
Que me perdoem os moralistas, mas a derrota do Grêmio descaracterizado contra o Flamengo foi o melhor para o futebol.
A rivalidade é o tempero desse jogo, um dos grandes baratos dessa coisa apaixonante que faz até o mais racional dos cirurgiões virar uma criança descontrolada em uma arquibancada com um rádio colado ao ouvido. Que graça teria o seu time vencer se não houvesse um amigo torcedor do adversário para ouvir a flauta?
Não tenho dúvidas que o Grêmio não quis vencer o Flamengo. Da mesma forma que não tenho dúvidas que o vice-campeonato do Internacional é fruto da sua falta de competência para levantar taça, mesmo com um time milionário.
Quando o Tricolor deixa de ajudar o seu maior rival, dá esperanças de que o futebol continua com sua essência mantida, apesar de todo o falso moralismo que toma conta de alguns profissionais da mídia e das quatro linhas.
Se o Grêmio tivesse vencido o Flamengo e o Internacional conquistado o quarto título brasileiro graças a isso, seria a vitória do profissionalismo sobre a paixão. De um esporte cada vez mais sisudo e movido pelo dinheiro mundo afora. E futebol, amigos, é paixão. É irracionalidade. É xingar a mãe do juiz mesmo quando ele está coberto de razão ao anular um gol do seu time. É chamar de perna-de-pau o craque que segundos depois faz o gol da vitória. É acordar de mau humor na quinta-feira porque seu time foi goleado na quarta à noite.
Essa é a essência desse jogo. Dribles, gols e toda a emoção do futebol só estão impregnados em você, em mim e em milhões de pessoas no mundo porque a paixão nos move. Só esse sentimento é capaz de levar milhares de colorados ao Beira Rio e fazer o estádio tremer. E com um gol do Grêmio!
A derrota do Grêmio, intencional ou não, só fez bem a um jogo de rivalidades e, tomara que continue assim, movido pela nossa paixão.
V.P.
Foto: Eduardo Monteiro/Placar
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