Agosto é considerado pelos supersticiosos como o "mês do cachorro louco", de mau agouro. Tem gente que não marca compromissos importantes neste período. Adiam-se casamento, cancelam-se viagens e os cuidados são redobrados.
Mas existe um grupo de pessoas que não liga para os problemas que agosto pode causar. A preocupação chega alguns meses depois. Estes caras são os árbitros do Brasileirão. É em novembro que o bicho pega e todo tipo de maldição começa a aparecer na vida dos homens do apito.
Impedimentos duvidosos, gols irregulares, pênaltis "mandrakes" e toda espécie de jogada que rende caronas no camburão para deixar o estádio. Isso sem contar os jogadores e técnicos enlouquecidos querendo esgoelar o juizão. E as capas de jornais do dia seguinte? E os comentaristas que nunca leram o livro de regras do futebol mas julgam os árbitros com a ajuda de 30 câmeras?!

Bem fez o Gaciba (ao lado). Abandonou o apito para ser comentarista antes de ser atingido pela maldição de novembro. E se livrou também de seguir usando camisas roxas, amarelas, azul calcinha...
(Foto: Agência Lance!)
Coitados dos homens de preto. Aliás, abre parênteses, nem preto vestem mais. A maioria é obrigada hoje a vestir uniformes que mais parecem abadás dos trios elétricos de Salvador, de tão coloridos que são. Verde limão, rosa choque, azul calcinha. Por Deus, como um sujeito vestido como um cantor de axé music pode ser respeitado dentro de campo. Por isso que todo mundo põe o dedo na cara dos árbitros! Fecha parênteses.
Voltando ao mês de novembro. Pode prestar atenção, todo ano é a mesma coisa. É arrancar a página de outubro do calendário para que o inferno das arbitragens comece. E os jornalistas ficam horas debatendo "a crise na arbitragem brasileira". Manipulação, falta de profissionalismo, ruindade mesmo... Tem todo tipo de explicação.
Mas o fato é um só: é reta final de Brasileirão. Os erros que tiram o sono dos árbitros em novembro são os mesmos que ocorrem o ano inteiro. A diferença é que lá nas primeiras rodadas todo mundo é índio. Ninguém assumiu o posto de cacique pra brigar pelo título ou por G-4 ou o escambau. As falhas passam batidas.
No final do ano não, as coisas são diferentes. Já tem gente se estapeando pela taça, por vaga na Libertadores ou até para continuar na Série A. Daí, queridão, tudo muda. A faltinha no meio-campo que em outubro nem replay merecia, agora é jogada crucial, com direito a dez repetições e análises detalhadas dos comentaristas de arbitragem.
E quer saber? Vai continuar assim. A choradeira é livre e todas essas polêmicas só vão ter fim quando a arbitragem de futebol seguir o exemplo de outros esportes e passar a usar a tecnologia para tirar dúvidas. Não estou defendendo uma arbitragem tipo futebol americano, onde os lances podem ser revistos milhares de vezes no telão do estádio. Só acho covardia julgar um árbitro sentado numa cabine de TV vendo o lance por 15 ângulos diferentes enquanto o sujeito só tem à disposição um apito, um radinho na orelha e poucos segundos para avaliar o lance.
Enquanto não se encontra uma solução pra isso, tem juizão Brasil afora torcendo pra não cair no sorteio da CBF em novembro. Pelo menos não naqueles jogos que decidem algo. Melhor é apitar um Vasco e Ceará da vida. Ou, esta sim a solução dos sonhos dos árbitros, ver chegar o fim de novembro.
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