
O episódio em que a estudante de Direito Mayara Petruso expõe toda sua ignorância via Twitter incitando a violência contra nordestinos não merece mais do que apenas algumas linhas de comentários reprovatórios. Afinal, estamos falando apenas de mais uma jovem de classe média-alta que, bem acomodada diante de seu notebook pago pelos pais, dispara imbecilidades na Internet como fazem outros milhares adolescentes diariamente. Comom diriam Faustão e José Trajano, "a Internet é o penico do mundo". Pode soar como exagero, mas não deixa de ter um fundo de verdade.
Problema maior é quando a imbecilidade e o preconceito partem de onde jamais poderiam germinar. Por exemplo? A imprensa e os educadores.
Escrevo isso contaminado por dois episódios que relato rapidamente a seguir:
1) A "explicação" do comentarista da RBS TV de Santa Catarina, Luiz Carlos Prates, para o elevado número de acidentes nas estradas durante o último feriadão. De peito estufado como um legítimo dono da verdade, joga a culpa pelas mortes no trânsito nas famílias de classe média-baixa usando a seguinte lógica: "Hoje qualquer miserável tem um carro. O sujeito jamais leu um livro, mora numa gaiola que chama de apartamento, não tem nenhuma qualidade de vida, mas tem um carro na garagem!" Genial, não?! A culpa é do pobre que tem carro, ora. O rico não causa acidentes, mesmo que desrespeite qualquer lei de trânsito. Como não pensei nisso antes?! (Perca seu tempo assistindo aqui)
2) Essa também é forte. Uma professora de Psicologia da Faculdade Anhanguera de Pelotas, elucidando esta semana a seus alunos a vida como ela é. Afirma ela que o filho de um casal pobre nasce para ser pobre. Segundo a nobre "educadora", não há solução: a mentalidade de pobre permanecerá sempre como uma barreira ao sucesso. Insinua até que talvez seja um componente genético. Questionada por um aluno que cita exemplos de sujeitos que cresceram social e profissionalmente mesmo nascendo pobres, a psicóloga conclui: "São exceções". Bom saber que é este o tipo de gente que está formando os futuros professores, não é verdade?
É por essas e outras que não vale a pena debater a boçalidade do que uma patricinha escreve no Twitter. Se um sujeito com espaço nobre em uma das mais importantes emissoras de TV do país pode jogar a culpa de acidentes de trânsito nos pobres, assim como uma formadora de educadores pode dizer que "filho de pobre, pobre será", porque perder tempo com as idiotices ditas por uma internauta? Ela não passa de mais vítima exposta ao oportunismo e mediocridade presentes em setores fundamentais ao desenvolvimento da sociedade, como a mídia e a universidade. É por aí.
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