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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O jeitinho brasileiro (ou politiqueiro) de inaugurar

Somos um povo que adora uma inauguração. Seja do que for. Sempre vai haver bandinha tocando e muita gente na volta para ver alguém cortando uma fita e discursando. Um prédio, uma rua asfaltada, uma caixa d’água. Ou um estádio. Ou um mercado público.

O brasileiro tem um jeito especial de apresentar a conclusão de seus feitos: inaugurando pela metade. Eu sei, você sabe, que é contraditório falar em inaugurar algo que não está pronto. Mas é assim que a coisa funciona por estas bandas.

Foto: João Pontes / iG
Arena "pronta" e inaugurada. Por dentro, porém,
trabalho incompleto e falta de acabamento.
Outro dia foi a Arena do Grêmio. Embora seja uma obra merecedora de muitos elogios por ter sido feita rapidamente e sem a chuva de dinheiro público que está havendo em outros estádios Brasil afora, o fato é que não está pronta. Mesmo assim, para que o mandatário do clube durante todo o período de construção pudesse inaugurar a nova casa antes de entregar o cargo ao seu sucessor, montou-se uma grande festa e uma partida amistosa. Nas imagens da TV, quase tudo perfeito. Mas quem lá esteve viu que ainda há muita coisa a se fazer nas entranhas da Arena.

Mercado pronto. Só que não.
Se em um empreendimento privado como o estádio do Grêmio a inauguração é feita às pressas por interesses políticos, obviamente o mesmo ocorre diariamente com as obras públicas. Em Pelotas, também. 

Hoje (quinta, dia 20) a prefeitura fará a reinauguração do Mercado Público de Pelotas após o processo de restauração do prédio, iniciado lá em 2008 e que custou R$ 2,9 milhões. Com todos os salamaleques costumeiros destas ocasiões, haverá festa com música, Papai Noel e, claro, corte da fita e discurso do atual prefeito, Fetter Junior.

Então isso significa que está tudo pronto e que os permissionários das bancas já poderão iniciar suas instalações no prédio, correto? Não.

O Mercado Público será inaugurado, mas ficará pronto somente depois de mais 30 dias de obras. Faltam os acabamentos, dizem. Bancas funcionando, somente em fevereiro.

Não é preciso ser muito esperto para concluir, então, que essa inauguração é só para que o atual prefeito saia na foto. Afinal, em poucos dias ele entrega o cargo ao novo chefe do Executivo eleito. Aguardar a conclusão de fato da obra seria para o prefeito Fetter algo como ficar de fora da festa justamente na hora de cantar os parabéns e comer o bolo.

Caso bem parecido com o de Paulo Odone e a Arena do Grêmio.

E ninguém reclama. O jeito brasileiro de concluir empreendimentos é esse. Vai lá, corta a fita, faz um discurso, fatura politicamente e sai na foto para a posteridade. Depois se termina o trabalho. Quando se termina!

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Dois pesos, duas medidas e nenhum comprometimento com a informação

Já aviso de antemão: esqueça seu ódio ou seu amor pelo Lula por um instante. Faço esse pedido porque sei que qualquer coisa que se fale sobre ele gera uma batalha entre atacantes e defensores. Dito isso, quero apenas usar uma frase dita por ele esta semana para ilustrar o que irei escrever a partir do próximo parágrafo. Disse o ex-presidente: “Vocês já viram a cara de algum banqueiro no jornal? Sabe por que não sai? Porque são eles que pagam as propagandas.”

Agora, aos fatos. Na quarta-feira (dia 12) uma ação da Receita Federal e do Ministério Público chamada de Operação Dominó cumpriu mandados de busca e apreensão em dez empresas gaúchas que, juntas, teriam sonegado mais de R$ 40 milhões em impostos. Sete destas com sede em Pelotas. A falcatrua era feita através de um software (criado também por pelotenses) que emitia cupons fiscais em um equipamento não autorizado pela Receita, fazendo uma contabilização paralela das vendas.

Charge: Tiago Recchia
Todo mundo deu a notícia. TVs, jornais, sites, rádios. Mas pode procurar à vontade que em nenhum dos veículos será encontrada qualquer menção aos nomes das lojas ou dos proprietários pegos com a boca na botija. “Uma série de empresas”, “varejistas”, “lojas do setor de vestuário”, termos deste tipo, bem genéricos, foram usados pela imprensa. O cuidado para não entregar os sonegadores foi tamanho que as imagens da operação mostradas na TV não deixam aparecer sequer um pedaço da fachada das lojas. E a informação, como fica?

Curioso como a cobertura dos mesmos veículos de imprensa pode ser tão diferente para casos de corrupção. Porque sonegação de imposto é um tipo de corrupção, sim. Tanto quanto desvio de verba em administrações públicas. Porém, em casos como esse dos empresários pelotenses, ninguém é identificado. Bem diferente do que ocorre quando o personagem é, por exemplo, um político. Com ou sem provas, tão logo surge a suspeita o nome já é publicado e, especialmente, julgado pelo tribunal midiático. Parte-se do pressuposto que políticos são todos iguais, todos ladrões. Portanto, acusa-se antes e revira-se a vida do sujeito durante as investigações, colocando o rosto em todos os jornais. E depois, se ele for inocente? Bom, aí é só esquecer o assunto e procurar outra manchete.

O empresário que sonega é tão corrupto quando o político que desvia. Afinal, em ambas as situações o dinheiro que deveria ser revertido em serviços à população está ficando nos bolsos de alguns malandros. Ou estou errado? Aos olhos da imprensa parece que sim, estou. Pois assim como há o pré-conceito estabelecido sobre a desonestidade política, há o consenso de que empresários são os grandes responsáveis pelo desenvolvimento do Brasil, por gerar emprego e renda. São bravos resistentes no cenário econômico em que são oprimidos por taxas e tributos, cuja imposição parte justamente dos desonestos de colarinho branco, ávidos por embolsar tudo. É ou não é assim que nos vendem?

A abordagem quase que constrangida da imprensa no caso dos sonegadores pelotenses mostra bem como funciona o jornalismo para boa parte daqueles que escolhem o que será pauta, editam e levam até o público. Dependendo dos personagens envolvidos, usam-se dois pesos e duas medidas. Mas nenhum comprometimento com a informação.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Incompetência assumida

A briga ocorrida no setor da Geral no sábado da inauguração da Arena do Grêmio só confirma duas coisas: a incompetência da Brigada Militar e da Justiça ao punir os brigões e que essa história de vigilância com câmeras para impedir a entrada dos marginais é história pra boi dormir.

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Hora de Luxemburgo crescer em decisões

Fotos: Ag. Estado / Luis Acosta (AFP)
Contra Palmeiras e Millonários, nem a pressão do velho Olímpico
fez com que o Grêmio de Luxemburgo confirmasse o favoritismo.

