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terça-feira, 27 de março de 2012

Tolerância à bala

Desde que pintaram a sede do Comando Regional de Polícia Ostensiva do Sul (CRPO/Sul), em Pelotas, toda vez que passo por ali penso em escrever no blog sobre o novo colorido e esqueço.

Mas hoje, ao abrir a página 8 do Diário Popular e dar de cara com a matéria “Colorido do CRPO divide opiniões”, corri para o computador. O texto fala sobre os diferentes pontos de vista que os pelotenses têm a respeito do visual atípico para uma fachada de instituição de segurança pública.

Reprodução Diário Popular (27/03/12)
Embora eu também considere estranha a mistura de amarelo, vermelho, verde, azul e preto usada no prédio – deixando com uma cara de escolinha infantil –, tendo a concordar com a opinião do coronel Flávio Lopes, comandante do CRPO/Sul. Diz ele que a pintura “não agride nem ofende ninguém” e que “visa estimular a tolerância”.

Acho estranha é a justificativa para o padrão “colorbar” da artista plástica responsável pela ideia, Maria Tomaselli Cirne Lima. Segundo ela, a nova fachada estimularia os policiais a exercitarem mais o lado direito do cérebro, responsável por sentimentos, crenças, símbolos e imagens, ao invés de concentrarem o uso do hemisfério esquerdo, o da lógica, conhecimentos práticos, palavras e linguagem. No mínimo curioso, já que o esperado de um agente de segurança pública é justamente que use da melhor forma possível a lógica e os conhecimentos práticos da função que exerce. Correto?

No entanto, nada me chamou mais a atenção nessa história de que a instituição quer passar uma imagem de tolerância do que a feliz imagem do repórter fotográfico Jô Folha que ilustra a matéria. Nela aparece o prédio com todas suas cores ao fundo e, em primeiro plano, salta aos olhos o desenho de duas grandes armas na parede, cruzadas.

Ou seja: noves fora toda a discussão pró e contra a “escolinha” do CRPO/Sul, o que a foto parece dizer ao leitor do Diário Popular é mais ou menos o seguinte: “Ser bonzinho tem limites. Se pretear o olho da gateada esse negócio de tolerância vai ser resolvido à bala!”


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