à resignação diante da violência contra as pessoas. Sozinhos, estes dois casos que citei acima envolvendo animais geraram muito mais comoção popular do que todos os quase 40 homicídios registrados em Pelotas juntos. Basta fazer uma busca nos sites de notícia e nas redes sociais, ler as manifestações e comprovar.

Assaltos, assassinatos e outros tantos crimes não revoltam tanto. Moradores de rua queimados são assunto nas conversas por alguns instantes e daqui a pouco são substituídos por uma fofoca qualquer de celebridade. Vida que segue. Se algo parecido acontece com um cachorro, vira passeata e dá até gente querendo linchamento do animal (o que queimou, não o queimado).

E aos poucos a ordem das coisas vai ficando estranha. Pessoas menos racionais defendendo animais cada vez mais humanizados.


Em tempo

Antes que achem que não concordo com a defesa dos animais, esclareço que acho fundamental o respeito aos bichos e a punição a quem os maltrata. O que não acho aceitável é que pessoas sejam empaladas, escalpeladas ou queimadas, como ocorreu esse ano em Pelotas, e isso não cause a mínima reação e cobrança da população sobre as autoridades.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Um mundo de rabugentos

Ontem escrevi sobre as bobagens ditas pelos repórteres nas transmissões de futebol pela TV (leia aqui). Até encerrei dizendo que talvez estivesse sendo rabugento ao reclamar das "falhas" dos colegas jornalistas.

Hoje resolvi fazer uma espécie de mea culpa. Acontece que li em alguns sites sobre o pedido feito pela Secretaria de Políticas para as Mulheres ao Conar (órgão de autorregulação da publicidade) para que tire do ar um comercial em que a modelo Gisele Bündchen aparece tentando contar ao marido, por exemplo, que bateu o carro. A peça aponta o que seria a forma errada (com Gisele vestida) e a forma correta (Gisele deliciosamente - embora bem magrinha - de calcinha e sutiã).

O problema alegado pela secretaria é que a propaganda reforçaria o estereótipo da mulher como objeto sexual e bla bla bla.

Aí está! Quando li isso pensei se, ao reclamar das bobagens dos repórteres esportivos, não estava sendo também um chato como esse pessoal que enxerga problemas até em comerciais de TV simplórios e nem tão criativos como esse (abaixo) com Gisele.


Ok, são casos diferentes, já que eu não pedi - e ainda bem que não tenho poder para isso -  para tirar do ar os jornalistas. Mas fiquei pensando sobre o mal humor e o politicamente correto que estão tomando conta das pessoas.

Quando a agência criou a peça publicitária com a Gisele toda dengosa e seminua tentando justificar uma burrada, deve ter pensado apenas numa forma divertida e (muito!) atraente de divulgar seu produto. Nenhum problema nisso. Todos os comerciais se utilizam de pré-conceitos para vender uma ideia. Será que há, realmente, alguma ofensa no vídeo que justifique tirar do ar o comercial? Se as coisas seguirem nesse ritmo, daqui a pouco a Associação dos Cantores de Lambada irá tentar censurar a propaganda de cerveja com o Beto Barbosa, alegando que a categoria está sendo ridicularizada.

Fato é que estamos atingindo um ponto de insanidade em que tudo ofende e uma pequena falha pode virar alvo de chatos rabugentos que ficam prestando atenção em detalhes, como se buscassem só uma oportunidade para cornetar.

E tenho medo de estar me juntando a essa turma de chatos. Melhor me controlar.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Informação inútil é o nosso esporte


Os repórteres de campo estão se superando na missão de agredir os ouvidos de quem assiste futebol pela TV.

Dia desses um deles, ao ver o centroavante do Internacional, Leandro Damião, sair de campo chorando com uma lesão muscular, fez a genial questão:


- Tá doendo muito, Damião?

Desnecessário comentar a obviedade da pergunta.

Ontem, durante a transmissão de Brasil x Argentina, o repórter interveio:

- Os dois autores dos gols do Brasil trocaram de camisa durante o jogo.

Que informação! Isso mudou a percepção da audiência sobre a partida!

Participações inúteis dos repórteres de campo estão cada vez mais comuns. Será ansiedade por oferecer cada vez mais informação (?!) ao telespectador ou os caras passaram a ganhar bônus no salário por cada vez que interrompem o narrador?

Ou então a minha rabugice está fugindo de controle.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quando um número bastava

Houve um tempo – e não faz muito – em que o futebol não era tão burocrático quanto hoje. Um tempo em que as coisas eram claras e simples. Nada de grandes teses, teóricos engravatados e atletas balaqueiros rodeados de agentes e assessores. O jogo de bola era mais simples e, portanto, mais atrativo e apaixonante.

