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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Camarotização e falta de raciocínio

O mais recente vestibular da Fuvest usou no tema da redação o termo "camarotização" para abordar a segregação social. Relacionando ascensão da condição econômica da população e divisão de classes, a prova foi um estímulo ao pensamento crítico, como sempre deve ser. Achei muito bons, tema e termo. 

O que me impressionou - embora não devesse, mas... - foi o espanto e incapacidade de compreensão diante da proposta demonstrado por muitos dos vestibulandos após a prova. Não captaram o significado da nova palavra e o motivo do uso. Em que planeta esse pessoal vive? 

Talvez esteja aí um problema a ser solucionado por alunos e professores na preparação para vestibulares e Enem. Os que resolvem se dedicar a fundo nos estudos parecem viver na bolha dos livros e cursinhos. Só digerem aquilo que existir em fórmulas ou for traduzido em musiquinhas animadas para facilitar a decoreba. Fora disso, travam. E os que não estudam... Bem, esses estão preocupados em coletar likes naquela selfie postada no Facebook, feita com o tal "pau de selfie" preso à câmera.

Quem sou eu para aconselhar alguém quando o assunto é ensino, vestibular, essas coisas. Apenas pergunto se não parece claro que a bitolação de permanecer dias e noites babando sobre livros pode, criar dificuldades de entender de generalidades, do mundo à volta. Coisas que invariavelmente serão necessárias em provas, no trabalho, na vida. 

Essa turma, a que não entendeu a "camarotização", vai ter bastante tempo agora para pensar. Ligar os pontos pode ser um bom passatempo de férias pra essa gurizada exercitar o raciocínio, e não a memorização de números, datas, fórmulas.

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