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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Não é Pelotas, mas poderia ser

A foto ao lado não é de uma rua de Pelotas. Porém, a técnica para asfaltamento é semelhante à usada em muitas vias da cidade onde se jogou pavimento sobre tudo para depois levar em conta que havia tampas em alguns pontos.

O resultado é que há locais em que foi preciso retirar o asfalto colocado sobre as tampas, deixando um baita desnível. Na desatenção, os pneus e amortecedores dos carros é que sofrem com os buracos.

domingo, 21 de novembro de 2010

Homenagem fora de época

Tem cabimento colocar um outdoor do tamanho do Rio Grande em plena avenida Bento Gonçalves, próximo ao quartel da Brigada Militar de Pelotas, comemorando o Dia do Soldado?

Mais absurdo ainda é que a homenagem foi colocada na rua somente agora, no mês de novembro. E, como a própria placa indica, o Dia do Soldado é celebrado em 25 de agosto.

Alguém pode explicar isso?



A foto foi feita dia 21/11. Não ficou grande coisa, pois foi batida do celular e de dentro do carro. Mas dá pra ter noção do tamanho da placa. Bem no meio do passeio da avenida Bento. Ao fundo, o McDonalds, que fica em frente ao quartel da BM.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Novembro é o mês do árbitro louco

Agosto é considerado pelos supersticiosos como o "mês do cachorro louco", de mau agouro. Tem gente que não marca compromissos importantes neste período. Adiam-se casamento, cancelam-se viagens e os cuidados são redobrados.

Mas existe um grupo de pessoas que não liga para os problemas que agosto pode causar. A preocupação chega alguns meses depois. Estes caras são os árbitros do Brasileirão. É em novembro que o bicho pega e todo tipo de maldição começa a aparecer na vida dos homens do apito.

Impedimentos duvidosos, gols irregulares, pênaltis "mandrakes" e toda espécie de jogada que rende caronas no camburão para deixar o estádio. Isso sem contar os jogadores e técnicos enlouquecidos querendo esgoelar o juizão. E as capas de jornais do dia seguinte? E os comentaristas que nunca leram o livro de regras do futebol mas julgam os árbitros com a ajuda de 30 câmeras?!



Bem fez o Gaciba (ao lado). Abandonou o apito para ser comentarista antes de ser atingido pela maldição de novembro. E se livrou também de seguir usando camisas roxas, amarelas, azul calcinha...
(Foto: Agência Lance!)



Coitados dos homens de preto. Aliás, abre parênteses, nem preto vestem mais. A maioria é obrigada hoje a vestir uniformes que mais parecem abadás dos trios elétricos de Salvador, de tão coloridos que são. Verde limão, rosa choque, azul calcinha. Por Deus, como um sujeito vestido como um cantor de axé music pode ser respeitado dentro de campo. Por isso que todo mundo põe o dedo na cara dos árbitros! Fecha parênteses.

Voltando ao mês de novembro. Pode prestar atenção, todo ano é a mesma coisa. É arrancar a página de outubro do calendário para que o inferno das arbitragens comece. E os jornalistas ficam horas debatendo "a crise na arbitragem brasileira". Manipulação, falta de profissionalismo, ruindade mesmo... Tem todo tipo de explicação.

Mas o fato é um só: é reta final de Brasileirão. Os erros que tiram o sono dos árbitros em novembro são os mesmos que ocorrem o ano inteiro. A diferença é que lá nas primeiras rodadas todo mundo é índio. Ninguém assumiu o posto de cacique pra brigar pelo título ou por G-4 ou o escambau. As falhas passam batidas.

No final do ano não, as coisas são diferentes. Já tem gente se estapeando pela taça, por vaga na Libertadores ou até para continuar na Série A. Daí, queridão, tudo muda. A faltinha no meio-campo que em outubro nem replay merecia, agora é jogada crucial, com direito a dez repetições e análises detalhadas dos comentaristas de arbitragem.

E quer saber? Vai continuar assim. A choradeira é livre e todas essas polêmicas só vão ter fim quando a arbitragem de futebol seguir o exemplo de outros esportes e passar a usar a tecnologia para tirar dúvidas. Não estou defendendo uma arbitragem tipo futebol americano, onde os lances podem ser revistos milhares de vezes no telão do estádio. Só acho covardia julgar um árbitro sentado numa cabine de TV vendo o lance por 15 ângulos diferentes enquanto o sujeito só tem à disposição um apito, um radinho na orelha e poucos segundos para avaliar o lance.

Enquanto não se encontra uma solução pra isso, tem juizão Brasil afora torcendo pra não cair no sorteio da CBF em novembro. Pelo menos não naqueles jogos que decidem algo. Melhor é apitar um Vasco e Ceará da vida. Ou, esta sim a solução dos sonhos dos árbitros, ver chegar o fim de novembro.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Celular sem frescura

Fotos: Newsteam
Finalmente inventaram um celular praquele seu tiozão grosso que não consegue entender nem 10% das (in)utilidades do aparelho que carrega no bolso. É o John's Phone. No popular, o "telefone do João". Olha só aí ao lado.

Criado por uma empresa holandesa também de nome estranho, a John Doe (algo do tipo "João Ninguém"), esse telefone tem apenas dois objetivos: fazer e receber chamadas. Nem mesmo mensagens SMS podem ser enviadas do John's Phone, quem dirá então "enfeites" como acesso a Internet, câmera fotográfica e outras coisas comuns nos smart phones atuais. São apenas as teclas com os números, uma verde para atender, uma vermelha para cancelar a chamada, um botão liga/desliga e outro para regular o toque do aparelho. Sem display.