Digo isso baseado em algumas observações sobre o atual ambiente futebolístico. Entrevistas, por exemplo. Tente assistir a um destes programas de TV que fazem um balanço após uma rodada de jogos e vai ter a prova de que, sim, existe algo mais repetitivo do que os roteiros de novelas das oito.

Técnico do time perdedor:

- Não gosto nem quero falar de arbitragem, mas fomos prejudicados com um lance de pênalti claro a nosso favor no primeiro tempo que não foi marcado!

Autor do gol da vitória:

- Sabíamos da dificuldade que iríamos encontrar, mas graças a Deus conseguimos fazer um bom jogo e conquistar os três pontos.

E por aí vai.

Mas nada resume tão bem o quão chato vem se tornando o futebol quanto as novas teorias que aparecem. Tal qual coleções de roupas, entram na moda, permanecem por um tempo e depois são superadas por outras tão esdrúxulas quanto a anterior. Tempos atrás chegou-se ao absurdo de circular entre técnicos e comentaristas a ideia de que um bom atacante não precisaria fazer gols. Bastaria “prender os zagueiros”. Se é para prender alguém, que se contrate um policial, oras! Atacante tem é que fazer gol. De barriga estilo Renato Gaúcho ou de bunda como o Muller, pouco importa. Como diria Dadá, “feio é não fazer gol”.

" E vamos agora ao resultado parcial da Tele Sena de Independência: 43, 99..."

Nesse mesmo sentido da reinvenção do ludopédio, agora é consenso que cada jogador do time precisa ter numeração fixa. Se a intenção é criar uma identificação para a torcida, tudo bem. Mas o tiro está saindo pela culatra. A maioria das equipes entra em campo com uniformes padrão futebol americano. 27, 56, 32, 45... A escalação mais parece um sorteio da Tele Sena. Só falta o finado Lombardi!

Quem consegue saber a posição em que joga um sujeito que leva às costas o número 45?! Houve um tempo em que um boleiro era definido com um número. Você chegava no estádio, via um jogador aquecendo e perguntava ao vizinho na arquibancada:

- Quem é aquele ali com a bola?

- É o Valdir.

- Não conheço. Joga de quê?

- É um oito.

Pronto, tudo estava explicado. Ninguém precisava ficar dizer que o Valdir era um segundo volante canhoto que veio do Noroeste, tinha um bom desarme e marcava em média 0,23 gols por partida. Era desnecessário. Todo mundo sabia o que um oito fazia.

O mesmo valia para o sete, o dez, o nove. Quando um guri chegava para treinar pela primeira vez em um clube, bastava o técnico estabelecer o número da camisa e o candidato a craque já sabia o que precisava fazer. Hoje tudo gira em torno de palestras, apresentações em powerpoint com disposição tática, vídeos motivacionais. Um grande embuste!

Houve um tempo em que o futebol era divertido, excitante. Feito para ser jogado por todos. Agora não. Grandes sabichões estão transformando tudo isso em teses quilométricas e conceitos que mais parecem as maçantes e inúteis (?) equações do tempo de escola. Bem diferente do tempo em que números comuns, de um a onze, bastavam para fazer a alegria da gurizada.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Trava língua

Dia desses, em um post em que reclamei da programação das rádios AM de Pelotas, citei brevemente Ruy Carlos Ostermann como referência de conhecimento e qualidade no rádio.

Pois bem, até mesmo grandes comunicadores como ele falham. Encontrei no YouTube um vídeo com a tentativa do "professor", como é conhecido, tentando fazer um comercial de computadores no programa Sala de Redação, da Rádio Gaúcha. Porém, a falta de cuidado do redator do texto ao adaptar a escrita dos estrangeirismos somada ao desconhecimento técnico do experiente locutor criaram um resultado bem engraçado.

Assista:

 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Terrorismo sexual

Não há o que não haja...

Deu no UOL:

(...) Uma escapulida inocente levou à prisão de três passageiros, dois homens e uma mulher, em um voo que ia de San Diego rumo a Denver (EUA). O empolgado trio demorou um pouco demais no banheiro, o que levou a tripulação a desconfiar de um atentado terrorista - lembrando que a presepada rolou no último domingo (11), data que marcou o aniversário de 10 anos dos atentados de 11 de setembro.

A aeronave foi então escoltada por caças e pousou em Detroit, segundo a mídia local. Os três envolvidos no ménage saíram algemados do voo direto para interrogatório. Porém, conforme relatos de alguns dos 116 passageiros, o grupo fazia só amor, não guerra. Posteriormente, o trio foi solto sem nenhuma acusação, já que amar não é crime contra a segurança nacional nos EUA.

iPhone 5 cheio de mistérios

Prestes a entrar no mercado, o novo modelo do smartphone mais desejado do mundo ainda é um conjunto de interrogações que vem estimulando a imaginação de muita gente em sites, blogs e redes sociais. Afinal, se nem mesmo a data de lançamento está confirmada, parece improvável que alguém possa ter certeza do design e dos recursos que o aparelho terá.

