Desde que o Barcelona anunciou que estamparia em sua camiseta a marca da Unicef, na temporada 2006/07, ficou claro que ali estava se desfazendo um dos grandes símbolos do futebol mundial: o de que era possível um clube ser realmente de seus sócios, sem precisar se vender e poluir seu manto sagrado com marcas por toda parte. Agora, então, com a confirmação de que o uniforme da próxima temporada trará o logotipo da Qatar Foundation, o encanto foi pelo ralo.

Na foto ao lado, uma das imagens que vazaram na Internet com um dos possíveis modelos de uniforme para a temporada 2011/12. Além da nova patrocinadora, outra novidade deve ser a cor da camiseta reserva. Pela primeira vez clube deve usar a cor preta.
Se antes ainda havia a desculpa de que o clube não recebia para ostentar a Unicef à frente da camiseta - pelo contrário, pagava cerca de 4 milhões de euros -, agora o argumento já não serve. A tal fundação, que diz promover a educação e o esporte no Catar, pagará ao Barça 30 milhões de euros por ano até 2016. É a quebra de uma tradição de 111 anos no clube catalão, que sempre orgulhou sua torcida por não vender espaços publicitários em sua camiseta.
Para não dar o braço a torcer e assumir que se dobrou aos milhões que rechearão ainda mais os cofres, o presidente do Barcelona, Sandro Rosell, argumenta que aceitou a proposta da Qatar Foundation por não ser uma marca comercial, e sim uma Organização Não-Governamental. Sei...
Coincidentemente ou não, o patrocínio da ONG na camiseta do Barça surge no momento em que o Catar foi confirmado pela Fifa como sede da Copa do Mundo de 2022. Ou seja, direta ou indiretamente trata-se de uma propaganda do país através da camiseta de um dos clubes mais populares do mundo.
111 anos de tradição e orgulho catalão trocados por alguns milhões de euros na conta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário