Nem a queda de mais um ministro, nem o título brasileiro do Corinthians, nem as maldades da Teresa Cristina. Nenhum assunto foi mais importante para o Brasil nos últimos dias do que a mudança de apresentadora do Jornal Nacional. A saída de Fátima Bernardes e a chegada de Patrícia Poeta à bancada que um dia já foi ocupada por Cid Moreira fez a alegria de dezenas de sites, jornais, revistas e o escambau.
Mas não vou perder tempo atacando os descabidos 15 minutos de lenga-lenga com elogios, afagos e sorrisinhos em horário nobre entre o casal Bonner-Fátima e a novata Poeta. Milhares de corneteiros ilustres e anônimos já fizeram isso por mim.
O que tira a paciência é a inversão total dos papeis das novelas e dos telejornais. Há alguns anos a TV brasileira resolveu vestir a camisa da “responsabilidade social” e incluir na dramaturgia assuntos mais densos. No popular, inventaram agora de cagar regra!
Alguém lembra
se teve despedida
sentimentalzinha também
na separação da dupla
Cid Moreira e Sérgio Chapelin?
se teve despedida
sentimentalzinha também
na separação da dupla
Cid Moreira e Sérgio Chapelin?
São as novelas que dizem o que é preconceito, o que é crime, o que é moral, quem é corrupto. Misturam casos reais e ficção para dizer às pessoas: “Olha pessoal, isso aqui é feio, hein!” “Cuidado, em Brasília só tem corrupção!” “Chamar homossexual de viado dá cadeia, gente!” Durante décadas a TV brasileira deu as costas para seu papel social, só interessava entreter o povão e omitir os fatos conforme os interesses dos mandachuvas. De repente, deu um estalo e estão tentando mostrar o quanto são legais para a sociedade. Sei...
Só que se por um lado as novelas estão cada dia mais reais, por outro dá para dizer que o telejornalismo brasileiro virou novela. Tudo bem usar de certa informalidade para transmitir a informação às pessoas, afinal o jornalismo é uma forma de contar histórias e ninguém gosta de um ‘causo’ mal contado. Mas daí a transformar as coisas em conversa de comadre já é demais! O repórter/apresentador agora é o protagonista, o mocinho da história, uma celebridade. Ele sofre, ele chora, ele corre riscos. É um herói!
Tanto é verdade que uma simples mudança de apresentadora de um telejornal virou um drama que se estendeu por dias, com direito a anúncios, coletivas de imprensa e até outdoors nas ruas chamando para o último capítulo. E como todo bom final de novela, teve uma forçada na barra, um chorinho e final feliz. Só não teve beijo – confesso que fiquei esperando – e casamento ao vivo porque o casal da história já é casado.
Lá se vai o tempo em que novela era novela e jornalismo era jornalismo.
Leia também
>> Brasileiros confiam menos na imprensa
Leia também
>> Brasileiros confiam menos na imprensa

Nenhum comentário:
Postar um comentário