Mesmo assim, a capacidade de inovação da Apple e a ansiedade dos consumidores virtuais faz com que vídeos como esse abaixo sejam sucesso no YouTube. Há vários semelhantes espalhados por aí, mas esse mostra um iPhone 5 capaz de projetar imagens holográficas (!!). Difícil acreditar.

 

terça-feira, 6 de setembro de 2011

No meu calo sempre dói mais

A grande imprensa ainda não consegue comportar-se com naturalidade em assuntos que lhe dizem respeito.

Alberto Dines, em artigo no Observatório da Imprensa

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Honra e honestidade japonesa


Duas notícias sobre o Japão que impressionam a nós brasileiros. Infelizmente.


Governo da província de Fukushima vai devolver doações à Cruz Vermelha

O governo da província de Fukushima vai devolver à Cruz Vermelha o equivalente a R$180 milhões doados para famílias que perderam as casas no terremoto em março de 2010.

O governo recalculou o número de vítimas, e concluiu que é menor do que se pensava, e por isso vai devolver o valor correspondente.


* * *


Japão tenta devolver US$ 78 milhões aos donos

Nos cinco meses que decorreram do terremoto e tsunami que arrasaram a região de Fukushima, no Japão, as autoridades japonesas encontraram o equivalente a US$ 78 milhões em dinheiro nas ruínas e escombros e agora se esforçam para que tudo seja entregue aos donos.

O dinheiro foi achado em carteiras e bolsas abandonadas e nos cerca de 5,7 mil cofres deixados para trás pelos moradores e vítimas.

Se fosse aqui no Brasil, será que alguém guardaria
estes cofres intactos até o dono aparecer?!

Como grande parte do dinheiro estava em bancos e era registrada, 96% já foram devolvidos aos donos.

A polícia tem mais dificuldade para devolver o dinheiro encontrado em ruas e casas, mas, como geralmente estava junto a algum documento, espera entregar pelo menos 85% aos proprietários.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Precisa-se de repórter com boa bunda


Que a televisão brasileira, especialmente a aberta, chegou a um nível de mediocridade absurdo pouca gente questiona. Mas é preciso reconhecer: as cabeças pensantes (?!) por trás da telinha estão se superando a cada dia.

A última dessas aberrações estreou no domingo (dia 14), na programação da TV Record. Chamado de "A Casa da Ana Hickmann", o novo reality show da emissora é uma pérola.

O mote é o seguinte: selecionar uma nova repórter para o programa da loura que tem 1,20 metro de pernas. Porém, a competição não espera que as candidatas saibam, por exemplo, o que é uma sonora ou um boletim. Aliás, o que menos importa é qualquer noção de jornalismo ou televisão. Tanto que dentre todas as concorrentes, apenas uma tinha formação em jornalismo e foi eliminada logo no primeiro episódio.

Estas são as candidatas a repórter da Ana Hickmann. É exatamente isso que se espera delas...

O fundamental no caso deste embate é: qual a bunda mais bonita? Em meio a cenas de ostentação desnecessária da mansão de 2,5 mil metros quadrados da apresentadora, são disputadas provas essenciais para o futuro de uma repórter. Exemplo? Cotejos eliminatórios de natação (obviamente ornamentados por minúsculos biquinis), com direito inclusive a candidatas que não sabem nadar usando boias infantis nos braços. Surreal!

E, para completar, depois de todo esse "estresse" em busca de uma vaga na equipe de reportagem do programa da Ana Hickmann, uma festa na boate particular da loura regada a muitos coquetéis e marmanjos bombados sem camisa.

E é isso, senhores. A TV brasileira precisa de repórteres com belas bundas. Garotas que estão cursando jornalismo, um conselho: não esqueçam de investir em exercícios (sobretudo glúteos) em uma boa academia. E se, em algum instante, faltar dinheiro pra bancar mensalidades da faculdade, livros e o personal trainer, esqueça a faculdade. O que pode garantir um futuro brilhante na televisão não é o que está na cabeça, mas o que se pode mostrar com biquinis.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Frutas e livros

Não sei quando nem com quem. Só sei que em algum momento da vida me disseram que uma boa maneira de adquirir o hábito de comer frutas seria as colocando em um lugar bem visível, por onde a gente passe a toda hora. Assim, ao invés de precisar lembrar que aquela bergamota está guardada na geladeira a cada vez que dá vontade de comer algo fora de hora, estamos enxergando ela a todo momento. E comemos.

