Admiro muito o Portaluppi. O técnico do Grêmio foi um jogador habilidoso, de partir para cima, de atacar o adversário até deixa-lo para trás, constrangido pelo drible, assistindo o restante do lance que virava gol na sequência. Respeito o Renato por isso, claro, mas principalmente por não ter vergonha na cara.
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| Vergonha de jogar feio? Renato não tem. (Foto: Lucas Uebel, Grêmio) |
O time do Grêmio treinado pelo Portaluppi é absolutamente desprovido de rejeição à feiura. Não se sente constrangido de jogar o futebol mais horroroso do Brasileirão, apesar de ter no elenco jogadores do naipe de um Elano, de um Zé Roberto, de um Barcos, de um Vargas e, até, de um Kléber.
Para o torcedor, assistir a este time do Renato em campo é saber que serão 90 minutos de irritação. Que podem ser substituídos ao apito final pela comemoração de uma vitória sofrida ou pela indignação de saber que, fosse menos acovardado, poderia vencer até com facilidade a maioria dos adversários.
Porém, Portaluppi vence. Ao contrário de outros treinadores que engasgam e não admitem montar um time para jogar feio – mesmo fazendo isso muitas vezes –, Renato não se preocupa. Monta sua retranca, empilha volantes e ordena que sua defesa se transforme em uma metralhadora de chutões para o alto. E vence. Assumindo que a proposta é essa, jogar feio e pontuar.
O Grêmio de Portaluppi provavelmente não será campeão brasileiro. Poderia ser, com outro esquema? Quem sabe?! Mas ficará à frente de muitos outros times que se descabelam tentando jogar bonito, mesmo sem jogadores para tal. Porque o técnico gremista é descarado, faz o feio se isso der resultado, assume e se contenta com isso.
Mesmo jogando o pior futebol, o Grêmio está entre os melhores. Porque Renato não tem vergonha na cara.
