Sexta-feira, 16 horas. A imprensa mundial repercutia os possíveis ataques terroristas na Noruega. A mídia brasileira dava destaque à menor cotação do dólar desde 1999. Na Zona Sul do RS, a notícia era a morte de um caminhoneiro envolvido em grave acidente na BR-392. Enquanto isso, uma das maiores emissoras de rádio AM de Pelotas ocupava assim seu espaço:

“Pois bem... sexta-feira... semana acabando, final de semana chegando... bom para aproveitar os dias para descansar... recuperar do cansaço do dia-a-dia.”
E nesse ritmo, somente com a voz sonolenta do locutor, prosseguiu o programa por cerca de 15, 20 minutos. Notícia, informação? Zero!
Não é preciso ser um Ruy Carlos Ostermann para saber que em rádio, especialmente AM, informação e agilidade são imprescindíveis. Fazem parte da alma de um veículo que acompanha as pessoas em qualquer lugar. Uma emissora que não preza por estas qualidades perde a razão de ser. Afinal, qual ouvinte, seja no trabalho, em casa ou durante o deslocamento de carro, vai perder tempo ouvindo as confabulações de um locutor solitário no estúdio?
Este recorte não é uma exceção no rádio pelotense. Pelo contrário, é a regra. Impressionante o estado lamentável do AM em Pelotas, cidade que tem uma tradição no rádio reconhecida nacionalmente. As emissoras locais pararam no tempo. Sempre os mesmos locutores, com os mesmos programas, com os mesmos formatos ultrapassados. E para agravar essa estagnação, a impressão é de que há preguiça e falta de interesse em investir no conteúdo, especialmente em um jornalismo capaz de manter as pessoas informadas, atrair audiência e, por consequência, lucro com anunciantes para a emissora.
Salvo raras (raríssimas!) exceções, o rádio AM pelotense tornou-se mais útil desligado do que ligado.
2 comentários:
parabéns pelo post. resumiu com qualidade a realidade das radios de pelotas, inclusive quando se trata de informaçoes futebolisticas, são tendenciosas e preguiçosasst
Acertou no rim! Muito bom! Mas o pior, caro Peraça, é que essa tradição de rádialistas que passam as manhãs lendo jornal ou enchendo linguiça diante do microfone está enraizada na cabeça dos diretores das rádios que sequer cogitam investir em equipes de reportagem, unidades móveis e qualquer outro aparato capaz de melhorar a qualidade do que é levado ao ar.
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