Há pouco mais de dois meses tenho aplicado isso em casa.

Mas acabei descobrindo que essa mesma prática pode se adaptar também a outras coisas. Livros, por exemplo. Tenho uma quantidade razoável deles ainda aguardando leitura. Estavam todos encaixotados há quase um ano, desde a última mudança. Dia desses resolvi organizá-los em lugar acessível, ao alcance dos olhos a todo o momento. Resultado: a preguiça deu lugar à vontade de partir para o ataque e zerar a dívida com as prateleiras do quarto/escritório.

Não sei até quando vai durar esse apetite pelas frutas e livros. Só sei que, por enquanto, a combinação entre bergamotas e Eduardo Galeano tem sido bastante interessante.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

É o fim do rádio

Sexta-feira, 16 horas. A imprensa mundial repercutia os possíveis ataques terroristas na Noruega. A mídia brasileira dava destaque à menor cotação do dólar desde 1999. Na Zona Sul do RS, a notícia era a morte de um caminhoneiro envolvido em grave acidente na BR-392. Enquanto isso, uma das maiores emissoras de rádio AM de Pelotas ocupava assim seu espaço:

“Pois bem... sexta-feira... semana acabando, final de semana chegando... bom para aproveitar os dias para descansar... recuperar do cansaço do dia-a-dia.”

E nesse ritmo, somente com a voz sonolenta do locutor, prosseguiu o programa por cerca de 15, 20 minutos. Notícia, informação? Zero!

Não é preciso ser um Ruy Carlos Ostermann para saber que em rádio, especialmente AM, informação e agilidade são imprescindíveis. Fazem parte da alma de um veículo que acompanha as pessoas em qualquer lugar. Uma emissora que não preza por estas qualidades perde a razão de ser. Afinal, qual ouvinte, seja no trabalho, em casa ou durante o deslocamento de carro, vai perder tempo ouvindo as confabulações de um locutor solitário no estúdio?

Este recorte não é uma exceção no rádio pelotense. Pelo contrário, é a regra. Impressionante o estado lamentável do AM em Pelotas, cidade que tem uma tradição no rádio reconhecida nacionalmente. As emissoras locais pararam no tempo. Sempre os mesmos locutores, com os mesmos programas, com os mesmos formatos ultrapassados. E para agravar essa estagnação, a impressão é de que há preguiça e falta de interesse em investir no conteúdo, especialmente em um jornalismo capaz de manter as pessoas informadas, atrair audiência e, por consequência, lucro com anunciantes para a emissora.

Salvo raras (raríssimas!) exceções, o rádio AM pelotense tornou-se mais útil desligado do que ligado.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A alma do Pink Floyd

Começar a semana ouvindo Roger Waters e David Gilmour juntos é uma boa pedida.

Video amador, gravado no show de quinta-feira (dia 12), em Londres. Com algumas ratiadas do "cinegrafista". Mas arrepia.

Boa segunda-feira!

domingo, 15 de maio de 2011

63 mortos de fome por omissão

Pouca gente deve ter lido, ouvido ou assistido algo sobre isso. 63 passageiros africanos a bordo de um navio com refugiados morreram de fome e sede no mar porque foram solenemente ignorados por França e Malta, além da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O navio havia partido no dia 25 de março de Trípoli, na Líbia, fugindo dos conflitos que vem ocorrendo naquela região. Depois de 18 horas de viagem, uma pane fez com que o barco ficasse à deriva e pedisse socorro via rádio a um padre romano que avisou a guarda costeira. Foram então acionadas autoridades da Otan, França e Malta. Segundo o jornal britânico The Guardian, a embarcação teria sido levada pelas correntezas e se aproximado do porta-aviões francês Charles De Gaulle. Tão próximo que seria impossível não ver, garante a publicação. Mesmo assim, nenhuma ação de socorro foi tomada.

Segundo depoimentos dos sobreviventes - eram 72 passageiros, apenas nove resistiram -, dias depois deste encontro com o porta-aviões um helicóptero teria sobrevoado o navio a deriva e apenas lançado bolachas, mesmo diante do apelo das pessoas por socorro, inclusive erguendo bebês quase mortos de fome.

“Todas as manhãs nós acordávamos e encontrávamos mais corpos, esperávamos 24 horas e os jogávamos ao mar. Nos últimos dias, já não nos reconhecíamos mais. Estávamos todos ou rezando ou morrendo.”
Abu Kurke, um dos sobreviventes, ao The Guardian

No total, os africanos ficaram 16 dias abandonados no mar sem qualquer perspectiva de socorro, até que o navio foi levado pela correnteza até a cidade de Zitlan, na Líbia.

Diante dos relatos dos sobreviventes ao The Guardian, autoridades da Otan e dos países envolvidos com o descaso negaram ter conhecimento do episódio.

