As imagens e relatos são chocantes. Os ataques à Charlie Hebdo são bárbaros e injustificáveis. Temos acordo nisso? Então vamos adiante: está cheio de jornalista brasileiro “se achando” nessa onda da chacina ocorrida na redação do jornal em Paris.
É muito evidente que não se pode comparar o que faz a Charlie e seus cartunistas com que fazem, por exemplo, os repórteres e desenhistas dos jornalões e revistões nacionais. Soa ridícula a quantidade de jornalistas nas redes sociais, na TV e nos jornais tentando, indiretamente, colocar-se como guerreiros que arriscam suas vidas diariamente para abrir os olhos da sociedade (oh, que honra!).
O “Je suis Charlie”, iniciado na França e usado em solidariedade às vítimas, por aqui foi apropriado malandramente por alguns que querem trabalhar o autoconvencimento de sua importância no mundo ou, pior, justificar cafajestagens cometidas por uma imprensa nada plural em suas abordagens. O oportunismo é tão descarado que chegou ao ponto de uma Sheherazade da vida traçar um paralelo entre a Charlie Hebdo e a Veja. A Veja. A Veja! Pelo pouco que conheci e li da publicação francesa, esse tipo de comparação é uma outra forma de ataque violento.
Que me perdoem os diversos colegas que postaram textos se sentindo atingidos pelos tiros na redação francesa. Mas o cenário por aqui é bem diferente. Assim como os atiradores que invadiram o prédio no centro de Paris, nossa imprensa, muitas e muitas vezes, também dispara sem piedade e com armamento pesado contra quem não tem defesa. Nem mesmo alguém com uma caneta na mão para escrever e contrapor.
Je suis opportuniste.
Nenhum comentário:
Postar um comentário