Eis que surge agora uma pista sobre o porquê de apenas um único participante do programa Show do Milhão ter conseguido embolsar essa bolada durante todo o tempo em que a atração esteve no ar no SBT (entre 1999 e 2003, com um breve retorno em 2009). Uma das formas mais importantes de apoio que os participantes tinham à disposição em caso de não saberem a resposta era a famosa “ajuda dos universitários”.
Não tinha como dar certo mesmo. Afinal, segundo um levantamento feito pelo Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa denominado Indicador do Analfabetismo Funcional (Inaf) divulgado esta semana, 38% dos brasileiros com formação superior têm nível insuficiente de leitura e escrita. Sendo assim, querer que respondam perguntas de conhecimentos gerais também já é demais.
E como diz aquela famosa frase atribuída às Leis de Murphy, nada é tão ruim que não possa piorar. Se já é de dar de cabeça na parede saber que boa parte do pessoal que sai de um curso superior mal sabe escrever e ler decentemente, imagina agora descobrir que os professores dessas figuras também não são lá essas coisas.
Um comunicado divulgado pelo comando de greve do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) no domingo passado (dia 15) traça uma série de considerações a respeito das reivindicações da categoria a respeito de planos de carreira, regime de trabalho, salários e outras pautas. Lá pelas tantas, na parte do documento destinada aos encaminhamentos (reprodução acima), o ponto 5 sugere ao movimento “radicalizar as ações da greve, ampliando a paraliZação das atividades”. Assim mesmo, com Z. Pô, é um documento público escrito por aqueles que representam os professores universitários brasileiros! Bah!
Querem me chamar de chato, que é só um erro de grafia e que não significa que todos os professores são ruins de escrita? Ok, fiquem à vontade. Agora, só vou concordar com o último ponto. Realmente não dá para generalizar. A maioria dos mestres que tive, seja nas escolas ou na universidade, eram bons. Mas muitos (muitos!) eram péssimos. E não por desconhecer aquilo que lecionavam, mas por sequer saber escrever direito. Um dos meus professores no Jornalismo, por exemplo, não sabia a grafia da palavra FLASH. O coitado perdeu uns dois minutos em uma aula tentando acertar – tentou FALSH, FLAHS, FLSHA. Convenhamos, se o sujeito leciona uma disciplina sobre isso...
Ou seja, graças ao analfabetismo funcional destas pessoas com ensino superior o Brasil continua tendo muitos letrados com pouca habilidade com as letras. E o Silvio Santos economizou uma boa grana no Show do Milhão.
Fosse eu um dos participantes do programa, também não pediria ajuda aos universitários. É mais fácil rechear a conta bancária com a ajuda das placas ou das cartas.
Fosse eu um dos participantes do programa, também não pediria ajuda aos universitários. É mais fácil rechear a conta bancária com a ajuda das placas ou das cartas.