Este absurdo caso não teve qualquer destaque na grande imprensa. Foi engolido por outras manchetes muito mais importantes para a mídia que segue o roteiro norte-americano, como a morte de Bin Laden, os "heróis" dos Seals e toda a projeção que Obama ganhou com o episódio.

Link para a matéria no site do The Guardian

sábado, 14 de maio de 2011

A evolução do mundo em quatro minutos

É possível mostrar quanto o mundo se desenvolveu em apenas quatro minutos? Um médico sueco conseguiu isso com a ajuda de gráficos animados que ilustram a evolução de 200 países nos quesitos saúde (esperança de vida) e riqueza nos últimos 200 anos.

Vale a pena assistir.


terça-feira, 10 de maio de 2011

Cotistas vão tão bem na universidade quanto não cotistas

Do site do Estadão

Médicos da Uerj põem à prova sistema de cotas

Os defensores falam em justiça social. Os críticos invocam a meritocracia. No acalorado debate sobre a política de cotas sociais e raciais nas universidades públicas sobram argumentos por todos os lados. Dois pontos permeiam inevitavelmente a discussão: a capacidade dos cotistas em acompanhar o ritmo das aulas e a possibilidade de queda na qualidade do ensino das universidades.

O Estado fez um levantamento no curso mais disputado (Medicina) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a primeira a adotar as cotas no País. No vestibular de 2004, foram aprovados 94 jovens (43 cotistas). Apenas oito alunos - quatro cotistas - não se formaram em dezembro do ano passado, como previsto.

O Estado localizou 90% dos jovens que chegaram à festança black-tie de formatura: 35 eram cotistas; 44, não. O caminho natural, após seis anos de faculdade, é fazer residência, o estágio de dois ou três anos em que os médicos se especializam em hospitais universitários ou da rede pública. O desafio é grande. As provas são mais disputadas que o vestibular. Nelas não há sistema de cotas. Passa quem sabe mais. É a meritocracia em estado puro.

Leia a matéria completa

segunda-feira, 18 de abril de 2011

E na imprensa mineira...

Minas Gerais, estado do atual senador Aécio Neves, flagrado no domingo dirigindo com carteira de habilitação vencida e suspeita de embriaguês. Recusou-se a fazer o teste do bafômetro.

Estado de Minas, um dos maiores jornais do estado. Capa de hoje.



Sem mais para o momento...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A imprensa cagona

Hoje foi notícia em diversos sites e jornais da região de Rio Grande e Pelotas o caso do vereador riograndino Carlos Fialho Mattos, o Patola (PPS), detido por dirigir embriagado e com excesso de passageiros no veículo em uma rodovia estadual.

Tirando o mau exemplo do nobre representante do povo, quase tudo normal. Apenas uma coisa me incomodou nessa história: as imagens usadas para ilustrar a história. Em nenhum dos sites que vi a notícia o vereador aparece claramente. Ou é uma foto de longe, fora de foco, de costas, atrás de um vidro com textura... Dá um Google pra ver os resultados.

Estranho, não? Quando o personagem pego pela polícia é um cidadão comum, pobre, aí a primeira coisa é escancarar e botar o rosto do sujeito em destaque. Não importa se foi pego em flagrante, como ocorreu com o vereador, ou se é só um suspeito. “Estampa a cara do cidadão e depois a gente vê o que acontece”, deve ser o que pensa o editor/redator/repórter/fotógrafo.

É a síntese de uma imprensa cagona. Se o personagem tem dinheiro ou alguma influência, é melhor pegar leve. Se pudessem, garanto que não teriam divulgado sequer o nome do parlamentar borracho. Colocariam algo genérico como “um vereador foi detido por supostamente dirigir embriagado e blablabla...”.

Ah, antes que eu esqueça: este mesmo vereador foi pego em 2009 com restos de maconha no cinzeiro do carro que dirigia. Na época, colegas vereadores falaram em cassação do mandato, mas ficou por isso mesmo. Agora, pelo álcool ao volante, falam novamente em cassação. Adivinha o que vai dar.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Desconecte-se para se conectar


Sempre que assisto imagens feitas por celular no momento de grandes tragédias - como as captadas dentro da escola no Rio de Janeiro onde 12 crianças foram mortas - penso na absurda necessidade que as pessoas possuem de registrar as cenas em seus aparelhos.

Ao invés de colocarem em primeiro plano o socorro às vítimas, seja no caso das crianças cariocas ou em qualquer outro evento que envolva vítimas, grande parte das pessoas opta por gravar tudo. Não seria mais importante, naquele instante de pânico onde os alunos corriam desesperados e feridos prestar socorro imediato? Porém, a dependência (ou vício) dos celulares é tão grande que as pessoas simplesmente perdem a noção do que há ao seu redor e querem gravar para assistir depois.

