Encerrada a eleição presidencial, arrisco dizer que o mais importante neste momento não é discutir o perfil da futura presidente, a formação de seu governo ou os desafios que terá ao substituir Lula. Até que Dilma receba a faixa, seria fundamental, para o bem da democracia, que a sociedade discutisse o papel da mídia e a imprensa brasileira passasse por um processo de auto análise.
Durante muito tempo houve quem defendesse que os principais jornais, revistas e TVs do país assumissem publicamente suas posições políticas. Algo nos moldes norte-americanos, onde a imprensa declara sua preferência diante dos candidatos que disputam a Presidência, por exemplo.

Este ano a mídia brasileira tentou seguir este rumo. Só que se perdeu no caminho. Confundiu posição política com panfletagem. Ao invés de posicionar-se diante dos projetos dos candidatos ou suas ideologias, os jornalões, revistões e grandes redes de TV optaram pelo caminho mais simplório, dividindo-se em dois grupos opostos: os anti-PT e os anti-PSDB.
Como se tivessem reis na barriga, os jornalistas colocaram-se num pedestal e se acharam no direito de rotular a campanha presidencial como "de baixo nível". Só esqueceram de analisar seu próprio papel nisso tudo. Capas de revistas alarmantes e a desqualificação dos candidatos foram os artifícios mais usados pela imprensa nestas eleições. Tudo na tentativa de manipular a opinião dos eleitores e jogar a favor do seu "escolhido". Raras foram as oportunidades em que se teve acesso a uma análise real do que representaria a vitória de petistas ou tucanos. Afinal, é muito mais fácil e lucrativo vender escândalos do que fazer jornalismo de verdade.
Fica a impressão de que a mídia brasileira, tão temerosa pela perda de seus direitos, ainda não aprendeu a lidar com a liberdade que possui. Ao tentar se mostrar independente e capaz de assumir posições, perdeu completamente a credibilidade. Pode até ter faturado alguns trocados com vendas ou ampliado a audiência, mas levará consigo o déficit pela perda da capacidade de informar. E este é um patrimônio muito difícil de recuperar.
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