Descontemos toda a emocionante festa antes do jogo, o choro e as homenagens que se seguiram após o apito final de Héber Roberto Lopes. O que fica da despedida do Estádio Olímpico Monumental é a frustração de ver o Grêmio, mais uma vez, não superar uma equipe inferior – sem qualquer corneta, as atuações anteriores e a posição na tabela confirmam isso. E dessa vez com o adversário tendo dois jogadores a menos. Novamente o time bateu na trave na hora de alcançar um dos objetivos traçados. Escaparam a vice-liderança do Brasileirão e a vaga direta à fase de grupos da próxima Libertadores.

O Grêmio de 2012, com o até então inimaginável comando de Vanderlei Luxemburgo, foi assim. Quando mais precisou vencer, quando sentiu mais intensamente o cheiro do sucesso, falhou. E o mais impressionante: não foi determinante para as frustrações deste ano o peso da camisa adversária. O time escorregou contra pequenos, médios e grandes, inclusive quando do outro lado estavam esquadras que hoje figuram entre as rebaixadas do Brasileirão. Vejamos o retrospecto do Grêmio de Luxemburgo nos jogos mais importantes do ano:

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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A gente dá opinião por você

Momento de saco cheio.

O que a construção da hidrelétrica de Belo Monte, a redução da jornada dos enfermeiros e a divisão dos royalties do petróleo têm em comum?

Resposta: estes e muitos outros assuntos viraram bandeiras dos atores da Rede Globo. Com a autoridade de "artistas globais" que influenciam muita gente só pela associação da imagem, despejam teses e argumentos (muitas vezes sem qualquer cabimento) para mostrar o que é certo ou errado. Na visão deles, é claro.


Quem esses caras pensam que são, afinal?!?

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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O bicentenário é deles

Sábado passado, 10 de novembro, a Bibliotheca Pública (que não é pública) Pelotense sediou o baile de gala dos 200 anos de Pelotas. Mais um dos eventos comemorativos que ficou restrito a um grupinho. Os mesmos de sempre, usando black-tie, bebendo espumante, ouvindo jazz e compartilhando opiniões sobre o quanto a cidade é bela, o quanto a cultura é fantástica e coisas do gênero. Não duvido até que tenham elogiado a aberração do novo pórtico na Academia Pelotense de Letras.

Com convites custando entre R$ 80 e R$ 200, o baile recebeu tratamento diferenciado pela imprensa. Jornais e telejornais locais deram destaque ao evento, ocupando um bom espaço para mostrar os ilustres que lá estiveram. A se ressaltar, também, o viés altruísta do evento. O dinheiro arrecadado foi destinado à Associação dos Amigos do Museu da Baronesa.

Não sou radical ao ponto de não concordar com um baile de gala. Muito menos com a ajuda a uma entidade que mantém um museu importante da cidade. Minha inquietação é outra. Por que isso mobiliza tanta gente desta tal sociedade pelotense? Por que merece tanto destaque na TV e no jornal?

Pelotas tem 330 mil habitantes. Destes, 142 mil vivem com no máximo dois salários mínimos. Outros tantos – cerca de 50 mil – estão abaixo disso e sobrevivem apenas com a ajuda de programas de distribuição de renda do governo federal (as tais “bolsas-esmola”, que muitos gostam de criticar). E para estas pessoas, o que Pelotas ofereceu para celebrar o bicentenário?

Poucos foram os eventos destinados àqueles que realmente representam a população da cidade. E, mesmo assim, não se viu tanta festa, tanto espaço para divulgação e – muito menos! – mobilização para ajudar com algo concreto, como melhorias em postos de saúde ou escolas. Óbvio que não daria para resolver tudo, sei disso. Mas alguém ouviu falar de entidade da sociedade de Pelotas envolvida com arrecadação para, por exemplo, auxiliar na reforma e funcionamento de um único postinho de bairro? Ou quem sabe fazendo algo por uma das tantas escolas precárias? Isso, sim, seria algo de classe na homenagem à cidade e que orgulharia os pelotenses.

A alta sociedade de Pelotas tem todo o direito de comer o seu caviar e festejar os 200 anos da cidade. Contudo, é difícil aceitar que um evento como esse seja um dos eventos mais destacados pela mídia no calendário do bicentenário. Enquanto assistiu às imagens do baile no horário do almoço, grande parte dos pelotenses deve ter ficado imaginando que tantos motivos aquela turma teria para tamanha celebração.


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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A revolta bunda-mole

FOTO: Piervi Fonseca/Folhapress

Fluminense campeão, Palmeiras rebaixado (não adianta dizer que ainda tem chance, já caiu e pronto!). Praticamente acabou o campeonato. E com ele acabou também a indignação de todos aqueles que há algumas rodadas não tinham mais voz de tanto xingar os juízes, a CBF, a Globo, o Papa, a mãe do Badanha.

Todo mundo era parte da conspiração para ajudar o Fluminense a levar a taça. Cada pênalti a favor marcado, cada gol do adversário anulado, cada lateral revertido, tudo era um sinal. E assim foram se criando os revoltados do Brasileirão.

- Absurdo! Vergonha! Só assim para ganhar mesmo!

Cadê essa turma agora? Não falo dos torcedores fanáticos, porque destes não se espera muita racionalidade mesmo. Mas e os comentaristas? E os cartolas dos times adversários do tricolor carioca? O gato comeu a língua deles?

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domingo, 11 de novembro de 2012

Críticas amadoras sobre filmes que todos já viram: Lula, o filho do Brasil

Não sou especialista em cinema, em música ou em literatura. Mas como dono do blog, vou ter a ousadia de publicar aqui algumas impressões sobre filmes, discos ou livros. Dificilmente sobre lançamentos. Estes deixo para quem é crítico verdadeiro.


Ontem assisti Lula, o filho do Brasil (2009). Dirigido por Fábio Barreto, o filme foi alvo de ataques antes, durante e após sua estreia não pela qualidade da obra, mas por ter sido lançado justamente no começo de 2010, ano eleitoral em que Lula encerraria seu segundo mandato como Presidente da República e colocaria à prova sua popularidade indicando um sucessor – neste caso sucessora, já que Dilma foi apontada e eleita. Além da acusação de ser peça de propaganda, foram fortes também as críticas ao fato de grandes empreiteiras – responsáveis por obras de infraestrutura contratadas pelo governo federal – terem financiado a obra.

Entretanto, águas passadas. Ao filme. Bom, mas nada que mereça ser lamentado caso não se assista. Nem mesmo um amigo petista fanático conseguirá chegar ao fim do filme e dizer que é imperdível. A história contada é, inegavelmente, interessante. Afinal de contas, o personagem é um sujeito que vai da miséria à Presidência. Um operário que se tornou uma das figuras mais importantes da história brasileira. Porém, o filme não consegue transmitir o quão insólita é a trajetória.