O vídeo abaixo mostra um pouco desse fanatismo que os celulares trouxeram e tenta nos convencer a viver mais a vida real. Claro que com uma mensagem mais "light", mas o recado é o mesmo: "Desconecte-se para se conectar".



quarta-feira, 6 de abril de 2011

Direito de opinião


Post rapidinho, apenas para recomendar a leitura da coluna do Paulo Sant'Ana na Zero Hora de hoje (terça, dia 6).

O dono da última página do jornal joga na cara da imprensa a estupidez que tomou conta dos debates sobre o episódio da entrevista de Bolsonaro ao CQC, da Band.

Leia um trecho:

"Eu acho inacreditável que jornais, os mais prestigiados do país, façam editoriais afirmando que o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) tem de ser processado por crime de racismo, entre outros, por uma resposta que deu à cantora Preta Gil em um programa de televisão.

(...) Bolsonaro não pode ser processado por aquela conduta: protege-o inteiramente o artigo 53 da Constituição Federal, que trata da imunidade parlamentar.

(...) “Os deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”.

E, se a lei diz que são invioláveis os parlamentares, “no exercício de seu mandato ou em razão do seu mandato”, como pode sobreviver durante tantos dias esse entender medíocre de que Bolsonaro pode ser processado? Como pode? Como?"

Leia o texto completo na página 47 da ZH de hoje.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Leandro pode decepcionar os gremistas

Não é um desejo, não é uma previsão. É uma análise rápida.

O atacante Leandro, 17 anos, pode se tornar rapidamente a nova decepção da torcida gremista. Recém alçado à condição de profissional e ganhando um salário de R$ 800 mensais, o guri caiu nas graças da turma do oba-oba na imprensa gaúcha. Bastou algumas poucas boas atuações no Gauchão para ser tratado pelos jornais como um craque, a esperança do time.

Por isso pode se tornar uma decepção. Porque Campeonato Gaúcho não é parâmetro para saber quem é craque. Está cheio de exemplos de jogadores que se destacaram nos esburacados campos do interior e depois não vingaram. Quando chega a hora do pega-prá-capar, de encarar Libertadores e Brasileirão, a coisa tende a mudar de figura. A maioria dos fenômenos perde o brilho e vai se apagando. Decepção.

FOTO: Gazeta Press



Leandro mal apareceu entre os profissionais e já é tratado pela imprensa como craque. Debreia...





Agora suponhamos que o guri vingue e vá bem nos campeonatos de gente grande. A decepção da torcida tricolor ainda não está descartada. Afinal de contas, qualquer empresário meia-boca conhece a facilidade com que o Grêmio se desfaz dos talentos surgidos na base. Foi assim, por exemplo, com Carlos Eduardo. Surgiu bem na Libertadores 2007 e mal deu tempo de organizar seu armário no vestiário no Olímpico. Foi passado nos trocos e, depois de uma boa temporada na Alemanha, está sumido. Custava segurar mais uma ou duas temporadas, deixar ele se lavar em cima dos zagueiros e talvez ajudar a ganhar um título? Pois bem, foi vendido, não resolveu a situação financeira do clube e o time continua sem títulos. Decepção.

Não é um desejo, não é uma previsão. Mas esse roteiro de exagero da mídia e deslumbre da diretoria é conhecido e pode fazer a torcida dar com os burros n'água de novo.

domingo, 3 de abril de 2011

Futebol fresco

Sabe porque o futebol brasileiro não é atrativo aos telespectadores europeus? Porque os nossos jogadores são um bando de frescos e os árbitros uma cambada de frouxos.

Na Europa - e em qualquer lugar onde se goste de futebol de verdade - não se tolera o jogador cai-cai. O boleiro de açúcar, aquele que o adversário passa perto e ele já desaba. Mas infelizmente no Brasil o sujeito prefere cavar uma falta a tentar uma boa jogada.

Foto: Marcio Fernandes / Ag. Estado





"Deixa de frescura.
Levanta e vai pro jogo, guri!"






Grande parte da culpa por isso acontecer nos campeonatos nacionais é, também, dos árbitros. Sem personalidade e atitude para manter a ordem durante as partidas apenas aplicando a regra, ficam parando o jogo a todo instante, "para não perder o controle". Regra é regra, ora! Não existe nas leis do futebol uma diferenciação para as infrações no Brasil, na Inglaterra ou no Cazaquistão.

E enquanto a coisa for assim, clubes e federações perdem dinheiro. Deixam de faturar com a audiência de TV em outros mercados, especialmente o europeu. Lá os caras gostam do jogador brasileiro. Tanto que vivem importando.

