Páginas

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Je suis opportuniste

As imagens e relatos são chocantes. Os ataques à Charlie Hebdo são bárbaros e injustificáveis. Temos acordo nisso? Então vamos adiante: está cheio de jornalista brasileiro “se achando” nessa onda da chacina ocorrida na redação do jornal em Paris.

É muito evidente que não se pode comparar o que faz a Charlie e seus cartunistas com que fazem, por exemplo, os repórteres e desenhistas dos jornalões e revistões nacionais. Soa ridícula a quantidade de jornalistas nas redes sociais, na TV e nos jornais tentando, indiretamente, colocar-se como guerreiros que arriscam suas vidas diariamente para abrir os olhos da sociedade (oh, que honra!).

O “Je suis Charlie”, iniciado na França e usado em solidariedade às vítimas, por aqui foi apropriado malandramente por alguns que querem trabalhar o autoconvencimento de sua importância no mundo ou, pior, justificar cafajestagens cometidas por uma imprensa nada plural em suas abordagens. O oportunismo é tão descarado que chegou ao ponto de uma Sheherazade da vida traçar um paralelo entre a Charlie Hebdo e a Veja. A Veja. A Veja! Pelo pouco que conheci e li da publicação francesa, esse tipo de comparação é uma outra forma de ataque violento.

Que me perdoem os diversos colegas que postaram textos se sentindo atingidos pelos tiros na redação francesa. Mas o cenário por aqui é bem diferente. Assim como os atiradores que invadiram o prédio no centro de Paris, nossa imprensa, muitas e muitas vezes, também dispara sem piedade e com armamento pesado contra quem não tem defesa. Nem mesmo alguém com uma caneta na mão para escrever e contrapor.

Je suis opportuniste.

DMCA.com

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Camarotização e falta de raciocínio

O mais recente vestibular da Fuvest usou no tema da redação o termo "camarotização" para abordar a segregação social. Relacionando ascensão da condição econômica da população e divisão de classes, a prova foi um estímulo ao pensamento crítico, como sempre deve ser. Achei muito bons, tema e termo. 

O que me impressionou - embora não devesse, mas... - foi o espanto e incapacidade de compreensão diante da proposta demonstrado por muitos dos vestibulandos após a prova. Não captaram o significado da nova palavra e o motivo do uso. Em que planeta esse pessoal vive? 

Talvez esteja aí um problema a ser solucionado por alunos e professores na preparação para vestibulares e Enem. Os que resolvem se dedicar a fundo nos estudos parecem viver na bolha dos livros e cursinhos. Só digerem aquilo que existir em fórmulas ou for traduzido em musiquinhas animadas para facilitar a decoreba. Fora disso, travam. E os que não estudam... Bem, esses estão preocupados em coletar likes naquela selfie postada no Facebook, feita com o tal "pau de selfie" preso à câmera.

Quem sou eu para aconselhar alguém quando o assunto é ensino, vestibular, essas coisas. Apenas pergunto se não parece claro que a bitolação de permanecer dias e noites babando sobre livros pode, criar dificuldades de entender de generalidades, do mundo à volta. Coisas que invariavelmente serão necessárias em provas, no trabalho, na vida. 

Essa turma, a que não entendeu a "camarotização", vai ter bastante tempo agora para pensar. Ligar os pontos pode ser um bom passatempo de férias pra essa gurizada exercitar o raciocínio, e não a memorização de números, datas, fórmulas.

DMCA.com