A se elogiar a escolha do ator que interpreta Lula adulto. Rui Ricardo Dias convence, com semelhança física, na fala e nos gestos. Como em quase todo filme atualmente, as atrizes escolhidas, além de talentosas, precisam ser bonitas. Cléo Pires (Maria de Lurdes, primeira esposa) e Juliana Baroni (Marisa Letícia) confirmam isso. Se as mulheres do ex-presidente eram realmente tão belas assim quando jovens, há que se invejar.

Mesmo com a história sindical do operário sendo contada, falta conteúdo político a Lula, o filho do Brasil. Porque a vida do ex-presidente só virou filme devido à dimensão política que conquistou. Terminar o filme com Lula deixando o Dops, onde estava preso, para assistir ao enterro de Dona Lindu (mãe) deixa a sensação de que o filme acaba enquanto ainda está no começo.

Para quem também ainda não assistiu, não faça como eu, que esperava uma história recheada da história política do ex-presidente. As últimas cenas, com Lula tomando posse em Brasília em 2003, são a deixa para uma nova obra sobre o personagem. Agora com algum distanciamento histórico, sempre importante para a construção de análises deste tipo. Certamente é possível fazer um filme melhor. 


Assista ao trailer:

   

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sábado, 3 de novembro de 2012

Jaquirana, onde não se cumpre a lei

Placas de propaganda afixadas em rótulas e permanecendo nas ruas durante toda a noite. Carros de som circulando com locutores, caracterizando ‘trios elétricos’. Para completar, alguns “brindes” sendo distribuídos aos eleitores. Tudo isso é proibido pela lei eleitoral, mas é bastante provável que você tenha visto algum destes exemplos de irregularidades durante as eleições municipais de 2012.

Escrevo sobre isso porque todo mundo está cansado de saber que a tal festa da democracia nunca deixou de ser também um festival de “espertezas” por debaixo dos panos. Assim ocorre historicamente em cidadezinhas do interior com meia dúzia de eleitores ou nas grandes metrópoles de centenas de milhares de moradores.

Mas em Jaquirana, município no nordeste do RS com 4,8 mil habitantes, alguém resolveu acabar com essa bagunça. A Polícia Civil local suspeitou de que havia compra de votos e tratou de investigar. O resultado foi a prisão do filho do prefeito reeleito, do coordenador da campanha e de um vereador.

Mas e porquê apenas em Jaquirana se conseguiu pegar alguns destes tipos de malandros se todo mundo sabe que as irregularidades eleitorais são praxe em quase todas as cidades? Simples: porque apenas lá se tem notícia de que a Polícia Civil tentou de verdade.

Tomemos como exemplo contrastante a falta de fiscalização em Pelotas. Por aqui, vimos muita propaganda em locais proibidos e ficando nas ruas mesmo após o horário limite das 22h. Vimos também carros de som descontrolados pelas ruas, circulando próximos a escolas e hospitais, muitos deles com locutores gritando com o carro em movimento.

Mas no terceiro maior colégio eleitoral do Estado a opção foi por fazer vistas grossas. As autoridades que deveriam fiscalizar e punir estas ações preferiram não tocar no assunto. Ou melhor, até tomaram uma atitude: às vésperas do primeiro turno (apenas), algumas placas irregulares foram recolhidas e a ação foi devidamente noticiada na imprensa, como se fosse grande coisa.

Pois se em Pelotas até o simples controle sobre a propaganda de rua inexistiu, imagine se seria tomada alguma atitude para coibir possíveis casos de compra de votos. Nunca! E não foi por falta de suspeitas, pois quase todos os dias durante a campanha surgia alguma informação (ou boato) de que alguém estava distribuindo algo em algum lugar. Se houvesse boa vontade e disposição próximas daquelas da Polícia Civil de Jaquirana, aqui também alguém teria sido flagrado comprando votos. Aposto.

Tão fácil seria que, certo dia, três amigos e eu saímos de carro a circular por vilas da cidade atrás de pessoas que, eventualmente, estivessem presenteando moradores com comida, brinquedos ou roupas. Em poucos minutos rodando e conversando com as pessoas ouvimos alguns relatos.

Mais um tempo circulando e, bingo!, lá estava um carro identificado com uma candidatura distribuindo calçados. Era compra de voto? Não sei, mas era o tipo de ‘generosidade’ incomum. Ao menos fora do período eleitoral. Como incomum também foi a reação das pessoas que entregavam os sapatos. Ao notar que estavam sendo observados, ficaram nervosos e saíram correndo atrás do nosso carro. Porquê?! Quem não deve, não teme...

Para nós, curiosos que estávamos apenas observando a movimentação nas ruas, era difícil provar se ali havia compra de votos. Mas para pessoas que têm o dever de estar atentas a casos suspeitos e investigar, seria uma tarefa mais simples, acredito.

Fato é que em muitas cidades casos de crimes eleitorais são comuns. Dos simples aos mais graves, todo mundo já viu, soube ou ouviu falar. Mesmo assim, punições são raras. O que é uma pena. E também a prova de que algumas regras deixem de ser cumpridas simplesmente porque, teoricamente, são de difícil fiscalização.

Jaquirana é uma cidade fora da lei. Lá optou-se por não cumprir a norma mais conhecida do Brasil: a Lei do Menor Esforço.


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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O mais importante do país está dispensável

No tempo do Cidão, o JN era compromisso nacional.
Já houve um tempo em que ninguém admitia publicamente quando não assistia ao Jornal Nacional. Era um atestado de ignorância. "Onde já se viu deixar de ver o telejornal mais importante do país?!"

Estar em frente à televisão no horário do JN era uma obrigação de qualquer cidadão que quisesse estar - ou parecer estar - bem informado. Perder uma edição significava que, no dia seguinte, era melhor fugir das rodas de conversa. E se surgisse alguém falando sobre uma importante notícia? Só a besta alienada não faria a mínima ideia do que se tratava.

Hoje não. O JN se tornou dispensável. Aliás, como a maioria dos telejornais. Talvez porque os noticiários se preocupem mais com atrair audiência do que informar, o conteúdo jornalístico e informativo ficou em segundo plano. Caíram da pauta as matérias mais profundas de política, economia e outras editorias e ganharam espaços nobres as notícias sobre comportamento. No popular, diria meu avô, "virou uma bobageira só".

E o tiro, aparentemente, sai pela culatra. Buscam telespectadores e perdem audiência. E ninguém mais tem vergonha de assumir que na hora do JN está no Facebook.

Boa noite!

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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Diário de bordo - Edição I

A sensação de quem vem de fora para Pelotas é de estagnação, atraso, tempo perdido. A cidade não evolui.

Hoje, enquanto prestava apoio a uma equipe de TV de PoA que veio fazer matéria sobre o segundo turno da eleição, isso ficou bastante claro.

"A cidade precisa de mudança, de desenvolvimento", disse o repórter durante uma entrevista, deixando escapar uma opinião que depois deveria ser editada para não ir ao ar.