Porém, lá o cai-cai lida com juízes que apitam o futebol real, com contato. Daí aprendem a ficar de pé, a jogar futebol de verdade. Por aqui, temos que aturar esses "pernas-de-alface". Até quando vai essa frescura?

quinta-feira, 31 de março de 2011

Bolsonaro é tudo, menos hipócrita

A participação do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) no quadro "O povo quer saber", do CQC, rendeu a ele inúmeros adjetivos. De louco a novo Hitler, saiu de tudo a partir da exibição do programa da Band na segunda-feira passada (dia 28). Só não foi qualificado como santo e hipócrita.

E não foi chamado disso porque, evidentemente, não é. Apesar de todas as barbaridades que expressou e que chocaram a imprensa e, por tabela, o povão, ninguém pode acusar Bolsonaro de falsidade. Ele realmente pensa aquilo que disse.

Aqui cabe um parêntese: toda essa revolta com as opiniões do deputado surgindo somente agora mostra o quanto o brasileiro é alienado politicamente. Afinal, Bolsonaro está na quinta legislatura e a cada vez que discursa na Câmara fala mais ou menos no tom que usou no CQC. Portanto, nada daquilo que foi ao ar na entrevista é novidade. Fecha parêntese.

Voltemos à hipocrisia. Enquanto Bolsonaro sustenta suas opiniões polêmicas e preconceituosas, está cheio de falso santo por aí. Figuras que pensam e agem como o deputado sobre muitos assuntos, mas em público usam a máscara da tolerância e do respeito às diferenças.

Se ele ofendeu alguém ou quebrou o decoro parlamentar, que seja processado pelos ofendidos e punido politicamente, como deve ser. Aos hipócritas, não gastem tempo no Twitter, na TV ou na esquina do Café Aquários tentando convencer a sociedade da bondade das suas almas. Tratem de se preocupar com as suas atitudes e pensamentos, pois mais cedo ou mais tarde a máscara cai.


quarta-feira, 30 de março de 2011

Zagueiro zagueiro. E bom de frase!

Torcedor gosta de jogador que veste a camisa. Daqueles que quando entra em campo defender o clube sem tirar o pé em um dividida. Sobretudo quando se trata de um zagueiro.

Nesse quesito, o beque Rodolfo, do Grêmio, vem se destacando. Além de ter se encaixado perfeitamente no time e ser um dos líderes do elenco, conquista a torcida também por ser bom de frases.

Quando ainda estava por ser contratado, já se dizia um "Imortal". Depois de confirmado o negócio com o Tricolor, afirmou que comeria grama se necessário. Agora, afastado do time que enfrenta o Juventude daqui a pouco pelo Gauchão por sentir dores musculares, Rodolfo postou em seu Twitter que irá assistir a partida com a mesma vontade que encara os atacantes: "Vou dar carrinho na televisão".

Esse é um legítimo zagueiro zagueiro, como se diz no futebol gaúcho. Não brinca em serviço nem em jogo pela TV. Mas cuidado, Rodolfo. Se quebrar a tela pode baixar um espírito de porco (um Carlos Simon da vida) na nêga véia e ela te aplicar um cartão vermelho!

Falta vocabulário ou conhecimento?

Assistindo as várias manifestações públicas de pêsames pela morte do ex-vice-presidente José Alencar, notei que faltou originalidade do pessoal. Entre jornalistas, artistas e autoridades, o que mais se ouviu foram clichês como "era um guerreiro", "exemplo de vida" e por aí vai.

Ou o pessoal anda mal de vocabulário ou está faltando conhecimento sobre a trajetória de Alencar até para elaborar uma simples frase de homenagem.

Falando nisso...
Uma das postagens mais repetidas hoje no Twitter foi: "Um minuto de silêncio por todos que morreram hoje sem poder contar com o mesmo tratamento em hospital particular que José Alencar teve".

terça-feira, 29 de março de 2011

Novo estilo pro blog

Depois de tanto tempo sem atualizar o blog, cheguei a uma conclusão: preciso mudar a forma dos posts pra que as coisas por aqui andem com uma frequência aceitável.

A partir de agora, vou me vigiar para publicar textos mais curtos e objetivos. Uma espécie de tuitada com mais caracteres.

É isso. Até amanhã!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Ronaldo e o hipoidiotismo da mídia

Foto: Agencia O Globo
Cercado por inúmeras marcas patrocinadoras, os dois filhos e o presidente do Corinthians (não necessariamente nessa ordem) ao seu lado, Ronaldo anuncia sua aposentadoria dos gramados. A notícia, aguardada pela maioria dos jornalistas apenas para o final do ano, faz formar-se na sala de imprensa do último clube da carreira do Fenômeno um verdadeiro batalhão de repórteres, fotógrafos, cinegrafistas e bicões. Com frases inexpressivas e apenas uma lágrima – para frustração geral de todos que ansiavam por um símbolo da despedida – o mais midiático dos jogadores da história do futebol brasileiro sai de cena.

