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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Um mundo de rabugentos

Ontem escrevi sobre as bobagens ditas pelos repórteres nas transmissões de futebol pela TV (leia aqui). Até encerrei dizendo que talvez estivesse sendo rabugento ao reclamar das "falhas" dos colegas jornalistas.

Hoje resolvi fazer uma espécie de mea culpa. Acontece que li em alguns sites sobre o pedido feito pela Secretaria de Políticas para as Mulheres ao Conar (órgão de autorregulação da publicidade) para que tire do ar um comercial em que a modelo Gisele Bündchen aparece tentando contar ao marido, por exemplo, que bateu o carro. A peça aponta o que seria a forma errada (com Gisele vestida) e a forma correta (Gisele deliciosamente - embora bem magrinha - de calcinha e sutiã).

O problema alegado pela secretaria é que a propaganda reforçaria o estereótipo da mulher como objeto sexual e bla bla bla.

Aí está! Quando li isso pensei se, ao reclamar das bobagens dos repórteres esportivos, não estava sendo também um chato como esse pessoal que enxerga problemas até em comerciais de TV simplórios e nem tão criativos como esse (abaixo) com Gisele.


Ok, são casos diferentes, já que eu não pedi - e ainda bem que não tenho poder para isso -  para tirar do ar os jornalistas. Mas fiquei pensando sobre o mal humor e o politicamente correto que estão tomando conta das pessoas.

Quando a agência criou a peça publicitária com a Gisele toda dengosa e seminua tentando justificar uma burrada, deve ter pensado apenas numa forma divertida e (muito!) atraente de divulgar seu produto. Nenhum problema nisso. Todos os comerciais se utilizam de pré-conceitos para vender uma ideia. Será que há, realmente, alguma ofensa no vídeo que justifique tirar do ar o comercial? Se as coisas seguirem nesse ritmo, daqui a pouco a Associação dos Cantores de Lambada irá tentar censurar a propaganda de cerveja com o Beto Barbosa, alegando que a categoria está sendo ridicularizada.

Fato é que estamos atingindo um ponto de insanidade em que tudo ofende e uma pequena falha pode virar alvo de chatos rabugentos que ficam prestando atenção em detalhes, como se buscassem só uma oportunidade para cornetar.

E tenho medo de estar me juntando a essa turma de chatos. Melhor me controlar.

Um comentário:

Álvaro Guimarães, jornalista, fã de futebol e rock and roll disse...

Muito bom, Peraça! Porém mais chato que a corneta sem motivo é o politicamente correto. Abraço!