É nítido, está na cara de todos. Mas a incapacidade de se indignar dos pelotenses é tão grande que nem notam (ou preferem não notar) essa realidade.

E assim continua Pelotas. Caminhando como se estivesse sobre uma esteira, onde quem está em cima pensa estar em movimento, mas quem está de fora vê que é um esforço que não leva a lugar algum.

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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Política de poltrona

É comum no meio do futebol a expressão “torcedor de poltrona”. É como são denominados – na maioria das vezes pejorativamente – aqueles torcedores de um clube que não vão ao estádio alentar seu time do coração. Os que preferem acompanhar os jogos em frente à TV, na comodidade da sala de casa. Uma classificação que pode ser adaptada neste período eleitoral.

Com cada vez mais cidades contando com a propaganda em rádio e televisão, além da popularização da Internet e redes sociais, cresceram as manifestações virtuais e diminuíram as ações de corpo a corpo, na rua. Ou seja, surgiram os “militantes de poltrona”.




Pelotas, por exemplo. Se até alguns anos atrás as reclamações mais comuns eram da sujeira dos santinhos, dos jingles de gosto duvidoso e do barulho dos comícios e showmícios, hoje a situação é diferente. Muita gente sente falta da movimentação de eleições passadas e dá a disputa atual como parada. Há quem diga que a campanha está “gelada”. Não que as propagandas de TV e rádio sejam novidades, mas com as regras cada vez mais rígidas para a campanha de rua, as opções adotadas pelos partidos são raras panfletagens e algumas caminhadas, nada mais do que isso. Comícios? Até o momento, faltando menos de um mês para o primeiro turno, nenhum. A gurizada nova de Pelotas nem deve saber como funciona um negócio desses.

Retuíta aqui, curte ali, compartilha lá
Se nas ruas pouco se nota a movimentação das campanhas, na Internet o bicho pega. Graças às redes sociais, dificilmente quem se conecta fica imune a algum apelo eleitoral – direto ou indireto. Quando não é uma postagem do próprio candidato que surge na tela, alguém identificado com as campanhas se encarrega de espalhar conteúdo. Seja favorável ao seu preferido ou contrário aos adversários.


Tamanha importância vem sendo dada a este tipo de militância que já há quem se debruce sobre a artilharia virtual das campanhas. O site Monitor das Eleições é um exemplo disso. Desenvolvida por alunos e professores dos cursos de Publicidade e Propagada e Jornalismo da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) e de Design Digital e Design Gráfico da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a página traça relatórios semanais (como o gráfico acima) sobre as atividades de cada candidato a prefeito no Facebook e no Twitter. Itens como número de postagens, seguidores e curtidas são comparados. De acordo com o site, a intenção é “observar como a mídia social está sendo utilizada pelos candidatos a prefeitura da cidade durante as eleições de 2012”.

Enquanto isso, a poucos quilômetros daqui...
Basta ultrapassar os limites de Pelotas para que se tenha contato com outra realidade eleitoral. Rodando um pouco pela BR-293 (cerca de 100 quilômetros) e chegando a Pinheiro Machado, cidade com 12,7 mil habitantes (sendo que, oficialmente, 10,9 mil são eleitores), temos um contraste com o universo pelotense. Lá não existem rádios ou televisões locais. Apenas a recepção das emissoras vizinhas de Bagé ou Pelotas. O que obriga os candidatos e simpatizantes e fazer a militância à moda antiga.

Chegando na cidade, a primeira percepção: as bandeiras estão por toda parte, em centenas de casas. É uma competição silenciosa. Cada morador quer dar mais visibilidade ao símbolo do seu partido. Quanto maior e mais no alto a bandeira do concorrente, maior o estímulo para espalhar mais bandeiras pela cidade. E bem destacadas!

Mas a principal diferença entre o perfil “de poltrona” da campanha pelotense e o cenário pinheirense (e, acredito, de todas os pequenos municípios do interior) está no envolvimento. Como a agitação não faz parte da rotina da cidade e não existem sequer rivalidades esportivas para movimentar opostos, a disputa política realizada a cada quatro anos é o Bra-Pel ou o Ba-Gua da cidade. Todo mundo tem lado e as discussões, sempre acaloradas, estão em todas as rodas de chimarrão.

Com seus adesivos nas janelas, nos carros e no peito, todos são cabos eleitorais e, mais do que isso, agentes fiscalizadores a serviço do seu candidato. Qualquer movimento suspeito dos adversários, qualquer discreta insinuação nos comícios – sim, lá eles existem e ocorrem no mínimo uns três a cada semana – é imediatamente rebatida. Nada fica sem resposta à altura. Nada! Sempre há um militante na rua fazendo campanha, criando (ou combatendo) boatos. Ou se vai às ruas pelear por cada voto ou se fica para trás.

Ao contrário de Pelotas, nos pequenos municípios do interior não há tempo para ficar sentado em casa. Ninguém pode se dar ao luxo de viver da política de poltrona.

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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Notícias de Satolep (1ª edição)

Novos semáforos movimentam economia local

Levantamento realizado pelo Instituto DataFoda-se em Pelotas mostra que um dos setores da economia local que mais vem crescendo nos últimos meses é de publicidade/propaganda de rua. Com a instalação de novos semáforos na cidade, houve um aumento de trocentos por cento no número de entregadores de panfletos aos motoristas.

No entanto, mesmo com novos cruzamentos ganhando a sinalização eletrônica, a avenida Bento Gonçalves continua sendo a área mais disputada pelos entregadores.

"A falta de sincronia das sinaleiras favorece o nosso negócio, já que os motoristas precisam parar em todas as esquinas. Ás vezes chega a faltar material para distribuir", explica o presidente do Sindicato dos Panfleteiros, Passos Dias Aguiar.

Apesar de muitos motoristas reclamarem, há quem esteja aproveitando a grande oferta de panfletos para aumentar a renda familiar. É o caso do representante comercial Simplício Simplório, que passa os dias circulando de carro pela cidade a trabalho.

"Recebo tanta propaganda que resolvi aproveitar para faturar um pouco em cima. Toda semana acumulo quilos de papel e vendo para a reciclagem. Já comprei até uma TV nova pra assistir a Olimpíada com o dinheiro dos panfletos", afirma. 


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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Na TV, desinformar é preciso

Nunca participei de algum programa de televisão. Minhas poucas aparições diante das câmeras foram aquelas obrigatórias durante o curso de Jornalismo da UCPel, quando teoricamente somos preparados para produzir reportagens e ancorar um telejornal. Fiz, gostei e ficou nisso.

Talvez por não ter trabalhado em TV, tenho um certo pé atrás com ela. Sou mais ou menos como aqueles tios ranzinzas que existem em toda família, aquele sujeito que fica o tempo todo achando algum defeito na programação e reclamando das notícias, do apresentador, do estúdio.