Na escassez de algo ainda mais impactante que a despedida de um ícone do esporte mundial, uma isca jogada por Ronaldo é rapidamente fisgada pelo exército de jornalistas, mais emocionados que o próprio novo aposentado. O ex-jogador diz sofrer de hipotireoidismo, uma alteração na glândula tireóide que desregularia seu metabolismo. Seria este o motivo da forma tão semelhante ao objeto que levou o guri da periferia carioca aos mais imponentes castelos do mundo.

Apesar da jogada de Ronaldo, afirmando que muitos se arrependeriam de debochar do seu peso durante anos ao saber desta informação, a novidade não é tão nova assim. Desde que chegou ao Milan, em 2007, o problema já havia sido diagnosticado e tornado público. Porém, naquele momento interessava mais à imprensa criticar e fazer piadas com a forma física do jogador que fizera parte do fracasso na Copa da Alemanha, um ano antes. Ninguém demonstrou interesse em pesquisar o assunto, checar a informação e produzir material jornalístico esclarecedor. Não venderia jornal. Mais fácil seria ocupar páginas, horas de TV e programas inteiros de rádio acusando “Ronalducho” de desleixo e falta de profissionalismo. Talvez tenha até ocorrido isso, mas especular não é tarefa do jornalismo, correto?

Este é o comportamento padrão da mídia no Brasil. Descontadas raras exceções, a maioria da imprensa, sobretudo esportiva, contenta-se em aplaudir quem está no topo e pisar no pescoço de quem fracassa. Simples assim.

Quando a entrevista coletiva de Ronaldo foi encerrada e os programas esportivos passaram a repercutir a aposentadoria do jogador e sua “revelação” para o excesso de peso dos últimos anos, o tom geral de comentaristas e repórteres era o de um pedido de desculpas. Como crianças repreendidas pelos pais, todos baixaram a cabeça e aceitaram aquela verdade absoluta.

Mas ao menos algo de bom pode-se tirar de todo esse episódio. Agora sabemos que tão grave quanto o hipotireoidismo – que pode acelerar o fim de uma carreira como a de Ronaldo – é ter um mal que ataca jornalistas preguiçosos e mal-informados: o hipoidiotismo. E aposto que muita gente nas redações esportivas brasileiras sofre disso.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Felizes os que não gostam de futebol

Há dias penso em escrever aqui no blog sobre essa paixão irracional que cega a maioria de nós, torcedores de algum time de futebol. Iniciei o texto algumas vezes, desisti, ponderei e não cheguei a uma conclusão se deveria ou não publicar. Eis que hoje dei de cara com este texto no blog do David Coimbra. Depois dele, não preciso mais escrever.

* * *

Para você, otário

Quero escrever agora para você colorado, você gremista, você palmeirense, você flamenguista, você torcedor de futebol.

Você é um otário.

Faz tempo que sei disso, mas só agora, depois do Caso Jonas, resolvi me manifestar e dizer a verdade. A verdade é que você é um trouxa.

Você discute com seu amigo por causa de futebol, ofende o juiz, insulta o jornalista, você passa a noite sem dormir, sonha acordado com um novo centroavante, vai ao aeroporto para recebê-lo, pula de alegria na Goethe, rasga de raiva o jornal, viaja atrás do time, vê jogo na chuva.

Você é muito burro. Eles não estão nem aí para você. Eles se dizem “profissionais”. Mentira. Um profissional de verdade é um amador. Porque faz as coisas com amor. Porque seus valores são mais do que valores monetários. Ele quer ser recompensado, sim, mas por um trabalho digno, tratando os outros com dignidade, sendo ele próprio digno e reto. Sendo um homem de verdade.

Jonas e Ronaldinho são símbolos desse profissionalismo que não é profissional. Dessa imoralidade em que se transformou o futebol. Jonas, antes de ir embora sem nem dar explicação, xingou a torcida. Perfeito! Naquele momento, ele foi verdadeiro.
Ele queria dizer isso mesmo. Queria dizer como você é otário, burro, trouxa. Você que paga ingresso, compra camiseta, dá audiência.

Idiota, é o que você é.

Eu, como alguém que volta e meia escrevo sobre essa atividade econômica, que é o futebol, eu lhe sugiro: gaste sua energia e seu tempo com outra atividade. Leia um livro, assista a um bom filme, vá a uma peça de teatro, saia com os amigos, ame sua mulher, brinque com seu filho ou até jogue bola. Mas não seja mais otário.