Mas aí o espertão deve estar perguntando: "Se esse celular não tem tela, também não tem agenda de contatos?". Calma, também não se chegou a este extremo. O telefone do João tem, sim, agenda. E com acesso possível a qualquer momento, até mesmo sem o aparelho. É um bloquinho de papel que pode ser acoplado na parte de trás, com uma canetinha, pro sujeito anotar à mão os números de telefones. É ou não é uma baita ideia?! Portabilidade, ora!

Por enquanto esse celular ainda não apareceu no Brasil. Mas o preço dele na Europa é de 67 libras, equivalente a 184 pilas no Brasil. Se pintar por aqui com esse preço, é uma barbadinha. E de quebra ainda vai parar com as reclamações do tiozão bagual que mal consegue atender o telefone cheio de teclas que ganhou de presente no Natal passado.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Mayara não tem culpa. Tem coisa pior!

O episódio em que a estudante de Direito Mayara Petruso expõe toda sua ignorância via Twitter incitando a violência contra nordestinos não merece mais do que apenas algumas linhas de comentários reprovatórios. Afinal, estamos falando apenas de mais uma jovem de classe média-alta que, bem acomodada diante de seu notebook pago pelos pais, dispara imbecilidades na Internet como fazem outros milhares adolescentes diariamente. Comom diriam Faustão e José Trajano, "a Internet é o penico do mundo". Pode soar como exagero, mas não deixa de ter um fundo de verdade.

Problema maior é quando a imbecilidade e o preconceito partem de onde jamais poderiam germinar. Por exemplo? A imprensa e os educadores.

Escrevo isso contaminado por dois episódios que relato rapidamente a seguir:

1) A "explicação" do comentarista da RBS TV de Santa Catarina, Luiz Carlos Prates, para o elevado número de acidentes nas estradas durante o último feriadão. De peito estufado como um legítimo dono da verdade, joga a culpa pelas mortes no trânsito nas famílias de classe média-baixa usando a seguinte lógica: "Hoje qualquer miserável tem um carro. O sujeito jamais leu um livro, mora numa gaiola que chama de apartamento, não tem nenhuma qualidade de vida, mas tem um carro na garagem!" Genial, não?! A culpa é do pobre que tem carro, ora. O rico não causa acidentes, mesmo que desrespeite qualquer lei de trânsito. Como não pensei nisso antes?! (Perca seu tempo assistindo aqui)

2) Essa também é forte. Uma professora de Psicologia da Faculdade Anhanguera de Pelotas, elucidando esta semana a seus alunos a vida como ela é. Afirma ela que o filho de um casal pobre nasce para ser pobre. Segundo a nobre "educadora", não há solução: a mentalidade de pobre permanecerá sempre como uma barreira ao sucesso. Insinua até que talvez seja um componente genético. Questionada por um aluno que cita exemplos de sujeitos que cresceram social e profissionalmente mesmo nascendo pobres, a psicóloga conclui: "São exceções". Bom saber que é este o tipo de gente que está formando os futuros professores, não é verdade?

É por essas e outras que não vale a pena debater a boçalidade do que uma patricinha escreve no Twitter. Se um sujeito com espaço nobre em uma das mais importantes emissoras de TV do país pode jogar a culpa de acidentes de trânsito nos pobres, assim como uma formadora de educadores pode dizer que "filho de pobre, pobre será", porque perder tempo com as idiotices ditas por uma internauta? Ela não passa de mais vítima exposta ao oportunismo e mediocridade presentes em setores fundamentais ao desenvolvimento da sociedade, como a mídia e a universidade. É por aí.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Imprensa brasileira e a perda da credibilidade

Encerrada a eleição presidencial, arrisco dizer que o mais importante neste momento não é discutir o perfil da futura presidente, a formação de seu governo ou os desafios que terá ao substituir Lula. Até que Dilma receba a faixa, seria fundamental, para o bem da democracia, que a sociedade discutisse o papel da mídia e a imprensa brasileira passasse por um processo de auto análise.

Durante muito tempo houve quem defendesse que os principais jornais, revistas e TVs do país assumissem publicamente suas posições políticas. Algo nos moldes norte-americanos, onde a imprensa declara sua preferência diante dos candidatos que disputam a Presidência, por exemplo.

Este ano a mídia brasileira tentou seguir este rumo. Só que se perdeu no caminho. Confundiu posição política com panfletagem. Ao invés de posicionar-se diante dos projetos dos candidatos ou suas ideologias, os jornalões, revistões e grandes redes de TV optaram pelo caminho mais simplório, dividindo-se em dois grupos opostos: os anti-PT e os anti-PSDB.

Como se tivessem reis na barriga, os jornalistas colocaram-se num pedestal e se acharam no direito de rotular a campanha presidencial como "de baixo nível". Só esqueceram de analisar seu próprio papel nisso tudo. Capas de revistas alarmantes e a desqualificação dos candidatos foram os artifícios mais usados pela imprensa nestas eleições. Tudo na tentativa de manipular a opinião dos eleitores e jogar a favor do seu "escolhido". Raras foram as oportunidades em que se teve acesso a uma análise real do que representaria a vitória de petistas ou tucanos. Afinal, é muito mais fácil e lucrativo vender escândalos do que fazer jornalismo de verdade.

Fica a impressão de que a mídia brasileira, tão temerosa pela perda de seus direitos, ainda não aprendeu a lidar com a liberdade que possui. Ao tentar se mostrar independente e capaz de assumir posições, perdeu completamente a credibilidade. Pode até ter faturado alguns trocados com vendas ou ampliado a audiência, mas levará consigo o déficit pela perda da capacidade de informar. E este é um patrimônio muito difícil de recuperar.