Minha maior implicância é com a falsa sensação de informação que os telejornais passam a quem assiste. Falsa porque é impossível alguém que tem no Jornal Nacional, da Record, da Band ou do SBT a sua única fonte de notícias saber realmente o que acontece. Com as pílulas de notícias que são despejadas em poucos segundos para cada assunto, o máximo que se consegue com é ter vaga noção pra depois se fazer de informado em um papo de boteco.

- Tu vistes esse rolo todo do Cachoeira?

- Pois é, vi ontem na TV. Que barbaridade!

- Bota barbaridade nisso! Esse país é uma vergonha...

Pronto. Ninguém sabe direito qual é o rolo, quem está envolvido com o quê ou o tipo de consequência que o fato pode ter. Mas todo mundo comenta vagamente e se dá por satisfeito por estar por dentro das atualidades.

Aí o editor do noticiário resolve “repercutir” a pauta. Chama um especialista para falar um pouco mais e explicar o assunto aos telespectadores. Então, quando o entrevistado começa a falar, o apresentador, já balançando o pé, inquieto, dá a deixa:

- Está bem... Ok... Obrigado...

- Mas eu gostaria de falar ainda sobre...

- É que o nosso tempo infelizmente acabou. Muito obrigado. E no próximo bloco, não perca, uma matéria especial sobre o estilo das periguetes que conquistou o Brasil com a personagem da novela das sete. Já voltamos!

Alamierda! Não consigo entender como um veículo que fica 24 horas no ar pode usar com tanta frequência o argumento da falta de tempo para deixar de aprofundar alguns assuntos. Ok, não quero, por exemplo, que a TV aberta passe o dia inteiro discutindo temas praticamente incompreensíveis como a reforma política ou a escalação desse tal de Juan na zaga da seleção olímpica do Mano Menezes. Não precisa tanto. Mas algumas coisas merecem mais do que alguns míseros dois ou três minutinhos de atenção. E esses temas não deveriam ser a tendência lançada por uma novela ou os benefícios do grão de bico na dieta dos diabéticos (embora esse último possa ser útil).

Ilustres especialistas destes que são chamados a toda hora pelos programas de TV para opinar desde o preço do tomate até a descoberta do Bóson de Higgs deveriam iniciar um movimento de boicote às emissoras. Porque é uma sacanagem o sujeito se despencar de casa até a sede da TV, passar aquele maldito pozinho na cara e ir pro estúdio pra ter apenas uns segundos para tentar explicar a quem está em casa aquilo que o telejornal faz de tudo para que não seja compreensível.


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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Universitários? Não, prefiro as placas.

Eis que surge agora uma pista sobre o porquê de apenas um único participante do programa Show do Milhão ter conseguido embolsar essa bolada durante todo o tempo em que a atração esteve no ar no SBT (entre 1999 e 2003, com um breve retorno em 2009). Uma das formas mais importantes de apoio que os participantes tinham à disposição em caso de não saberem a resposta era a famosa “ajuda dos universitários”.

Não tinha como dar certo mesmo. Afinal, segundo um levantamento feito pelo Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa denominado Indicador do Analfabetismo Funcional (Inaf) divulgado esta semana, 38% dos brasileiros com formação superior têm nível insuficiente de leitura e escrita. Sendo assim, querer que respondam perguntas de conhecimentos gerais também já é demais.

E como diz aquela famosa frase atribuída às Leis de Murphy, nada é tão ruim que não possa piorar. Se já é de dar de cabeça na parede saber que boa parte do pessoal que sai de um curso superior mal sabe escrever e ler decentemente, imagina agora descobrir que os professores dessas figuras também não são lá essas coisas.


Um comunicado divulgado pelo comando de greve do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) no domingo passado (dia 15) traça uma série de considerações a respeito das reivindicações da categoria a respeito de planos de carreira, regime de trabalho, salários e outras pautas. Lá pelas tantas, na parte do documento destinada aos encaminhamentos (reprodução acima), o ponto 5 sugere ao movimento “radicalizar as ações da greve, ampliando a paraliZação das atividades”. Assim mesmo, com Z. Pô, é um documento público escrito por aqueles que representam os professores universitários brasileiros! Bah!

Querem me chamar de chato, que é só um erro de grafia e que não significa que todos os professores são ruins de escrita? Ok, fiquem à vontade. Agora, só vou concordar com o último ponto. Realmente não dá para generalizar. A maioria dos mestres que tive, seja nas escolas ou na universidade, eram bons. Mas muitos (muitos!) eram péssimos. E não por desconhecer aquilo que lecionavam, mas por sequer saber escrever direito. Um dos meus professores no Jornalismo, por exemplo, não sabia a grafia da palavra FLASH. O coitado perdeu uns dois minutos em uma aula tentando acertar – tentou FALSH, FLAHS, FLSHA. Convenhamos, se o sujeito leciona uma disciplina sobre isso...

Ou seja, graças ao analfabetismo funcional destas pessoas com ensino superior o Brasil continua tendo muitos letrados com pouca habilidade com as letras. E o Silvio Santos economizou uma boa grana no Show do Milhão.

Fosse eu um dos participantes do programa, também não pediria ajuda aos universitários. É mais fácil rechear a conta bancária com a ajuda das placas ou das cartas.


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terça-feira, 5 de junho de 2012

Um resumo sobre Oscar, São Paulo e Internacional

Tem post novo no FutCétera. Aliás, post longo. Mas é que não vi outra forma de tratar o assunto. É sobre o fim da disputa entre São Paulo e Internacional pelo meio-campista Oscar - atual camisa 10 da seleção brasileira do Mano Menezes. Fiz um resumo do imbróglio que se estendeu por quase dois anos, incluindo aí a postura dos jornais paulistas e gaúchos em meio ao debate judicial.

Quem quiser lembrar (e entender) o passo a passo da confusão, é só clicar aqui ou visitar o FutCétera indo no link no menu superior aqui do blog. Abaixo, um trecho:

"Agora, com o final da disputa por Oscar, tanto Inter quanto São Paulo tentam, via meios de comunicação, provar aos seus torcedores que saíram vencedores da batalha. Embora nenhuma das diretorias tenha conseguido exatamente aquilo que alardeou durante todos os 714 dias de imbróglio, uma coisa é inegável: se houve alguém que chegou mais próximo do objetivo, foi o São Paulo."

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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Itaú 1 x 0 Fifa

Hoje a Fifa anunciou - e a imprensa divulgou com estardalhaço (Globo, na verdade) - o slogan da Copa de 2014 no Brasil. "Juntos num só ritmo". Não chega a ser horroroso, mas também passa longe de empolgar.

Pra ser sincero, é um baita de um clichê! A justificativa é que a frase sintetiza a alegria e a musicalidade do país e blablabla.


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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pague para não ver

Se você não tem TV por assinatura, deve se achar um sujeito privado de ver os programas mais interessantes, os jogos mais importantes e os melhores filmes. Porém, acredite, sua situação não é muito diferente do seu vizinho cliente de uma operadora que oferece 150 canais.

