Curioso como o profissionalismo no futebol pode ser motivo tanto para exaltação como para críticas. Nos bastidores, na administração dos clubes, por exemplo, uma gestão semelhante à de uma empresa tornou-se essencial para o sucesso de um time. Porém, dentro de campo um tanto de amadorismo não faz tão mal.
Explico. Como se não bastassem as trocas de clubes feitas pelos jogadores com cada vez mais frequência, em que juram amor eterno a um time e beijam a camisa com incrível desprendimento, recentemente tem se tornado cada vez mais comum a troca de nacionalidades. Pepe (Portugal) e Marcos Senna (Espanha) são casos bem conhecidos de brasileiros que fazem ou fizeram parte de outras seleções.
Uma amostra da bagunça que a coisa se tornou: o meio-campista Nenê (ex-Santos e atualmente no Paris Saint-Germain) está prestes a obter a tripla nacionalidade. Além da óbvia ligação com o Brasil, atualmente o jogador já conta com registro espanhol e agora pleiteia se tornar um cidadão francês.
Um argentino jogando pelo Brasil. O que já foi só um comercial de TV pode se tornar realidade em breve. Você duvida?!
Tudo isso porque deseja disputar a Copa do Mundo de 2014 e, como não tem oportunidade na seleção brasileira principal (quando jovem atuou nas equipes de base), vê uma chance de fazer parte dos Bleus no torneio a ser disputado no Brasil.
Ou seja, até mesmo as seleções nacionais estão virando meras vitrines onde os jogadores realizem desejos pessoais. Veja só, o sujeito não precisa mais nascer na França, na Espanha ou em qualquer outro país para defender a seleção. É o extremo do profissionalismo. "Não tenho oportunidades no time do Brasil, então vou negociar com a França!" Mais ou menos por aí.
Do jeito que vai, daqui a pouco veremos as federações negociando jogadores para os times nacionais como ocorre com os clubes. Até já imagino a justificativa: tornar o confronto entre os países mais equilibrados. Uma partida entre Rússia e Azerbaijão poderá se tornar uma enorme atração, uma salada cheia de craques consagrados. Duvida? Eu não!
Se forem fazer isso, que pelo menos seja logo. Quem sabe assim a CBF consiga contratar alguns craques de verdade e tornar as partidas da seleção menos sonolentas. Dinheiro para investir, com certeza, há. E muito!
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