Talvez você não lembre, mas quando as grandes empresas de televisão a cabo ou via satélite apareceram no Brasil e começaram a ganhar força - lá no começo dos anos 1990 -, a promessa era de que, mediante uma mensalidade específica pelo serviço, o assinante poderia ver tudo aquilo que não passava nos canais abertos, seja por questão de estilo das emissoras comuns ou simplesmente porque alguns poucos canais abertos não dariam conta de mostrar tamanha variedade de programação disponível.

Passados pouco mais de 20 anos da chegada da TV por assinatura ao país, o que se vê são geradoras de programas e operadoras que fazem de tudo para faturar cada vez em cima dos seus clientes. Para tanto, fazem com que um serviço tão caro e com inúmeros canais seja cada vez mais excludente.

Um exemplo? Se você gosta de esportes, por mais completo que seja seu pacote, com direito a todos os canais do gênero, o mais importante sempre será cobrado à parte da sua assinatura. É o que acontece com o futebol, em que as operadoras contam com três canais SporTV (detentores dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro) e mesmo assim transmitem apenas duas partidas das 10 disputadas a cada rodada. O restante dos jogos - onde muito provavelmente estará o do seu time - somente para quem estiver disposto a pagar pelo menos mais R$ 61,17 mensais para abrir o sinal dos canais Premiere Futebol Clube.

Não é muito diferente para os apreciadores de lutas ou de basquete. Quem quiser assistir ao vivo às disputas do Ultimate Fighting Championship precisa desembolsar R$ 50,90 todo mês pelo canal. Já os fãs da NBA, para ter acesso a mais partidas da liga, têm a opção de ceder mais R$ 59,90 do seu orçamento - uma única parcela - à Sky, que oferece canais com jogos ao vivo, porém com narração e comentários em inglês.

Filmes também são explorados

E não só quem assiste esportes está sujeito à esperteza da TV paga. Cinéfilos também estão entre aqueles alvos preferenciais das operadoras. Por mais que se inclua no pacote de canais as opções para ver filmes (Telecine e HBO, principalmente), só será possível assistir os últimos lançamentos através do pay per view, em que cada sessão é paga e os valores variam entre as operadoras.

Resumo da história: a cada dia a programação das TVs por assinatura vai ficando mais restrita, excludente. Tudo aquilo de melhor, ou pelo menos de mais atraente ao cliente, vira objeto extra no pacote de serviços. Assim, no final das contas, o cliente que investe seu precioso dinheiro em um recheado pacote de canais acaba pagando para não ver.

Ou isso ou cede ao mercenarismo de geradoras e operadoras.

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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Uma década do maior fiasco do automobilismo brasileiro

“Hoje não, hoje não! Hoje sim! Hoje sim?!”

Cléber Machado jamais descreveu e jamais transmitirá gol algum capaz de ser mais marcante do que a antológica e broxante narração acima.

Neste sábado completará dez anos que o automobilismo brasileiro passou por uma vergonha que, se não é a maior desse esporte, certamente está marcada na história. No dia 12 de maio de 2002, durante o GP da Áustria de Formula 1, Rubens Barrichello submeteu-se ao jogo de equipe da Ferrari e entregou a corrida ao seu companheiro de escuderia, Michael Schumacher, a poucos metros da linha de chegada.

Barrichello liderava a corrida a oito voltas do final quando recebeu ordens pelo rádio para que diminuísse o ritmo, possibilitando ao piloto alemão a ultrapassagem e a consequente vitória na sexta etapa do campeonato daquele ano. Porém, o "presente" a Schumacher só foi entregue após a última curva, a menos de 50 metros do final. A estratégia visava naquele momento ampliar a liderança do alemão no mundial de pilotos (encerrou a corrida com 54 pontos, o dobro do segundo colocado, Juan Pablo Montoya) e consolidar a Ferrari na ponta do mundial de construtores (após o GP da Hungria, 66 pontos para a escuderia vermelha e 50 para a rival Williams). Desnecessário, já que Schumacher havia vencido quatro das cinco primeiras provas e ao final da temporada conquistaria o título com 144 pontos, quase o dobro dos 77 pontos do vice-campeão Barrichello.

Assista - e envergonhe-se - com a última volta
do GP da Áustria e o pódio.


Hoje, uma década após o fiasco, o brasileiro segue dando explicações e tentando justificar o injustificável. "Fui até o final, até a última curva, falando que não ia deixar ele passar. Até que eles falaram algo relacionado a alguma coisa mais ampla. Não era contrato. Era uma situação que deixou no ar. Eu não posso contar o que eles falaram, mas foi uma forma de ameaça que me fez refletir se eu teria de repensar a minha vida, porque o grande barato para mim era guiar", disse Barrichello em entrevista à edição da revista Playboy deste mês.

Getty Images
A decepção foi tão grande naquele GP que os dois pilotos da Ferrari foram vaiados no pódio. Constrangido, Schumacher cedeu seu troféu e o lugar no topo ao colega que entregou a corrida. Pressionada pelo descrédito da Formula 1 perante seus fãs, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) viria depois a alterar as regras para tentar coibir o jogo de equipe.

Não adiantou muita coisa. Embora nunca mais tenha ocorrido incidente tão ridículo quanto aquele protagonizado pela dupla da Ferrari, os torcedores passaram a desconfiar de tudo e a manipulação dos resultados pelas equipes tornou-se praticamente oficial.

Ferrari e Schumacher são atores desse fracasso do esporte. Porém, coadjuvantes. A estrela maior desse episódio lamentável é o subserviente Rubens Barrichello. Poderia hoje ser lembrado como o piloto que bateu no peito e encarou a poderosa escuderia italiana. Isso se tivesse uma ponta de brios e ambição por conquistas – e não pelo gordo salário.

Mas não. Ao invés disso, saiu da Formula 1 pelos fundos, marcado apenas como o sujeito que em 19 anos na categoria teve a oportunidade de guiar o melhor carro por anos e tudo o que fez foi guardar lugar para os títulos de Schumacher. Fica na história por um fiasco. E dos grandes.



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terça-feira, 8 de maio de 2012

Flashes de programação

Houve um tempo em que a televisão era feita de programas e os comerciais eram apenas intervalos curtos entre um bloco e outro das atrações. Hoje não é mais assim, virou o contrário.

Nem percebemos, mas a inversão da lógica foi ocorrendo aos poucos - e continua acontecendo -, tanto que agora raras são as chances de se assistir algo na TV sem a contaminação da publicidade.

Qualquer programa tem um "merchan" infiltrado. Uns mais descarados, onde o apresentador interrompe até mesmo uma notícia trágica para anunciar que nos próximos cinco minutos ("tem que ligar agora!") a sensacional Tekpix vai sair com 80% de desconto, outros mais discretos, aparecendo no cenário ou no fundo de uma cena um enorme logotipo daquele banco que te liga toda semana oferecendo cartão de crédito.

Junte-se a isso os intervalos comerciais cada vez mais longos, em que os tradicionais dois minutos de alguns anos atrás se transformaram em eternos quatro ou cinco minutos, e o resultado disso é que praticamente todo o tempo em frente à TV somos obrigados a engolir uma propaganda.

Para piorar, agora o SBT lançou mão de um expediente que, tomara, não pode virar moda. Durante algum dos programas da emissora, pisca repentinamente na tela uma chamada para outra atração. Coisa rápida, menos de um segundo. Mas o suficiente para chamar a atenção e absorver a marca. O canal do Senor Abravanel está fazendo isso para promover a nova versão da novela infanto-juvenil Carrossel (veja no vídeo abaixo como funciona o anúncio).


Ou seja, a inserção de propagandas na programação está sem controle. E não é só nos canais abertos, na TV paga é bem parecido, já que os programas são cada vez mais curtos e os comerciais entre eles cada vez maiores. Um seriado de uma hora, por exemplo, tem em média 40 minutos apenas. Os 20 minutos restantes são dedicados aos patrocinadores. Ou seja, 1/3 do tempo no sofá temos que aguentar publicidade. Um exagero, convenhamos.

Do jeito que vai, qualquer dia ligaremos a TV e teremos flashes de programação entre um comercial e outro. E acho que isso não está longe.

terça-feira, 1 de maio de 2012

18 anos sem Formula 1

1º de Maio de 1994, 13h42. Quem estava em frente à TV naquele domingo nunca vai esquecer.

Há 18 anos morria Ayrton Senna, três vezes campeão mundial de Formula 1 e maior ídolo do esporte brasileiro na era pós-Pelé. Na curva Tamburello - esse nome jamais sairá da cabeça - no circuito de Ímola, na Itália, Senna bateu sua Williams a 300 Km/h.

Em dez anos de Formula 1, disputou 161 corridas, venceu 41 e conquistou 62 pole positions. Foi o herói de um país inteiro em tempos difíceis, quando a miséria, o desemprego e a inflação absurda sufocavam a auto-estima dos brasileiros. E nesse cenário, Senna era a imagem de um Brasil vencedor, de um Brasil que dava certo.

Getty Images
Senna no pódio após a memorável vitória em Interlagos em 1991. Com apenas duas marchas da MacLaren funcionando, levou o carro até o final e conquistou sua primeira vitória no Brasil.







Com a sua morte, o país parou. Difícil conhecer alguém que não passou aquele domingo e os dias que se seguiram com a sensação de luto, como se tivesse perdido um grande amigo.

Desde o 1º de Maio de 1994, os domingos dos brasileiros não foram mais os mesmos. Poucos são aqueles que continuam tendo o prazer de ficar duas horas em frente à televisão acompanhando um grande prêmio.

Até porque, grandes pilotos apareceram após a morte de Senna e outros aparecerão. Os recordes foram batidos. Mas o que importava em Senna não eram seus números. Ele foi muito mais do que isso. Algo difícil de explicar.

Só quem é capaz de se emocionar assistindo as imagens das suas vitórias e derrotas entende.

Sem Senna, a Formula 1 jamais foi e jamais será o mesmo esporte. Pelo menos para os brasileiros.

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sexta-feira, 27 de abril de 2012

FutCétera: Copa Ubarrarrá!

Não sei se todo mundo já ouviu essa expressão, mas lá pros lados de Pinheiro Machado e demais cidades da região da Campanha, costuma-se usar o "ubarrarrá!" - assim mesmo, exclamativo - quando alguma coisa é feita sem pensar, aos trancos e barrancos. A Libertadores, de forma geral, é mais ou menos assim, feita e jogada no ubarrarrá.

A promoção do torneio é amadorística demais. Não precisa tão cheia de frescuras quanto uma Champions League, mas um pouco de capricho e organização não fariam mal à principal competição de clubes do continente americano. Só que isso é história pra outro texto.

O que importa agora é o jeito que os times jogam a Libertadores. Tá cheio de teórico do futebol explicando que o Fulano joga no 4-2-3-1, ou no 4-4-2 com "wingers" e o cacete. Mas de quê adianta tudo isso se, no final das contas, o que se vê na maioria dos jogos é a tática do ubarrarrá?!

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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Novo (sub) blog

Se por acaso ainda não deu pra perceber, aí no topo do blog agora tem um link para outra página. É uma espécie de divisão que fiz, como se fosse um sub blog.

Lá no FutCétera o assunto vai ser futebol e, eventualmente, alguma outra coisa sobre esporte. Resolvi fazer isso porque não queria "contaminar" esse blog com excesso desse tema.

Passa lá!

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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Vendo Astra

Já que o blog é meu e não pago para anunciar, vou aproveitar.

Astra CD Hatch
> Ano 2003
> 65 mil Km
> Quatro portas
> Direção hidráulica
> Volante com regulagem de altura e profundidade
> Banco do motorista com regulagem de altura
> Ar condicionado digital
> Vidros, espelhos e travas elétricas
> Airbag
> Alarme
> Som Pioneer com CD, MP3 e Bluetooth (entrada USB e cartão SD)

Clica na foto para ampliar

Interessado?
Manda e-mail para vinnyperaca@gmail.com


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terça-feira, 3 de abril de 2012

Problemas com as teles? Liga pra Anatel!

Todos - você, eu, a mãe do Badanha - já nos incomodamos pelo menos uma vez com operadoras de telefonia, TV a cabo ou Internet.

Existe uma série de expedientes conhecidos usados pelas empresas para nos enrolar toda vez que precisamos ligar para cancelar uma linha ou reclamar de um serviço. Ou afirmam que sua solicitação não pode ser atendida por algum motivo absolutamente obscuro e mal explicado; ou transferem a ligação para 154 setores responsáveis que não conseguem resolver a solicitação; ou o sistema está fora do ar e você deve ligar em alguns minutos novamente; ou, essa a melhor de todas, simplesmente desligam na sua cara. Isso quando não ocorre a união de duas ou mais artimanhas dessas na mesma ligação.

Pois bem, já perdi as contas de quantas vezes perdi a paciência com tais contratempos. Até que um dia resolvi levar a sério uma recomendação que é feita pelo governo para casos de insatisfação com o serviço ou atendimento das teles: acionar a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) através do telefone 1331. E deu resultado. Em todas as vezes que liguei para reclamar, que não foram poucas.

Sob pressão da Anatel, operadoras não só resolvem como, às vezes,
fazem um "carinho" no cliente

Já registrei queixa de operadora de Internet (3G e banda larga residencial), operadora de celular e TV a cabo. Coincidentemente, sempre tive meus pedidos atendidos e, em alguns casos, como "pedido de desculpas" ainda ganhei alguns pequenos benefícios.

O caso mais recente foi o da GVT TV. Recebi uma correspondência da operadora oferecendo os serviços. Interessado, cancelei a TV por assinatura que tinha naquele momento e liguei para a GVT para contratar o pacote de TV, Internet e telefonia. Porém, fiz uma ponderação: não tenho sequer aparelho de telefone  fixo em casa, não uso. Portanto, queria um pacote que excluísse cobrança de tal serviço, visto que não usaria.

Depois de conhecer as opções disponíveis de pacote, fechei com o atendente pelo valor de R$ 209 (R$ 129 da TV e R$ 80 da Internet. Pelo telefone fixo não seria cobrada qualquer franquia, somente caso eu viesse a usar o serviço).

Mas para minha surpresa, a conta de março veio com um valor de R$ 244 (R$ 35 acima do contratado). O motivo? Franquia do telefone fixo!

Liguei para reclamar e a atendente - muito educada e atenciosa, por sinal - disse que não havia possibilidade de eu ter um pacote com o valor de R$ 209, que possivelmente houve um erro na hora de contratar o serviço. Contrapus apresentando o número do protocolo, o horário e o nome do atendente do dia em que liguei para contratar (sim, sempre tenho o cuidado de anotar tudo isso) e a lembrei de que todo o diálogo havia sido gravado, conforme a própria operadora alerta no momento do contato. Não adiantou.

Acredite, em até cinco dias a solução aparece como mágica

Liguei para a Anatel e registrei a reclamação formal. Como de praxe, deram cinco dias úteis para que a operadora entrasse em contato comigo para solucionar o impasse. Três dias depois, recebi a esperada ligação. O resultado é que a cobrança indevida - antes impossível de ser corrigida - não só foi retirada como também ganhei um desconto "para compensar pelos transtornos". De R$ 209, minha fatura mensal será reduzida para R$ 193.

Pode parecer besteira, mas o fato é que se tivesse me conformado com a primeira explicação da GVT e não tivesse acionado a Anatel, estaria pagando R$ 244 por mês. Em um ano, daria de presente à operadora R$ 420 a mais do que o combinado no momento da assinatura. por ter buscado meus direitos, não só deixei de rasgar toda essa grana como vou poupar em 12 meses R$ 192.

Por isso sempre que vejo alguém choramingando por problemas com as teles, recomendo fortemente ligar para a Anatel. Infelizmente, é o único jeito de ter uma solução.


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>> McDonald's: serviço ruim e SAC protocolar

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domingo, 1 de abril de 2012

Quando o personagem é a notícia

A Zero Hora deste domingo (dia 1º) traz em sua página 6 uma matéria que, se não causa o mesmo impacto de uma denúncia de corrupção ou crime violento ou fato esportivo, merece ser lida por dizer muito sobre um personagem sem que grandes produções fossem necessárias para isso.

O repórter Fábio Schaffner acompanhou em Brasília a rotina de um dia de trabalho do deputado federal Marco Maia (PT-RS). Mas não um dia qualquer. Seguiu os passos do presidente da Câmara em um dos três dias em que foi elevado ao cargo de Presidente da República - devido a viagens oficiais da presidente Dilma Rousseff e do vice, Michel Temer, Maia assumiu o posto entre os dias 26 e 28 de março.

O resultado é uma matéria ("Presidente por três dias") que não tem qualquer grande fato, pelo menos não conforme estamos acostumados a ler com mais frequência. Ou seja, nenhum anúncio oficial ou escândalo. A notícia, neste caso, é o comportamento do homem que ocupou o principal posto do país durante alguns dias.  O que mostra coisas interessantes. Vale a pena ler. Abaixo, um trechinho:

* * *

"Embora tenha evitado sentar-se na cadeira de Dilma, a informalidade do petista irritou a equipe palaciana. No dia anterior, ele já havia quebrado o protocolo ao receber manifestantes em greve de fome que haviam se acorrentado em frente ao Planalto.

– Aqui, calado o cara já está sem razão. Imagina falando – desabafou um auxiliar de Dilma, constrangido com a movimentação atípica na antessala presidencial.

A impaciência aumentou no fim da tarde, quando convocou uma entrevista coletiva. Em 15 meses de governo, Dilma jamais havia tomado iniciativa semelhante. Nas viagens da presidente, Temer nem sequer cogitara ocupar o gabinete presidencial, quanto mais chamar a imprensa.

– O que ele vai anunciar? Que o Diário Oficial de amanhã vai trazer a independência do Rio Grande do Sul? – ironizou um repórter."


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>> Tolerância à bala

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terça-feira, 27 de março de 2012

Tolerância à bala

Desde que pintaram a sede do Comando Regional de Polícia Ostensiva do Sul (CRPO/Sul), em Pelotas, toda vez que passo por ali penso em escrever no blog sobre o novo colorido e esqueço.

Mas hoje, ao abrir a página 8 do Diário Popular e dar de cara com a matéria “Colorido do CRPO divide opiniões”, corri para o computador. O texto fala sobre os diferentes pontos de vista que os pelotenses têm a respeito do visual atípico para uma fachada de instituição de segurança pública.

Reprodução Diário Popular (27/03/12)
Embora eu também considere estranha a mistura de amarelo, vermelho, verde, azul e preto usada no prédio – deixando com uma cara de escolinha infantil –, tendo a concordar com a opinião do coronel Flávio Lopes, comandante do CRPO/Sul. Diz ele que a pintura “não agride nem ofende ninguém” e que “visa estimular a tolerância”.

Acho estranha é a justificativa para o padrão “colorbar” da artista plástica responsável pela ideia, Maria Tomaselli Cirne Lima. Segundo ela, a nova fachada estimularia os policiais a exercitarem mais o lado direito do cérebro, responsável por sentimentos, crenças, símbolos e imagens, ao invés de concentrarem o uso do hemisfério esquerdo, o da lógica, conhecimentos práticos, palavras e linguagem. No mínimo curioso, já que o esperado de um agente de segurança pública é justamente que use da melhor forma possível a lógica e os conhecimentos práticos da função que exerce. Correto?

No entanto, nada me chamou mais a atenção nessa história de que a instituição quer passar uma imagem de tolerância do que a feliz imagem do repórter fotográfico Jô Folha que ilustra a matéria. Nela aparece o prédio com todas suas cores ao fundo e, em primeiro plano, salta aos olhos o desenho de duas grandes armas na parede, cruzadas.

Ou seja: noves fora toda a discussão pró e contra a “escolinha” do CRPO/Sul, o que a foto parece dizer ao leitor do Diário Popular é mais ou menos o seguinte: “Ser bonzinho tem limites. Se pretear o olho da gateada esse negócio de tolerância vai ser resolvido à bala!”


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>> Coleta de lixo reciclável de Pelotas: coisa de jerico

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domingo, 18 de março de 2012

Criatividade

Campanha da agência de publicidade alemã Jung von Matt.
Uma prova de que nada supera a criatividade.





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